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A depressão pode chegar após o carnaval?

Publicado em 05/03/2025

Carnaval é tempo de colocar as repressões do cotidiano para passear. Tempo de abrir as grades que encadeiam nossas fantasias para fantasiar na rua. Tempo de afrouxar o autocontrole ou, como denomina a psicanálise freudiana, de soltar o supereu ou superego, o qual normatiza e nos enquadra por fatores morais, civis, religiosos e econômicos, mas também por castas, classes sociais e até gênero e/ou raça. É tempo de se destravar e, com essa expectativa, o Carnaval chega como se fosse um remédio para muitos.  

Mas, para outros tantos, pode representar uma afronta. Uma ameaça que, em vez de libertar, leva a fugir para o lugar mais escondido possível. 

Quando falamos em Carnaval, muitas vezes temos a falsa ideia de que é uma festa em que todos entram. Mas, se observarmos com uma boa lente de aproximação, veremos que há mais pessoas que não participam do Carnaval do que o contrário. É lógico que, pelas lentes da mídia, onde o foco são as multidões nas grandes cidades, parece que todos saem para pular o Carnaval. Mas, quando aprofundamos esse olhar, percebemos que, na maioria das cidades brasileiras, a vida segue pacata, como se o Carnaval sequer estivesse acontecendo. Restam apenas as imagens da grande mídia, que, ano após ano, repetem sempre o mesmo. Eu mesmo não consigo acompanhar o Carnaval pela TV ou, agora, pelos canais do YouTube, por achar repetitivo, enfadonho e pelas reportagens estarem sempre nos mesmos lugares. O que atrai são as notícias bizarras, crimes e conflitos que dão uma pitada de emoção ao telespectador. 

A promessa de alegria… e o que vem depois?

Mas o Carnaval é uma marca da alegria e, junto dele, vem a possibilidade daquele sentimento de depressão ter desaparecido e, quem sabe, até ter sido curado. Aquela depressão que  habitava a alma, mas não queria ser vista nem revelada, poderia, na expectativa da alegria do  Carnaval, finalmente se dissolver. 

No entanto, a depressão pode bater à porta com força após o Carnaval. E então surge a pergunta: Por quê? Seguem abaixo algumas premissas para tal: 

  • Se houve um mergulho na fantasia para expressar alegria e, logo em seguida, um retorno à realidade. Pior ainda: Se, na Quarta-feira de Cinzas, o sermão do padre for condenatório e chamar à penitência - pois a Quaresma é mais vendida como sacrifício, culpa e sofrimento - a depressão chega arrombando a porta. 
  • Se houve o festejo à base de bebida alcoólica e/ou substâncias psicoativas e, no pós-uso destas (que liberam o reprimido), houver alterações na estrutura neurológica, causando disfuncionalidades que acompanham o quadro depressivo. 
  • Se muitos que só viram o Carnaval passar pela TV curtiram a solidão e, se não tiveram  condições de participar, sentiram frustração. Pior ainda quando aqueles que ficaram se deparam com os que voltam eufóricos por terem vivenciado a festa. 
  • Se houve um gasto financeiro além da conta, trazendo um saldo negativo que gera depressão. 
  • Se a Quaresma for uma referência religiosa seguida apenas por tradição, sem conhecimento ou consciência, a depressão pode vir à tona por culpa, tristeza e pelo sentimento de precisar ser melhor. 

Por final, se a depressão pós-Carnaval insistir ou revelar um processo já instaurado que não foi tratado porque se acreditou que passaria com a festa, é necessário buscar ajuda psicológica. Se ficar esperando o próximo Carnaval chegar, a depressão pode se incorporar como estrutura emocional.


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