O PRÉ VESTIBULANDO ENGANADO

Publicado em 07/02/2016


Partindo do princípio que educação não é mercadoria, temos os cursinhos pré-vestibulares como um escândalo mercadológico dentro de nosso Brasil onde os governos, estaduais e Federal, abandonaram a educação, ou melhor, nunca deram foco para ela, e com isso os cursinhos cresceram para suprir a ausência do estado. A questão é: Se existe o SISU para facilitar as inscrições dos alunos candidatos a uma vaga na Universidade pública, por que os cursinhos privados?

Existe, há algum tempo, no Governo Federal uma proposta interessante de aumentar o número de jovens que estudam nas escolas públicas de segundo grau na universidade pública. Mas ao mesmo tempo atrela a nota do sistema que mede este processo, ENEM,  a outros processos, como o financiamento do ensino superior para instituições privadas pelo FIES e as bolsas para alunos de escolas públicas em escolas superiores privadas pelo PROUNI. Tudo atrelado ao ENEM. Assim, aquilo que era uma proposta de inclusão do cidadão trabalhador na universidade pública, se transforma em um sistema retroalimentar do mercantilismo educacional. 

Quem sai ganhando com tudo isso é o setor privado educacional. Cursinhos crescem em cidades grandes e pequenas deste país. Faculdades particulares de baixo nível educacional se espalham como "tiririca" pela grama. E os alunos de pré-vestibulares ficam vítimas de uma logística que aparenta oferecer o melhor conteúdo aos alunos,  mas no final só oferecem baboseiras da seguinte forma:

1) O cursinho bom é aquele que o aluno estuda o tempo integral. Resultado desta fórmula é a não potencialização do aluno em estudar sozinho. Passa quase todo o ano letivo dependente de um professor papagaio que  repete conteúdos, piadas sem graça e fórmulas encantadas. Mas na hora do vestibular, ou do ENEM, o aluno está apenas com ele mesmo, mas habituado a receber um conteúdo pronto, do professor. Resultado, é o aumento da ansiedade.

2) O aluno é torturado todo  ano com a noção de que está competindo contra um batalhão de candidatos. Este estímulo negativo gera ansiedade no aluno que tende a desenvolver a ideia de que há outros melhores do que ele. Mas na verdade o aluno compete com ele mesmo. Se tirar uma média acima de 750 no ENEM estará dentro de uma Universidade Pública com certeza, e se for para medicina, acima de 830 está com muita chance de entrar. Lembro de uma jovem que fez terapia comigo no período de pré-vestibular para  o curso de medicina, ela havia tirado 780 no ano anterior e não teve êxito no vestibular. Mas no ano seguinte, quando me   procurou, refleti que ela só precisava de pelo menos mais 50 pontos. Demorou entender que a luta era com ela mesma, pois no seu cursinho, torturavam os alunos com o método comparativo.

3) Vendem a ideia que o melhor é estudar questões que já caíram em vestibulares passados. Esta praga já chegou ao ensino fundamental. Mas com isso iludem o aluno que o certo é saber resolver questões mais do que dominar conteúdo. Incentivam os alunos a viverem apegados ao que já foi. Assim, ao se deparar com questões com estruturas que nunca havia treinado, na hora da prova o aluno entra em desespero. Porém, o melhor caminho é conduzir o aluno ao domínio de conteúdo. Outro aluno que monitorei, após estar no quinto período de engenharia de computação em uma universidade federal, tentou medir seu desempenho no ENEM. Sem ter estudado nada para o ENEM, este jovem tirou a nota 780. No vestibular que havia passado para a engenharia três anos atrás, após um ano de cursinho, tirara 620 pontos. A diferença é que na Universidade o aluno estava dominando com muita facilidade conteúdos de ciências naturais e exatas, principalmente pelas várias dependências em cálculos e física que  o levou  a buscar entender melhor a dinâmica dos números. Disse que neste vestibular de mera avaliação pessoal, havia quase que fechado as disciplinas de exatas.

4) A redação é outra falácia dos cursinhos pré-vestibulares. Uma jovem me disse que no seu cursinho ia muito mal nas avaliações de redação, suas notas eram sempre próxima de 50%. Mas seu professor de redação tinha um cursinho de redação paralelo próprio, e se inscreveu neste. Quando ela fazia estas aulas, suas notas atingiam 80%. Assim ela voltava a fazer as aulas só no cursinho e a suas notas caiam novamente. Ela só não havia identificado que este professor estava fazendo uma bela jogada de caça níquel. Quando esta aluna estudava na escola pública, no ENEM sua redação chegou a 900. Mas nesta época ela lia muitos livros, e com a carga cheia de horas e aulas do cursinho, ela parou de ler livros bons. Redação boa só faz quem lê muito e escreve bastante. Não tem segredos.

Enfim, a sociedade já entendeu que o governo não estabeleceu um critério de tempo para o aluno prestar vestibular dentro das cotas públicas. Se ele sempre estudou em escola pública, depois pode passar anos em um cursinho para entrar na universidade. Ele deixa de ser um aluno puro de escola pública e passa a ser um papagaio da rede privada. Este processo, desta forma, torna-se uma falácia.
O direito às cotas públicas deveria valer para o ENEM do mesmo ano do término do ensino médio. Mas parece que esta fórmula pública está favorecendo no final o sistema mercantilista privado da educação.

Fique de olho nestas artimanhas. Os cursinhos vendem publicidade dos que foram aprovados apenas para maquiar interesses, mas na verdade eles adoram os alunos que não passam no vestibular, pois são candidatos a serem clientes do cursinho novamente.





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