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Casais homoafetivos procuram terapia conjugal?

Publicado em 14/05/2024

Esta é uma pergunta que muitos me fazem e que vem carregada de preconceitos, como se a relação conjugal homoafetiva fosse algo de outro mundo, uma vez que quebra com os padrões tradicionais da sociedade que reconhece como padrão a relação conjugal heteroafetiva.


Na perspectiva de casal, podemos afirmar que os vínculos que se dão no processo dum romance conjugal são os mesmos, seja em uma relação homo ou heteroafetiva. Se entendemos que o processo que se estabelece em uma construção amorosa conjugal passa pela via da escolha de corpos e de identificações libidinosas, o vínculo afetivo que se estabelece a partir deste encontro é que vai configurar as identificações que se conecta nas semelhanças e no traço de desejos, das buscas de cada um, assim como identificações sócio/culturais que fazem conectar a força de estar juntos. Não porque separar ou achar que tal processo é exclusividade dos heterossexuais, uma vez que pertence ao ser humano que se configura em uma estrutura libidinosa que engendra o desejo do encontro, de amar e ser amado nas configurações afetivas.


Diante destas prerrogativas, a psicoterapia nas relações homoafetivas se estabelecerá também no processo de identificação da história do vínculo amoroso (do encontro e encontrar-se). Deixar emergir os conflitos naturais destes encontros e que, ao longo do relacionamento, provocam a necessidade do casal de procurar uma psicoterapia conjugal. Levar ambas as partes ao conhecimento mútuo (histórias pessoais, comportamentos diferenciados, hábitos) para que cada lado possa entender como o outro é de fato, e não o que se deseja que fosse. No entanto, é óbvio que há algumas dificuldades neste processo, como listadas abaixo:


1. A referência histórica na cultura brasileira é de padrão comportamental conjugal hétero. Os membros dum casal homoafetivo recorrentemente são frutos da criação de pais que viveram um relacionamento heteroafetivo, dentro de um modelo pai/mãe/filhos. Há pouco histórico de referências para o casal homoafetivo.


2. Há uma sociedade conservadora regrada no modelo conjugal hetero, patriarcal e de padrão familiar tradicional. Assim, os casais homoafetivos recebem uma pressão coletiva negativa e de forte carga homofóbica.


3. O processo dos casais homoafetivos foi, há pouco tempo, assumido de forma mais clara e espontânea, tendo o casamento e/ou relacionamento publicamente externado. No entanto, tendo ainda uma gama alta de casais com pouco tempo de vida a dois e em busca de ajuda terapêutica, nos deparamos com indivíduos carentes das respostas mais eficazes que relacionamentos com maior tempo de convivência podem trazer, visto que estes já estão imbuídos de percepções de vínculos melhor estabelecidas. Num relacionamento recente, ainda não há forças de vínculo estruturantes, fazendo emergir mais os fatores de um encontro focado no processo de enamoramento e do jogo das paixões. Sendo assim, podemos colaborar no processo psicoterapêutico ao levar o casal à percepção da escolha e dos motivos que podem favorecer o casal construir ou não o relacionamento no longo prazo.


A vantagem da resolução de conflitos conjugais dentro de um processo de psicoterapia com um profissional devidamente qualificado e regulamentado para tal é que o casal pode estabelecer, ou restabelecer, o que o conflito dissipou a partir do diálogo. O processo de sofrimento diminui e a possibilidade de reencontro amoroso e/ou uma separação amigável se torna muito mais possível.


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