A profecia de Drummond

Publicado em 02/10/2015

A profecia  de Drummond


    A arte pela arte, é instrumento de domínio político. É jogo de poder.
    Pão e circo já eram recursos dos romanos para iludir a plebe sobre as “falcatruas” do império. Com o circo os artistas.
    A arte contextualizada é instrumento de poder partilhado. Leva à busca da dignidade e desperta a sociedade do sono de alienação coletiva. Desta arte podemos ter a construção da cultura, que se estabelece no maior patrimônio de uma nação. Daí podermos imaginar quem veio primeiro? A arte ou a cultura. Aquela constrói a cultura, ou esta forja a arte?
    Não aprecio muito a arte pela arte, meus ouvidos doem ao ouvir alguma musica “brega...”; ou um teatro de idiotices e pior ainda uma poesia desconectada e metricamente melosa.
    Aprecio muito uma música de qualidade como a nobre MBP, ou um Sertanejo de raiz ( a música caipira); o teatro que faz a gente sair da plateia com a “pulga atrás da orelha”; aquela poesia que não sai da alma.
    E falando em poesia, é sempre bom lembrar de Carlos Drummond de Andrade, o mineiro de Itabira, que na década de 30, no poema “Elegia 1938”, poetiza com um tom de profecia - condição da arte contextualizada –. Quando estava Drummond em plena rebeldia com a instituição capitalista inserido num movimento  histórico coletiva, escreve em “Elegia 1938”: “... porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de  Manhattan...”. Pasmem, que no século 21, seu início se dá com a destruição das torres do World Trad Center.
    Lógico que esta visão não surge do nada. Mas sim de um artista/poeta inserido na sua realidade e com um profundo sentimento de humanidade, que ao traduzir o cotidiano em trocadilhos de beleza, antecipa-se ao que o senso comum não consegue alcançar. Drummond, com sua poesia vai além do tempo para denunciar a inviabilidade da concentração de renda nas mãos de tão poucos em detrimento à milhões de habitantes do planeta e ao mesmo tempo anunciar a inevitável queda dos poderosos.
    A arte contextualizada é sem dúvida alguma uma proteção poderosa para a alma.  
      


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