Estar paciente/doente trás vantagens

Publicado em 12/11/2020

Todos tendemos a fugir de doenças, mas todos adoecemos. Somos educados inconscientemente a ter benefícios com a doença. Desde criança, conseguimos angariar atenção maior dos pais e familiares quando estamos doentes. Ao mesmo tempo em que fugimos da doença, somos levados a estarmos doentes.


Lembro de quando eu era criança e meus pais, que tinham sete filhos, deram maior atenção a mim nas vezes que fui internado no hospital da cidade. Eu recebia visitas, ganhava maça - que na época era comida ou fruta de ricos - e ainda tinha o direito de nem ir para a escola na semana da internação, para se recuperar em casa, com a TV ligada, comida na mão e muito mimo.


Uma vantagem mentirosa


Esta é a realidade de muitas famílias no Brasil, que educam os filhos na perspectiva do apego afetivo. Principalmente quando um filho sofre por algum problema. Este referencial que muitas crianças vivenciam de serem beneficiadas afetivamente pela dor decorrente da doença, que faz os pais dedicarem toda a atenção ao filho doente, gera uma identidade de doença associada a benefícios afetivos de atenção – algo próximo ao que Freud chama de benefício secundário do sintoma.


Neste sentido, observo muitos pacientes que na vida adulta vivem em função de uma doença ou na expectativa de adquirir uma. Estar doente pode ser um benefício e geralmente quando este perfil incorpora na estrutura de personalidade de um adulto, o que se desenvolve são doenças de caráter emocional, quase sempre com a conotação depressiva ou ansiosa. Exatamente aqueles pacientes que mesmo em tratamento apostam na doença, que ao se sentirem melhor preferem a condição depressiva ou sofrível, possuem um perfil forjado desde a infância.


Sabemos que, muitos sujeito desenvolvem a hipocondria na vida adulta, que é a condição mental de criar doença. São pessoas que constantemente se apegam a médicos em busca de um diagnóstico por uma possível doença. Aqui temos este perfil de busca por afeto, que, pela carência afetiva, o único recurso de conquista de afeto é estar doente.


Eduque para uma vida saudável 


É possível educar os filhos em uma outra perspectiva de vida, a de não estar doente. Mas, para isto, é necessário a atenção dos pais, estar participativo no cotidiano dos filhos e promover ações de interatividade afetiva. Uma educação voltada para a vida, e não para o sofrimento.


Uma forma de educar que precisa de coragem e dedicação, já que somos imersos na cultura do apego afetivo e do culto a doença. Não é a toa que o Brasil é o país com maior índice de pessoas com transtorno depressivo da América Latina.



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