Transtorno de humor

Publicado em 30/07/2020

O presente artigo compõe a série de textos sobre Transtornos Mentais e nele vamos descrever o Transtorno Persistente de Humor (afetivo), que no Código Internacional de Classificação de doenças, no campo dos Transtornos Mentais, CID10, está classificado como F.38.


Escolhi falar deste transtorno por ser o mais comum no contexto clínico psicológico, mas o menos diagnosticado. Entendo que isso ocorre pelo fato deste transtorno não apresentar sintomas suficientes para que justifique um afastamento do trabalho, e por não dificultar o cotidiano da pessoa, que mesmo tendo o quadro persistente não o retira de suas atividades funcionais.


Transtorno Persistente de Humor (afetivo) – Misto e Recorrente

Este transtorno pode ser misto, com alguns episódios de mania e depressão por, pelo menos, duas semanas consecutivas, o que se confunde muito com o Transtorno Bipolar leve.


Mas o mais comum é o sintoma recorrente efetivo, que o coloca na condição de persistente, por pelo menos um ano consecutivo e com manifestação mensal.


Geralmente é um quadro se manifesta em pessoas já adultas e que parece estar impregnado na estrutura de personalidade. É cansativo para o portador e gera um mal estar para as pessoas mais próximas, pois sempre o sujeito estará diante de alteração de humor, que apenas o seu próprio espelho enxerga e aqueles que estão muito próximo dele. E sendo assim, demora para que a pessoa aceite que precisa realizar um tratamento.


Mas poderíamos entender que este transtorno não requer tratamento por já fazer parte da configuração estrutural do cotidiano da pessoa. Porém, pela persistência recorrente, e por ser um transtorno eminentemente de perfil afetivo, que está diretamente relacionado aos vínculos afetivos, o sujeito chega a um momento da vida que já não suporta mais a contínua alteração de humor. 


Assim, recebo muitos pacientes que chegam geralmente diagnosticados com Transtorno de Depressão ou Bipolar leve, mas que na verdade são de Humor. Estes que chegam por indicação médica para uma psicoterapia ou por que o cônjuge ou familiares muito próximos já cansados de conviver com o sujeito encaminham para uma psicoterapia.


Transtorno Persistente de Humor (afetivo) – Tratamento

Geralmente, no Transtorno Persistente de Humor (afetivo), o processo da Psicoterapia basta para o tratamento, tendo em vista que, no geral, não ocorrem disfunções comportamentais tão sérias e que levam ao prejuízo ou perda das atividades laborais.


Mas quando o paciente já chega medicado, leva um bom tempo para se observar que de fato não necessita da medicação psiquiátrica. Mas este processo de retirada da medicação deve ser feito em parceria com as observações do profissional de Psicologia e o manuseio medicamentoso do médico psiquiatra. 


Transtorno de humor ou Distimia?

Este sintoma se confunde muito com a Distimia, que é aquele quadro contínuo do sujeito que sempre aposta no azar, como acontece com o desenho animado do Lippy e Hardy, onde o Lippy é o urso que sempre está tramando alguma aventura e o Hardy é a hiena que sempre está gorando as ideias do Lippy com a célebre frase: “Ó dia, ó céus, ó azar, isto não vai dar certo”.


Na Distimia, que é um transtorno dentro dos quadros de Depressão, e está em nível leve, o sujeito tem perdas de funcionalidade pela aposta no azar. No quadro do Transtorno Persistente de Humor (afetivo), o sujeito não aposta no azar, mas fica nesta alteração de humor dele para consigo mesmo. Só depois de longos períodos de convivência com a pessoa neste quadro de humor que dá para perceber a configuração real do quadro. Desta forma, os erros diagnósticos acabam caracterizando outros sintomas, pois não é fácil identificar em apenas uma consulta médica ou em um processo psicoterapêutico breve.


O Transtorno de humor pode durar anos, sempre a partir já da vida adulta, e envolve sentimentos de angústia e também a dificuldade subjetiva, isto é, o sujeito está sempre muito apegado à realidade.



Quando procurar ajuda? 

Todos nós nos deparamos com alterações de humor contínuo. Mas se observarmos que essas alteração estão ligadas a momentos identificáveis, podemos dizer que faz parte do cotidiano, entre altos e baixos, dependendo do que estamos vivenciando em determinados momentos. Mas no caso do Transtorno de humor é diferente, a sensação de alteração de humor é contínua e a angústia é inerente, um sentimento de um desafeto que vira e mexe aparece. Por isto que está diretamente associado aos vínculos afetivos. Um contato mais afetuoso um elogio e um afago já colaboram para a melhora do humor, porém sempre dentro de uma zona de nem muito entusiasmo e nem muita tristeza.


De todos os transtornos trabalhados nesta sequência e que também estão como vídeos no meu canal do Youtube, se bem observarmos nós mesmos teremos traços de todos os transtornos. Por isto que não é indicado uma pessoa se auto avaliar através de pesquisas sobre os diversos Transtornos , pois se assim fizerem, acharão que precisam estar internadas, ou a cada pesquisa se enquadrarão em um sintoma diferente.


Pacientes em tratamento que tendem a ficar querendo dar de médico ou psicólogo para achar seu verdadeiro problema, são muito difíceis de manter em um processo contínuo confiando nos profissionais, sempre estão procurando um milagre em algum profissional.


O processo de diagnóstico, como podemos observar muito bem nesta série de artigos sobre Transtornos Mentais, é a chave para um bom tratamento, pois tanto o médico conseguirá encontrar o melhor caminho medicamentoso, como o psicólogo conseguira ajudar o paciente a identificar as origens dos sintomas. Mas de fato, este é o maior desafio neste campo dos Transtornos Mentais: a paciência histórica no início de um tratamento.


Sabemos que quanto mais cedo uma pessoa procura por um diagnóstico e se entrega a um tratamento contínuo, mais cedo terá clareza de sua estrutura emocional e saberá lidar com os sintomas emocionais que sempre emergirão na vida, não incorporando assim uma personalidade patológica.



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