Os limites entre o desejo e o corpo

Publicado em 17/01/2016


Somos movidos por desejos. Desejamos muito. Somos uma espécie desejante.

Desejamos rodar o mundo, e inventamos a roda. Desejamos voar, e Ícaro voou até suas asas queimarem pelo sol, até que um dia inventamos o avião.

Desejamos a eternidade, assim inventamos as religiões que não nos deixam morrer. Umas ressuscitam outras reencarnam, enfim, criamos um mecanismo mental que nos dá a ilusão da eternidade. Mas nesta fantasia religiosa, é preciso haver a morte. Só se vai ao paraíso ou se reencarna se houver a morte corporal.

É esta morte corporal que nos deixa apavorados. É aí que mora nosso limite. Onde nosso desejo se limita . Desejamos a eternidade, mas precisamos morrer para chegar a ela. Assim é nossa existência. A cada minuto perdemos 100 mil células de nosso organismo, e ao mesmo tempo produzimos outras 100 mil células, por isso somos um ser sexuado, em pleno processo de reprodução. Mas no órgão do corpo que não  há a reprodução celular, o equilíbrio entre as células que nascem e morrem, prevalecendo a quantidade das que morrem, teremos a instauração do processo cancerígeno.

Muitos jovens estão habituando-se a dormirem bem tarde da noite por conta dos jogos eletrônicos, ou redes sociais, muitos por filmes ou séries cinematográficas.  Os jovens dizem que dormir cedo é coisa de velho. Mas na verdade, quem começa a ter insônia são os idosos. É normal haver uma diminuição do sono quando se chega na velhice. O corpo já não vai precisando de tantas horas noturnas para ser limpo pelas enzimas. Quando criança em torno de 10 a 12 horas noturnas, depois na juventude e vida adulta,  8 horas noturna para o corpo receber a  faxina das enzimas. Já na velhice pode ser por volta de 6 a 4 horas noturnas. 
 
Desejamos conquistar o mundo, e ao mesmo tempo delirar no cotidiano, por isso inventamos as bebidas alcoólicas, as drogas alucinógenas, como forma de lazer e descontração. Porém o corpo cria dependências e a alma também. Assim, a liberdade do delírio e a fantasia do lazer descompromissados , geram também as mazelas  da dependência química. O corpo possui uma maestria de complexidade altamente estruturada e que funciona perfeitamente numa biodinâmica inquestionável. Mas se nesta engrenagem uma escolha de procedimento quebrar o ritmo natural que o corpo precisa,  tudo começa a desandar. As doenças começam a aparecer. Assim, se desejo ser boêmio, conseguirei ser por um tempo, muito curto. Conheço pessoas que sempre fumaram, beberam bebida alcoólica e dormiram sempre tarde e  vivem por longos anos. Estes são a exceção da regra.  

Neste dias a grande mídia ficou chocada com a morte de uma miss de um estado brasileiro que morreu por injetar produtos veterinários para manter suas pernas bem malhadas. Uma beleza cultivada pelo desejo da eterna beleza perfeita que se esbarrou no limite do que seu corpo aguentou de fato. Em breve , este corpo atingirá uma estabilidade fenomenal na forma de caveira. Aí sim, durará por muitos anos.

O melhor é tentar buscar mecanismos para lidar com nossos limites humanos diante de nossos desejos que são de estruturas emocionais. Infeliz é  a pessoa que não deseja, pois somos uma espécie que deseja, por sermos movidos por forças psíquicas . Mas é preciso contextualizar o desejo na nossa realidade cotidiana. Se não, morreremos antes de vermos nossos desejos realizarem.


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