Dezembro de 2020, um marco referencial para a humanidade

Publicado em 18/12/2020


Dezembro da pandemia chegou, o ano de 2020 vai ficar para a história por conta do COVID-19. Mais de um milhão e meio de pessoas morreram por conta deste vírus enigmático, uma pandemia que repercutiu em todos os setores da vida humana, político, econômico, social, industrial, religioso e muitos outros.


Como foi o ano de 2020 para a Psicologia?

Para a Psicologia foi um ano de fortalecimento da ciência e profissão, pois a humanidade no âmbito global foi afetada emocionalmente com a iminência da morte, de falências, de isolamento, de incertezas sobre o hoje e o amanhã. Eu mesmo, por exemplo, trabalhei mais neste ano do que em anos anteriores, atendendo pessoas que desenvolveram transtornos emocionais a partir da pandemia e do isolamento social. Inclusive ampliei o leque de atendimentos para vários estados do Brasil e até outros países, por conta da regulamentação do Conselho Federal de Psicologia para o atendimento on-line.


Chegamos ao mês de dezembro de 2020 com ampla expectativa de vacinação, já começando em diversos países e em campanha de vacinação no planeta inteiro. Nesse sentido, vimos a ciência e as universidades em parceriacom laboratórios internacionais no processo de produção de uma vacina antiviral em tempo recorde, beirando a casa dos 10 aos 18 meses, sendo que normalmente uma vacina pode levar uma média de até 10 anos para ser consolidada no mercado.


Com a demanda do vírus, aprendemos que não é estratégico sucatearmos a ciência, tanto tecnológica, biológica, médica, quanto as ciências humanas, como foi o caso da Psicologia, uma das mais solicitadas no momento. Sobre estas últimas, temos também a importância da antropologia, que precisa ser investida, pois muitas regiões do planeta lidam com comunidades indígenas e/ou de regiões longínquas, que lançam perguntas do tipo: como fazer para que estas populações e estes povos possam ser incluídos no processo de prevenção?; tem também a sociologia, que muito nos ajuda a pensar a sociedade, principalmente quando se requer mudanças de hábitos; a comunicação, que enfrenta uma de suas maiores crises, pois cresceram os recursos digitais, mas aumentou a ascensão das falsas notícias ou o que estão denominando de “triunfo da mentira”; e também a filosofia como ciência do pensar e buscar caminhos.


Assim, as ciências não podem ser vistas apenas no campo tecnológico e laboratorial, mas de forma ampla, tanto pelas ciências naturais como humanas. Ficou claro que invés de enfraquecer as universidades, precisamos fortalecê-las.


O que vem junto com o último mês de 2020

Dezembro chegou muito rápido”, pelo menos é o que estou escutando pelas ruas, nos atendimentos. Com o dezembro, chega também a esperança: A ciência triunfando, mas também o triunfo da fragilidade humana, que sempre foi muito frágil, mas que camuflamos nos iludindo com a ideia de super homens.


Dezembro chega com o aumento dos infectados pelo COVID-19 no Brasil e no mundo, principalmente na Europa e nos Estados Unidos da América, e um dos fatores desta demanda é a dificuldade das pessoas manterem-se em isolamento e com distanciamento, principalmente pelo público jovem que não consegue deixar o lazer noturno, bares, festas. Entendo que aqui há uma discrepância do pensamento juvenil da atualidade que é resultado de um processo civilizatório pós-moderno, com foco no consumo capitalista e na necessidade do culto da auto imagem e do prazer pessoal. Usar máscaras e manter distanciamento passa a ser uma atitude que não atinge os jovens entre 15 a 29 anos. Estes tendem ao amor próprio, o famoso eu me amo, e, com isso, levam o risco para seus pais, avós e muitos outros.


O uso da máscara no Japão, por exemplo, foi incorporado pela densidade populacional em um espectro geográfico pequeno, e ao longo dos anos foi-se criando hábitos de proteção de si e do outro. Usar máscara no Japão representa proteger o outro. Já nos países europeus com alto processo de desenvolvimento consumista e nos EUA e Brasil, os jovens, na sua maioria, estão pouco preocupados com os outros, inclusive tenho dito que parece que a juventude tem vivido na “intenção de matar” os pais e idosos dentro de suas casas, parece que querem ter acesso à herança dos coroas mais cedo.


A humanidade se tornará melhor pós pandemia?

A pergunta que não quer calar: A humanidade vai ficar melhor? Mais solidária? Menos consumista?


O histórico da espécie humana é caracterizado pela capacidade auto-destrutiva, o que permitiu que nossa espécie chegasse onde chegou, segundo o autor do livro Sapiens: Uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari. Observando a condução da humanidade em plena pandemia, tanto no quesito de não conseguir cuidar do outro pelo isolamento e ou distanciamento, e também pelas disputas políticas entre nações principalmente das grandes potências, ainda não será desta vez que vamos aprender com a pandemia do COVID-19. Continuaremos seguindo famigeradamente os caminhos que até hoje a humanidade seguiu: continuaremos destrutivos, continuaremos fofoqueiros e intrigueiros. Não é pessimismo, é realidade. As ações isoladas de solidariedade que vimos acontecer não vão representar mudanças no perfil da nossa espécie.


Em minha família tentamos vivenciar principalmente através do Movimento dos Focolares, com ações de apoio à grupos coletivos em comunidades periféricas, ações isoladas, mas que nos ajudaram a sobreviver nesta pandemia com ares da alegria pela construção da Civilização do Amor, que os Focolares apregoam em mais de 160 países pelo mundo. Assim, mesmo sabendo que não chegou a hora da humanidade dar o dia para a solidariedade entre os povos, estamos cultivando a esperança pelas ações concretas.


Mas ainda não chegou a hora de alerta geral para a humanidade, isso acontecerá quando de fato as estruturas dos mais ricos estiverem abaladas e a morte chegar a cavalo em pleno galope ou na velocidade cibernética nos mais ricos, afetando, lógico, a todos. Não é agouro, é realidade.


Resta-nos a esperança e a utopia. Enquanto pudermos atrapalhar a vertiginosa campanha destrutiva de ser humano no planeta, vamos fazendo nossa parte, como já disse Hebert de Souza o Betinho irmão de Henfil: “Um beija flor de gota em gota, pode não apagar o fogo de uma floresta, mas o coletivo dos beija flores pode pelo menos amenizar o incêndio.” Nesta utopia vamos caminhando, conquistando corações, vivendo o que podemos viver na plenitude do amor que podemos oferecer.


Que dezembro possa pelo menos nos unir em um único pensamento: Esta pandemia está nos dizendo o que? O que podemos tirar de proveito dela? Quais as ações que podemos tomar para este planeta ser mais viável para continuarmos a existir como espécie? Como fazer para que todos e todas, indistintamente, consigam se deleitar dos prazeres desta terra?


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