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Envelhecimento saudável

Publicado em 07/02/2024

O projeto de envelhecimento é uma realidade que poucos possuem como meta e, por isso, não fazem um planejamento para tal. Fugimos desta realidade por estarmos inseridos numa sociedade na qual a força do trabalho e a produtividade é o que valem. Ser jovem é o caminho e envelhecer é sinônimo de fraqueza, fim de carreira, doença. O idoso no Brasil é visto como um estorvo, tanto para o núcleo familiar quanto para o universo que habita. Reparem nos meios urbanos pelo país, da carência de estrutura para mobilidade do idoso (como a falta de calçadas cidadãs) até a ausência de programas de acolhida e de suporte à saúde fisiológica e emocional deste grupo. Alguns conseguem pagar um plano de saúde, mas boa parte do orçamento familiar vai para a manutenção do plano, que, a cada década após os 60 anos, fica mais caro.

O planejamento para o envelhecimento saudável é para poucos e, desses poucos que possuem recursos financeiros com a suposta possibilidade de terem um envelhecimento saudável, uma parcela substancial acaba não usufruindo dos mesmos. E pior: pensam que o dinheiro vai conseguir adiar o envelhecimento e acabam vivendo como se não fossem idosos. Negam o envelhecimento, buscando fórmulas mágicas em intervenções estéticas ou em franca atividade de lazer. Mas, quando o corpo já não responde a este “esconde-esconde” do envelhecimento, restam os cuidadores profissionais e/ou as casas de acolhidas com valores financeiros astronômicos e total ausência de vínculo afetivo. Desta forma, nem mesmo a existência de condições econômicas devidas favorece a busca pelo envelhecimento saudável.

O envelhecimento incomoda!

Sendo assim, o envelhecimento incomoda. Preferimos fugir desta realidade e vivermos no aqui e no agora. Mas não podemos jamais esquecer de um grande detalhe: o Brasil já está escalonando um perfil populacional envelhecido. Nosso índice de envelhecimento já bateu a casa 55,2 idoso para cada 100 pessoas de 0 a 14 anos segundo dados de 2022, sendo que, em 2010, a proporção era de 30,7, segundo o IBGE.

Mas o que é envelhecer de forma saudável? Para responder esta questão, vou enumerar aqui alguns pontos pertinentes:

1. Saber que vamos envelhecer e entender que isso faz parte da dinâmica do ciclo da vida.

2. É importante se planejar para o envelhecimento, e este processo se dá desde a juventude no cuidado com a saúde física e mental. Na busca por hábitos saudáveis ao longo dos anos, de uma estabilidade fisiológica e emocional. Na juventude, nossos péssimos hábitos e falta de cuidado integral com a saúde criam um múltiplo exponencial na velhice. Brinco que, os hábitos que adquirimos ao longo da vida e que são prejudiciais à saúde física e emocional, multiplicam por dez em intensidade na velhice.

3. É necessário procurar um processo de autoconhecimento antes mesmo da entrada na velhice, para elaborar questões emocionais decorrentes da história pessoal a fim de que não se transformem em uma batalha emocional interna na fase idosa. Você já deve ter presenciado idosos que, no passado, eram super praticantes de religião e tinham uma postura dócil e caridosa, e, quando chegam na velhice, se revelam amargos, preconceituosos e/ou agressivos. Pois bem, o perfil real da pessoa estava reprimido na prática religiosa. Vejam o quanto os cuidadores de idosos são atacados moralmente e fisicamente por aqueles a quem cuidam.

4. Aprenda a ter tempo ocioso, parado, sem atividades organizativas e/ou profissionais, pois, se deixar para articular este tempo quando a velhice chegar, não saberá como lidar com ele. Uma boa leitura, o ato de ouvir uma boa música ou estar simplesmente parado por um tempo num canto tranquilo já são grandes exercícios que podem ajudar a encarar a velhice quando ela chegar visto que, na velhice, haverá perdas físicas que limitarão as ações que requerem atividades dinâmicas.

Só vai viajar na velhice quem aprendeu a viajar ao longo da vida.

Só vai viver a velhice saudável quem na velhice possuir projetos para desenvolver.

Só vai ter pessoas ao seu redor na velhice quem soube cultivar afetivamente boas amizades ao seu redor ao longo da vida.

O planejamento do envelhecimento é uma questão social 

Até o planejamento financeiro, pensando na velhice, passa pelo cuidado em como se gasta o que se ganha. Porém, este item no Brasil é para poucos, que conseguiram fazer reserva econômica e/ou tiveram uma trajetória de trabalho que possibilitou uma aposentadoria. Neste sentido, sabemos que a assistência aos idosos precisa ser uma estratégia de governos. É uma demanda pública e universal. Do contrário, também começaremos a ver uma multidão de idosos tornarem-se moradores de rua, abandonados pelo sistema e renegados pela sociedade. O planejamento do envelhecimento também é uma demanda das gestões públicas e uma questão social, não apenas uma preocupação pessoal.

Enfim, o bom começo para o seu planejamento à velhice se dá ao fazer uma pergunta simples, porém crucial: Quantos anos desejo viver? Daí deriva todos os próximos passos.

A verdade é que, no ciclo humano da vida, a velhice chega como um avião a jato. Não espere a sua velhice chegar para começar a pensar nela.


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