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O TOC e a Religião

Publicado em 28/05/2024

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é um dentre os transtornos comportamentais que muito incomodam as pessoas, visto que seu principal sintoma se estabelece em uma repetição angustiante em torno de ações aparentemente prosaicas, tanto aos olhos de quem as percebe quanto no próprio sujeito. Desde o incômodo de passar por debaixo de uma escada ou voltar para a cama ao perceber que não se levantou com o pé direito, até casos mais complexos, nos quais o sintoma pode machucar o indivíduo ou impedi-lo de realizar funções. Uma das características do TOC é levar a pessoa a se culpar por algo que deixou de repetir e, com isso, deixou de conquistar. Por exemplo: O sujeito está diante de uma prova e, se não fizer um processo repetitivo antes, vai se culpar e martirizar depois, vindo a imaginar um resultado ruim na prova como castigo.


Este transtorno, popularizado no Brasil pelo cantor Roberto Carlos (o qual recorrentemente o TOC em seus shows), inclusive leva muitos a pensarem que são portadores desta condição por quaisquer hábitos repetitivos que venham a observar. No entanto, a instauração de hábitos obsessivos se dá, em sua maioria, com pessoas movidas pela culpa, as quais desenvolvem tal transtorno e os comportamentos resultantes em decorrência da percepção dos próprios erros.


Como se dá a relação do TOC com a religião?


Da mesma forma, outro aspecto que também pode fixar a obsessão é uma educação rígida, pautada na necessidade de sempre acertar no que faz. A pessoa que vive em busca da perfeição, seja nas condutas pessoais do cotidiano e/ou no exercício profissional. E é a partir destes três elementos (apego a rituais, sentimento de culpa e busca rígida pela perfeição) que se dá a relação do TOC com a religião.


As religiões são estruturadas por rituais que se repetem e, desta forma, a prática religiosa pode desenvolver o apego a rituais para que algo dê resultado, como, por exemplo, uma reza repetitiva antes de uma prova e/ou uma oferenda para um objetivo específico. Sabemos que não é a religião em si que vai determinar estes apegos a ritos, mas pessoas com estruturas psíquicas propensas a utilizá-los como meio obsessivo.


As religiões tendem a criar uma busca pela perfeição na relação com o Ser Superior determinada como central (vide a figura de Cristo no cristianismo). Assim, o praticante, caso portador de uma estrutura psíquica com alguma tendência sintomatológica, tenderá a se apegar na prática religiosa com rigidez para buscar a perfeição e/ou atingir o nível de conduta da divindade a qual segue.


Pela culpa, muitas religiões doutrinam seus seguidores, como visto nos sete pecados capitais temidos pelos praticantes do catolicismo ou nos mandamentos de Moisés seguidos no judaísmo e nas religiões cristãs. Assim, pela religião, o sujeito pode estar permanentemente se culpando pelos seus atos distorcidos em relação à doutrina que segue e se orienta. O eterno pecador vive num ciclo de culpabilização.


Desta forma, as ritualísticas e busca de purificação e/ou santidade que estão contidos na religião podem ser prato cheio para que o TOC se instaure.

Podemos enumerar algumas práticas religiosas que podem induzir ao TOC:


? As que acentuam a moral rígida;

? Que induz o sujeito a nunca poder errar;

? Noção de pecado e de céu e inferno ou de ser retribuído com recompensas, tipo a prosperidade na Terra e no Céu;

? Rigor no cumprimento dos rituais;


Mas também podemos enumerar algumas práticas religiosas que não induzem ao estabelecimento do TOC:


? Construção da por consciência e escolha pessoal;

? Que não julga e não condena;

? Exorta a prática do amor ao próximo pelo princípio da Solidariedade;

? Por uma prática com entendimento e aprofundamento da doutrina e da história da religião praticada;

? A condução para a prática religiosa por autonomia e não por dependência ao líder religioso.


Diante do colocado, agora é necessário observar se, na sua prática religiosa, você pode estar sendo conduzido ao comportamento do TOC ou se, por ter a tendência ao TOC, está buscando na religião um meio de se esconder deste sintoma ou escondê-lo.


Líderes religiosos mal-intencionados, de qualquer que seja a prática religiosa, gostam muito de fiéis patológicos para controlá-los e terem benefícios sobre eles, principalmente quando estes fiéis estão na religião em busca de uma cura.


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