Psicologia das Múltiplas Competências

Publicado em 04/12/2020


O conceito de Psicologia das Múltiplas Competências vem sendo trabalhado por diferentes autores em diferentes áreas do conhecimento. Edgar Morin, em seu livro “Sete pilares para a educação”, e também no seu texto “A cabeça bem feita”, além de todo o conjunto de sua obra como filósofo traz o debate das múltiplas capacidades que um indivíduo pode potencializar em sua vida ao longo da trajetória escolar. Com isso, ele propôs mudanças no currículo educacional francês, visando potencializar conhecimentos com a capacidade de executar.


Outros tantos ligados à Filosofia e educação estão insistindo nas múltiplas competências. Outro exemplo é Yves de La Taille, através de seus estudos pela USP de São Paulo, pelos quais ele pinça a ideia do saber que se aprende fazendo.


Conhecimento, habilidades e atitudes

Neste cenário, temos também muitas abordagens no meio administrativo empresarial que estão utilizando os conceitos de conhecimento, habilidades e atitudes, no que já ficou caracterizado como C.H.A do executivo.


Qual é seu C.H.A? Esta é a busca que muitos departamentos de gestão estratégica de pessoas fazem para rastrear novos talentos para dentro da empresa.


Ao longo de minha experiência em gestão estratégica de pessoas, que comecei a desenvolver a partir da minha formação de MBA em Desenvolvimento Humano pela Fundação Getúlio Vargas, comecei a me dedicar em construir um método de identificação das habilidades e atitudes para jovens em processo de escolha de um curso superior, e, consequentemente, uma profissão futura. Ele serve também para executivos e ou empresas que precisam selecionar pessoas para funções de gerência na organização.


Intitulei este processo com o conceito da “Psicologia das múltiplas competências”, em que o sujeito constrói as habilidades e atitudes que necessita ter para sua ação profissional. O conhecimento em si, por ser inerente ao exercício profissional, é necessário, é condição primeira, mas as habilidades para agir e fazer valer na prática o conhecimento, são pontos nodais para percepção de perfil profissional.


Geração digitalizada e especializada

Nossa espécie Sapiens possui potencialidades múltiplas e competências codificadas. Com a evolução da espécie, fomos desenvolvendo habilidades para chegarmos ao mínimo esforço possível. Hoje, chegamos a um patamar de baixo uso de nossas habilidades e consequente esfriamento do ânimo para atitudes de informação, é a geração digitalizada.


Outro fator que vai paralisando nossas ações é o afunilamento do conhecimento a partir das especialidades, para várias áreas de ação profissional temos dezenas de especialidades. Nos tornamos eficazes em um área e somente nela.


Atividades manuais para potencializar os resultados

É sempre bom lembrar que nosso cérebro chegou onde chegou pelas habilidades manuais. Quando executamos atividades com as mãos causamos sinapses cerebrais e provocamos a produção de substâncias químicas que nos colocam ativos, bem humorados e dispostos. A atitude de fazer acontecer é uma reação ou resultado de um cérebro em plena funcionalidade. Mas com o desenvolvimento tecnológico e a digitalização estamos desenvolvendo poucas habilidades manuais e perdendo potencialidades tanto do fazer quanto da cognição.


Quando, em um dia de descanso, o profissional passa a maior parte deste dia dormindo ou no celular, na tv/computador, preso em séries da netflix e outros sistemas de geração de filmes em série, está descansando de forma pouco criativa, pois os conteúdos digitais já estão prontos e não exige esforço e desenvolvimento de habilidades, e consequentemente remetem à falta de atitude, o sujeito fica estagnado.


Para desenvolver as múltiplas competências

Para o desenvolvimento das múltiplas competências a partir dos referenciais do Conhecimento, Habilidades e Atitudes (C.H.A), o sujeito precisa saber ocupar seu tempo com a busca de conhecimento tanto daquilo que faz na profissão ou especialidade quanto no ato de executar outros conhecimentos que adquire. A execução é o desenvolvimento da habilidade, aquela ação que faz o conhecimento se transformar em ato. É preciso ter também ações que exijam o sair da zona de conforto para o desenvolvimento da atitude, do impulso para o ato de fazer. Assim, atentos à estas três dimensões as múltiplas competências começam a transbordar no sujeito.


No meu método da Psicologia das Múltiplas Competências, observamos, como eu já disse, as habilidades e atitudes a partir do que o sujeito já desenvolve ou para aquilo que pretende desenvolver, na transparência dos dados construído pelo próprio sujeito, que pontua por ele mesmo as habilidades e atitudes que precisa ter diante do que se propõe, terá uma percepção das potencialidades desenvolvidas, das potencialidades que ainda precisam ser desenvolvidas e das potencialidades que nunca conseguirá desenvolver, mas que poderá rastrear apoios para se superar. E também dos mecanismos de atitude intrinsecamente ligados ao emocional e personalidade, aqui está também o reconhecimento dos próprios limites. Neste método os quatro eixos de medida são: emocional, personalidade, cognição e perfil.


Na era do TI, poucos vão desejar desenvolver as múltiplas competências, pois este desejo e trajetória requer muito esforço, foco e prospecção. Mas os poucos que conseguem, fazem a diferença no meio da massa acomodada. Uma massa que agora trilha o caminho mais animalesco de nossa espécie: o não pensar/fazer. Se não múltipla potencializarmos, logo logo estaremos andando de quatro e lambendo a língua em um aparelho digital.



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