Carinho, Carícias e Consciência

Publicado em 15/09/2015


                                                                                    
Qual é o melhor caminho para a vivência de um namoro que conduza ao autoconhecimento? Vai depender das escolhas que os parceiros enamorados estão fazendo em suas próprias vidas. 

Namorados cuja perspectiva de vida é apenas o prazer e a “curtição”, serão movidos pela busca do prazer fisiológico e o que medirá o nível de satisfação de estar juntos será a potencia sexual. 

Definir o limite entre os conceitos de carinho, carícia e consciência é um caminho que muitas vezes  a argumentação teórica não consegue delimitar território, pois  são conceitos que na ordem prática são movidos por impulsos. Vejamos:

Carinho é a manifestação de respeito, em que por meio de gestos carinhosos revela-se o zelo pela pessoa que se admira ou ama. O carinho, além de ser externado com gestos, é manifestado com toques, contatos. Porém são expressões corporais desprovida de necessidade erótica. É como um afago. O encontro de dois amigos. Por isso que dizemos que o namoro nasce de uma boa amizade cujo sentimento evoluiu para o encontro amoroso.

Carícias são manifestações físicas decorrentes do carinho à pessoa amada com  mais  estímulo erógeno. Aquela necessidade natural que emerge após os gestos carinhosos do encontro, onde o casal manifesta de forma mais intensa os sentimentos através de contato corpóreo. Há uma manifestação sexual e erógena, pela lógica do encontro corpóreo. São os beijos mais prolongados, os abraços bem dados que faz sentir todo o corpo do outro. 

Consciência, torna-se a consciência sobre os efeitos da carícia. Aqui entra o campo das escolhas. Se o casal deseja ter apenas a manifestação de prazer corporal sem pensar nas consequências de seus atos, as carícias tenderão à manifestação  apenas do prazer sexual. Porém, se a consciência está no cuidado com o outro, de fazer com que aquele sentimento de amor evolua para o estabelecimento de uma vida conjugal, as carícias terão seus limites e esperas. Para casais de namorados que escolheram conduzir-se ao compromisso matrimonial como referência às orientações da Religião, terão como  limite aos estímulos de carícias as indicações morais religiosas a qual escolheram. 

Toda escolha requer sacrifício, e a maior delas no namoro é a luta para não deixar se levar pelo impulso fisiológico. É sempre bom lembrar que o “corpo é burro”. Quem conduz nossas escolhas é o pensamento. Por isto os namorados devem estar sempre trazendo o diálogo sobre as escolhas que fizeram. O impulso é animal, a escolha é humana. 

Namoros tocados à carícias são corpóreos e por isso tendem a ser pegajosos e altamente eróticos. Na construção de um vínculo amoroso tocado apenas à carícias muitas vezes o que sobra é o sofrimento pela cegueira no relacionamento para o conhecimento do outro. Cegueira que impossibilita ver o outro como ele é. Depois vêm os arrependimentos, pois se entrega fisicamente a quem não assumiu de fato compromisso e apenas usou no momento de desejo físico.

Namoros focados apenas em compromissos, tipo “namorou tem que casar...” tendem à rigidez e pouca expressão. Na evolução de vínculo amoroso tornam-se rígidos sem a manifestação das emoções por esta conduzir ao desejo fisiológico. O amor é fogo que arde sem se ver.

Namoros tocados só a carinhos tendem ao platonismo. Ficam na fantasia de amor de príncipe e princesa. Evoluem para um vínculo de castelo encantado e na primeira dificuldade posterior como casal, o castelo desmorona e a fantasia vai por terra.

Namoro que conduz à vínculos duradouros, são os movidos pelo sistema dos carinhos, das carícias e da consciência na qual o casal de namorado escolheu para si. Torna uma relação afetiva saudável por ser resultado de uma escolha madura e não simplesmente imposta.

Quando um casal de namorados evita o contato corporal com uma formação religiosa repressora, acabam aumentando a fantasia da quebra de um limite imposto de fora para dentro, acontecendo o que jamais os outros quisessem que acontecesse mas caem naquilo que eles sempre desejaram que acontecesse , a relação sexual.

A pergunta que não faz calar: “É possível adolescentes fazerem escolhas conscientes tanto para evitar o ato sexual como para escolherem realizar? Há adolescentes e adolescentes, uns amadurecem mais cedo que outros, dependendo da forma de terem sido educados ou das necessidades de sobrevivência. Uns cheios de carências cujo corpo exala necessidades e outros com amplo vínculo de afeto pelos adultos que os cercam. Mas no geral posso dizer que não dá para entregar esta decisão aos adolescentes sem que se estabeleça presença educativa, afetiva e ao mesmo tempo os projetem para uma perspectiva futura. Como já disse Rubem Alves em seu livro “Carta aberta aos pais de adolescentes (    )”, quando lembra os pais que não da para entregar o ovo da vida e da morte numa colher para os adolescentes saírem correndo com a certeza de que o ovo não vai cair.

Porém educação na base fundamentalista, de uma religião não reflexiva e apenas punitiva, é semelhante a colocar os adolescentes em um penhasco e empurrá-los esperando que um anjo da guarda os salvem quando estiverem em queda fulminante.

Encontrar o eixo da consciência é difícil para adultos, imagine para os adolescentes. Neste sentido, o melhor é que os adolescentes tenham muito em que se ocupar na vida, e que o namoro seja mais um item de ocupação, e não o único. 

É sabido que iniciação sexual precoce trás consequências negativas para a vida sexual na fase adulta. Que o sexo pelo sexo na adolescência tem trazido um vertente aumento da depressão juvenil decorrente da sensação do ter sido usado, descartado.  
 


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