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Mãe não tem férias?

Publicado em 31/01/2024


Ao retornar de minhas férias, que sempre tiro no período de 22 de dezembro a 29 ou 30 de janeiro, ao iniciar o processo de remarcar o retorno para o processo analítico, me deparo com a triste realidade de vários pacientes. Especialmente daqueles que, em sua maioria mães, que não podem retornar à análise por conta de estarem cuidando dos filhos que ainda estão no período das férias escolares.


Antes mesmo de tirar as minhas férias, já no início de dezembro, muitas mães, amigas minhas ou que estão em torno do meu trabalho e/ou grupos de estudos, já estavam descabeladas por seus filhos terem entrado de férias enquanto elas estavam trabalhando. E junto desta preocupação, a pergunta: “E agora, com quem deixar as crianças?” Nem todas as mães podem pagar uma empregada e/ou babá. A maioria não tem sequer uma rede de apoio entre parentes e amigos. Fica uma verdadeira “loucura” para tais mães em tempos de férias.


A influência do machismo estrutural


A partir deste ponto, é possível notar que o cenário das férias parece ser uma demanda apenas para as mulheres mães. Ao conversar com homens pais em meu círculo de amigos, trabalho e durante os bate-papos nos espaços de lazer, observo que esta é uma demanda dedicada exclusivamente a elas. Fica a impressão de que estes homens nem têm filhos e tudo indica que esta responsabilidade de pensar e ocupar as crianças nas férias é papel exclusivo das mães. Surge então uma clara percepção do machismo estrutural, quando vemos as demandas das mães em ter que dar conta do trabalho pessoal e da logística do cuidado dos filhos em período de férias escolares.


Lembro do caso de uma paciente empresária cujo marido, também empresário e igualmente dotado da possibilidade de fazer uma carga horária de trabalho diferenciada, nunca se propunha a revezar os cuidados com as crianças nas férias, seja por dias ou turnos. A própria empresária, ao falar de sua rotina nas férias de seus filhos, não percebia o quanto só ela estava envolta nesta demanda. Pude pontuar para ela que seu marido tinha também a possibilidade de revezar esta função, uma vez que é empresário como ela. O interessante é que a paciente teve um insight súbito e, na semana seguinte, chegou toda animada por ter se colocado diante do marido e definido uma escala de cuidados junto dele.


Perceber para reivindicar!


Sei que este machismo estrutural leva também muitas mulheres a não perceberem o quão são escravas deste modelo. De ser delas o legado de cuidar das férias de seus filhos. Mas é necessário que a mulher tenha esta percepção para também identificar o quanto estão presas neste processo patriarcal.


Ao adquirir esta percepção, que mulheres mães podem se colocar diante das empresas que trabalham e solicitar que as férias trabalhistas seja associada às férias escolares, de questionarem também o calendário escolar e de exigirem de seus parceiros, pais de seus filhos e companheiros no exercício parental, a participação nesta tarefa tão árdua de cuidar de filhos em tempos de férias escolares.


Do contrário, o exercício da maternidade passa a ser estressante e enfadonho, levando à interrupção de laços afetivos com seus próprios filhos.


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