Transtornos mentais a partir do CID 10

Publicado em 18/06/2020



Com este artigo dou início a uma nova série, de artigos aqui no site e de vídeos com o mesmo tema no meu canal do youtube Abarca Psicólogo. O tema é transtornos mentais a partir da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados com a Saúde – CID 10. Esta série terá esta apresentação e depois a sequência específica dos seguintes transtornos emocionais: Bipolar; Ansiedade generalizada; Depressão; Humor e Pânico .

Por hora discorro sobre a importância do CID 10 ter colocado o conceito de Transtornos Mentais no lugar de patologias ou doença mental. Isto por que no passado os sintomas emocionais vinham carregados do estigma de serem doenças e muitos acreditavam que não havia cura. Na antiga forma de ver, criou-se tabus para os tratamentos emocionais, pois as pessoas achavam que eram loucas ao irem no Psiquiatra ou ao Psicólogo. A noção de patologia ou doença emocional passava uma ideia de algo fixo. Com o conceito de Transtorno, podemos entender que a pessoa está passando por um problema, um processo que pode ser superado, um transtorno a ser superado. Lógico que na cabeça de muitos profissionais da saúde emocional vamos encontrar posições conservadoras capazes de definir em apenas uma consulta que o sintoma do paciente não tem cura e assim a medicação será contínua. Mas esta postura tem mudado, pois a própria configuração do CID 10 no campo dos Transtornos comportamentais traz esta forma do acompanhamento ao paciente ser monitorado pela descrição  do quadro, onde para cada quadro específico tem-se muitas variações diagnósticas.

Um olhar interdisciplinar para a cura do transtorno mental 
O processo de superação de um Transtorno Mental, hoje, dentro de um processo de monitoramento profissional, com o olhar interdisciplinar ( suporte de diferentes agentes de saúde em áreas de atuação especializada), vai sair do modelo transtorno/ medicação e adentrar na intervenção para além da medicação, pela psicoterapia com o profissional Psicólogo, com Nutricionistas, Fisioterapeutas , terapeutas ocupacionais e educadores físicos. Tendo em vista que para além de serem medicados, muitos pacientes precisam mudar os hábitos e melhorar a estrutura fisiológica como um todo. Enquanto o remédio não pensa, a psicoterapia leva a pensar a origem do problema e como aprender a se posicionar diante do sintoma. Mas apenas medicação e psicoterapia não bastam em muitos casos, assim entra a reorganização alimentar, atividade física e processos de aprendizado criativo. 

Dentro do tratamento dos sintomas de cada transtorno, alguém sempre nos pergunta a origem do problema e traz a velha dúvida se de fato ele é hereditário. Costumo simplificar esta questão em três campos os quais observo que são os mais comuns para se situar a origem de um transtorno mental.
  1. No campo de construção de vínculos emocionais, pela estrutura do processo educacional familiar e social. Aqui costumo dizer que é o DNA Cultural do transtorno, isto é , a ambiência sócio cultural e econômica que foi instaurada, tendo como referencial propulsor os estabelecimentos dos vínculos emocionais. Dentro de minha percepção clínica, vejo que este é o principal fator;
  2. Decorrente de doenças orgânicas definitivas e ou adquiridas. Também provenientes de traumas físicos com evolução à deficiência física, ou decorrentes de acidentes com longo processo de superação física e emocional;
  3. De estrutura hereditária, que sempre aparenta ser o carro-chefe do histórico dos transtornos. Nestes casos, ao acompanhar o paciente, nem sempre conseguimos identificar de fato que o sintoma faz parte de uma estrutura hereditária familiar. Hoje podemos observar em alguns casos de depressão, de ansiedade e também com mais clareza na esquizofrenia. Mas com pouca possibilidade de se provar verdadeiramente a hereditariedade. Pois mesmo que uma família venha com um longo histórico de gerações com membros que passaram por uma mesma forma de transtorno, esta estrutura pode ter sido perpassada culturalmente e não biologicamente. As hipóteses sobre hereditariedade são as mais difíceis de serem comprovadas.
Escolhi os cinco transtornos que vou discorrer nos próximos artigos, nesta nova sequência que se inicia hoje, por observar os que são mais citados nos atestados por médicos que nos indicam para o suporte psicoterapêutico,  e também os que, no momento, são mais falados nas redes sociais e nos grupos de pessoas quando o assunto é tratamento emocional. Mas lógico que há dezenas de transtornos que infelizmente não caberia abordar aqui neste momento, se não estaria propondo a reproduzir a sequência do CID 10 para transtornos mentais. Também priorizei os transtornos a partir  de pacientes jovens e adultos, pois no referencial para crianças já são outros transtornos mais citados, sobre o que, provavelmente, farei outra sequência de textos mais adiante.


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