Era uma vez Rosinha

Publicado em 30/10/2015

Era uma vez Rosinha 

Este texto refletirá sobre a dor por escolhas que conduzem à morte, provocadas por induções preconceituosas e disputa de classes.

Senhor Maneco, operário de uma metalurgia média, cujo patrão religioso Cristão com séria dificuldade administrativa  não gostava de pagar justamente seus funcionários era casado com dona Flôr, mulher trabalhadora, lavadeira, e muito dedicada à sua filha Rosinha. Esta, uma adolescente encantadora, cuja educação que recebeu dos pais a transformou em uma liderança de sua comunidade religiosa. Dona Flôr e Sr. Maneco, viviam um matrimônio com muita felicidade, tementes a Deus, conduziram a educação de Rosinha com muito zelo, e o resultado  desta educação era visível pois Rosinha era feliz e rodeada de amigos.
 
Mas a vida levou Sr. Maneco em um acidente de trabalho. Dona Flôr, viúva e com muita dor, teve que assumir a educação de Rosinha, tanto na condução espiritual como educacional e financeira, pois Rosinha entregou-se à depressão, afastou-se da Igreja e amigos e passou a criticar Deus:  “-Por que Ele foi ingrato conosco. Deu-nos a alegria de vivermos em família e agora tira o grande valor de minha vida”. Reflexão esta, até comum para uma adolescente cuja fé ainda estava em construção. Entristecida em uma praça, conheceu Bebeto, jovem sarado, bem cuidado e educado.

Ao observar aquela linda moça triste em um banco da praça, aproxima-se, estabelece um diálogo de acolhida e cativa Rosinha. Em poucos dias Rosinha lá estava apaixonada. Recupera seu brilho e volta a colocar sentido em sua vida. Recebia muitos presentes de Bebeto. Dona Flôr, feliz da vida com “o presente de Deus” para sua filha, ao conhecer Bebeto, ficou entusiasmadíssima: “- Acho que Deus reservou um presente para recompensar a minha querida Rosinha”.

Em uma bela noite, dia dos namorados, Bebeto chega com o belo carro do pai com o convite a Rosinha de comemorarem em um motel, com direito a jantar e tudo mais: "- Meu pai ofereceu-nos este pacote para comemorarmos". Rosinha não pensou duas vezes, pois já estava esperando pela oportunidade de ter a primeira relação sexual, se entregaria a Bebeto pois sua vida tinha retomado seu encanto. A vida de Rosinha passou a ser um constante pensar em Bebeto.

Quando  parecia que Rosinha poderia pensar em casamento, mesmo nova e sem estar estudando, observa alterações fisiológicas semelhantes a sintomas de gravidez. “Tiro e queda”, primeira noite, única relação, gravidez! Parecia outra ironia do destino, mas o fato é que adolescentes caem nesta trama da fertilidade, que sem conhecerem, acreditam que é impossível de acontecer com elas. Ao anunciar o fato para seu príncipe Bebeto, pois era assim que sua mãe comentava, Rosinha se deparou com o semblante de decepção de Bebeto. É como se tivessem tirado o chão de seus pés. Rosinha tinha certeza que ao dar a notícia a Bebeto,  ficaria super entusiasmado, pois  ele já havia comentado que desejaria casar logo e ter um filho dela.

Movido pela pressão dos pais, Bebeto solicitou que Rosinha abortasse, pois seus pais eram membros de uma Igreja Cristã e participavam de um clube de serviços sociais na cidade, o que levaria o episódio a um escândalo. Bebeto ofereceu dinheiro e convenceu Rosinha a executar o aborto em uma clínica clandestina. “- Depois, nós vamos continuar nosso namoro”, afirmara Bebeto. "Eu tenho que me formar primeiro. Mas fique tranquila porque te amo”, declarou Bebeto à Rosinha, que ficou consolada. 

Dona Flôr precisava ver a filha que  há dois dias não dava  um sinal. Ela estava preocupada com o namoro, pois descobriu que Bebeto era filho do patrão de Sr. Maneco. O advogado trabalhista que estava gerenciando a ação contra a empresa que vitimizou Sr. Maneco à morte, informou sobre este detalhe. O patrão não queria pagar às custas trabalhistas, e pior, não estava depositando os impostos trabalhistas de Sr. Maneco. Segundo o Advogado, este patrão era famoso na região por não respeitar direitos trabalhistas, mas ninguém tinha coragem de denunciá-lo, por que era muito poderoso.

Um telefonema invade a residência de Dona Flôr, que desesperada, recebe a notícia de Bebeto que Rosinha estava morta. “- Ela não resistiu ao aborto, a estrutura do local era muito precária.” Falou Bebeto. Em prantos, Dona Flôr pensou: “ - Maneco, a roseira que cultivamos gerou Rosinha… que se despedaçou”.


Esta estória não poderá ser transportada para a história, principalmente porque estes fatos nunca acontecerão… pois isso não passa de uma ficção.



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