O pensamento de Winnicott para pais e educadores | Adolescência

Publicado em 01/06/2021


As perdas 

“Nas fantasias inconscientes como um todo, referentes ao crescimento durante a puberdade e a adolescência, existe a morte de alguém. Boa parte delas pode ser enfrentada através do jogo, de deslocamentos e a partir de identificações cruzadas.”(WINNICOTT, 1968,2011, p. 155)[i]


Neste site tenho diversos artigos sobre adolescência e no canal do Youtube vários vídeos sobre o mesmo tema. Neles aponto sobre o processo de morte na passagem do ser criança para o ser adolescente. A morte do corpo de criança, a morte dos pais de criança e a morte da identidade de criança são fatores que Winnicott nos apresenta como ‘morte de alguém’. Ela é elaborada na interação com o mundo a partir dos jogos, deslocamentos, isto é, para diferentes experiências que até podem causar prejuízos para a adolescência, como é o caso do encontro de grupos de riscos sociais e a própria delinquência. O adolescente também vai elaborando essas mortes pela identificação cruzada, a partir de vínculos amorosos e das identificações com os pais e educadores - por oposição, aproximação ou identificação.


A imaturidade

Assim, a adolescência se apresenta com a marca da imaturidade, que é diferente da imaturidade na criança. Na adolescência a imaturidade é camuflada com a marca da autodefesa por ataques. Winnicott nos lembra que “A imaturidade é um elemento essencial da saúde durante a adolescência. Só existe uma cura para a imaturidade – a passagem do tempo e o crescimento para a maturidade que o tempo pode trazer. No fim, essas duas coisas resultam na emergência de uma pessoa adulta.” É uma etapa que deve ser respeitada, pois representa uma passagem, que pode alongar-se mais ou menos conforme o ambiente de proteção, variando entre os 12 e os 22 anos.


A presença acolhedora dos adultos 

A adolescência é um tempo de construção de referências para se chegar à vida adulta. Nesta forma de ver, cabe aos pais e educadores não querer acelerar a maturidade dos adolescentes, mas sim, ter a capacidade de acolher esta imaturidade que tende a evoluir lentamente até a sua real maturidade. Quando não se respeita esta etapa, por parte dos adultos, haverá conflitos, tendências de patologizar os adolescentes e até haverá processos repressivos, que lá na frente prejudicarão o processo maturacional, por antecipação ou até adiando a maturidade.


Esta configuração da imaturidade do adolescente é o que já apontei aqui, em artigos anteriores, como a Psicopatologia da Adolescência Normal, que aos olhos dos adultos - que não querem ou não conseguem acompanhar esta etapa – tendem a caracterizar como portadores de uma doença mental. De fato, há casos que parecem um quadro de desintegração emocional, mas que devem ser bem avaliados para detectar se está dentro do espectro normal da imaturidade desta fase da vida.


Quando, de fato, os adolescentes chegam ao máximo do desafio e da contravenção é melhor avaliar se sua estrutura segue um caminho normal de maturidade ou se é já sinal de um transtorno.


O melhor caminho é estar junto, participar e de alguma forma dar liberdade, com a referência daquele velho ‘conselho popular’: Não desamarre o adolescente da corda, mas pode dar muita corda para ele ter a liberdade de construir seus referenciais conforme cada etapa de sua adolescência vai lhe pedir. Aqui vale a liberdade assistida, com o tal do “mas, porém, todavia...”



[i] WINNICOTT, Donald Woods. Tudo começa em casa. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2011


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