A Marta desce das tamancas

Publicado em 04/06/2015

Marta Suplicy, forte nome do PT nacional, com representação no congresso, na administração pública como prefeita de São Paulo e Ministério da Cultura, desce das tamancas e joga na cabeça do PT o salto alto.

Ela que sempre foi muito questionada pelos setores radicais do PT, principalmente os de esquerda mais ideológica, agora vira a mesa e parece cair para a banda de onde realmente sempre foi: Direita. Pelo menos é esta a conotação que o PT resolveu dar para a saída de Marta do partido.

Uma das forças que o PT sempre teve era esta inclusão de classes sociais no quadro de sua liderança, como também a inclusão de diferentes grupos vinculados à diferentes instituições; desde evangélicos, espíritas e católicos até ateus assumidos; desde analfabetos do meio rural, favelados e outros excluídos da humanidade até intelectuais da universidade e empresários. Uma riqueza que fez ao longo dos anos o PT avançar nos diferentes setores da sociedade e com isso chegar onde chegou, à presidência.

Porém, desde a primeira eleição do Lula já havia sérios posicionamentos no partido, enquanto sigla institucional. O PT caiu no fisiologismo eleitoral, aquele onde as alianças seja com quem for, pois o que vale é o poder. Com isso, muitas lideranças com posturas bem definidas e ética política bem delimitadas acabaram ficando insatisfeitas com a condução do partido. Alguns saíram logo cedo, como foi o caso de Plínio de Arruda Sampaio, que ao sair, o PT tentou desqualificar sua liderança colocando-o como “igrejeiro” sem lado definido; também aconteceu com Hélio Bicudo que ao sair foi duramente criticado por ser “amigo da direita”, e muitos outros. Estes saíram na hora certa, pois já previam o fim ou com que fim o PT estaria no poder. O fim de uma sigla que era bem intencionada para um fim: a institucionalização da corrupção.

Por todas as contradições da pessoa de Marta Suplicy em relação à proposta do PT na sua origem, ainda era uma representante com clareza de postura política e bem intencionada. Se ela sai do PT hoje, pode ser porque já pensava em ter saído antes mas acreditava que as coisas poderiam mudar, que os motivos que no passado fizeram-na estar no PT pudessem ser retomados. Mas com certeza ela viu que nada mudaria ou que na verdade tudo pararia. Como Marta Suplicy é uma mulher com identidade e personalidade forte, estar no PT sem identidade tornou-se uma postura inviável.

Agora resta saber se Marta vai encontrar outra sigla na qual tenha alguma identidade num momento onde os partidos no Brasil parecem ter a cara do poder corruptível.
Você viu os saltos das tamancas de Marta Suplicy voando Por ai?





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