O sujeito inconsciente não envelhece!

Publicado em 27/11/2020


Quem me despertou para este tema foi o Psicólogo Psicanalista Samuel Iauany, quando, no mês de outubro de 2020, escrevi o texto sobre a criança que vive dentro de mim. Em resposta, Samuel manda uma mensagem dizendo “o inconsciente não envelhece”.


De fato, que nossos registros inconscientes, das estruturas de vínculos afetivos, dos processos de introjeção e projeção, das articulações transferenciais que fazemos com o mundo e as pessoas ao longo da nossa existência, acumulam registros em nosso inconsciente desde a tenra idade. Uns dizem que isso ocorre até na vida intrauterina, como o demonstram os estudos da psicanálise de Piamontelli na dimensão do Eu pele a partir de Didier Anzieu. Podemos de fato constatar que o inconsciente não envelhece.


O inconsciente é o armazenamento de nossa história!

Para quem já trilhou ou está trilhando processo psicanalítico na forma de análise, como faço com meus pacientes desde as crianças até os adultos, assim também como me sujeito ao processo analítico continuamente, pode observar que constantemente lembramos cenas de nossa infância e juventude.


Geralmente os elementos mais determinantes dos sentimentos e emoções que pautamos no nosso cotidiano em análise estão cravados na nossa memória inconsciente, que no processo criado por Freud pela associação livre, em que o inconsciente vai sendo desvendado, decifrado e interpretado pela fala espontânea, num contínuo processo regressivo, vamos sempre trazendo a criança dentro de nós. Assim, o inconsciente não envelhece, estamos em contínuo processo de degustar nossa infância.

A mente e a analogia do iceberg

O próprio Freud dizia que a análise e o método psicanalítico são como o trilhar do arqueólogo em busca do descobrir fragmentos do passado. Freud comparou a mente como umIceberg, no qual o que conhecemos de nós mesmos é apenas a ponta, aquilo que conseguimos ver, que pode representar até, quem sabe, 10% da nossa percepção, que é o consciente. O que não vemos, que chega na ordem de 90% é o que chamamos de inconsciente, e é exatamente aquilo que não enxergamos de nós mesmos que nos derruba. Assim como aconteceu com o Titanic, onde o comandante do navio não observou que a montanha de gelo estava próxima de seu navio, o que resultou no afundamento do mesmo.


Muita gente chega para um processo de psicoterapia com receio de ficar preso no passado e até com a fantasia de regredir e não mais sair do passado. Isto acontece por que a maioria das pessoas buscam o psicólogo (a) para resolver problemas emergentes ou consertar o “casco da embarcação” que foi estourado pela parte não revelada do iceberg, o inconsciente. Poucos, neste Brasil, procuram o psicólogo para livremente desenvolver o processo de análise livre.


Geralmente só acontece com quem já estudou a Psicanálise ou já tem processo educacional e conhecimento do mesmo para se propor a análise livre. O fato é que o processo de entrada em uma análise de base psicanalítica leva tempo, pois, se o paciente, no início de um tratamento chega com sintomas de transtornos emocionais e, muitos, já com medicação psiquiátrica, a primeira etapa é levar para suporte e apoio, fazer o paciente elaborar seu conflito inicial para posteriormente entrar em uma análise. Na minha experiência clínica, esta é uma realidade com muitos casos.


O inconsciente não envelhece !

Mas desde o início de uma psicoterapia, que visa a acolhida do problema e a terapêutica para a evolução e melhora do quadro clínico inicial, até a instalação de uma análise livre, o objeto de percepção é teoricamente a psicanálise e, tecnicamente, também a psicanálise, pois constantemente ouvimos os sintomas emergentes, as falas do consciente pelas cenas do cotidiano, mas atentos para devolver ao paciente traços de seu inconsciente o qual passa, muitas vezes, despercebido. É nesta devolutiva da fala do paciente para que ele mesmo tenha seus próprios insights que a criança e o adolescente são revitalizados, relembrados.


Desta forma, podemos constatar e conduzir a fala do Psicólogo Samuel Iauany, que o inconsciente não envelhece. Por este motivo que observo um forte rejuvenescimento nas pessoas que são analisadas ou no sujeito analisado.



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