O menino que virou homem - Sobre a primeira ejaculação

Publicado em 13/04/2016

Imagine um garoto de sete anos, tendo em seu quarto uma tv, com sistema de canal aberto. À noite, quando seus queridos pais estão dormindo, ele liga o aparelho e começa a clicar no controle remoto, até se deparar com programas sexuais de canais que após a meia noite estão contaminados de filmes pornográficos. Ano após ano, o menino bem precocemente começa a prática da masturbação. Não aguenta, pois está com a mente impregnada de cenas sexuais. Projeta-se no futuro na perspectiva de virar homem, para poder com muita virilidade apoderar-se de uma mulher e dar vazão para seu gozo genital.

Sem perceber, os pais autorizam esta prática televisiva, pois em momento algum se preocuparam de ver o que o filho estava assistindo. Uma preocupação os pais tinham, o menino estava cada dia mais ansioso, a escola alertando que nas primeiras aulas da manhã só dormia e seu vocabulário era com muito conteúdo sexual. Com doze anos começa a  ejacular, mas para conseguir esta proeza, precisava de muita prática da masturbação. Não podia ver meninas de saia curta, logo ficava excitado, tipo “cara de tarado”.

Ao começar a ejacular, imaginou-se homem, capaz de conduzir seus pensamentos. Investiu pesado na busca de atividade sexual, até que um dia,  já aos treze anos realizou seu maior sonho, a primeira relação sexual. Na sua cama, em uma tarde de domingo, com os pais em casa  assistindo televisão. Virou realmente homem, e nenhuma regra conseguia aceitar. Seu desempenho educacional já amargava duas repetências e desesperados os pais chegam para um processo psicodiagnóstico.

Ser homem nesta identidade construída por este jovem, desde sua infância, com autorização dos pais, estava associado com o poder da virilidade e com a capacidade de pegar uma mulher. Um sonho que ao se cruzar com a realidade caiu no vazio de que só têm o desejo fantasioso, mas não possui estrutura para sustentá-lo. Na nossa cultura, ser homem é poder provar a força do genital. Virar homem e sentir que a virilidade é realizada no gozo genital, na ejaculação. E eles continuam acreditando que a honra de um homem está no tamanho de um pênis e na capacidade de pegar o maior número de mulheres para uma relação sexual. Mas os sucessivos fracassos, principalmente o escolar, vão provando que este caminho é a sustentação de um falso self. Não basta ejacular para dizer que já se é homem.

A indústria pornográfica investe a cada dia na perspectiva de seduzir o público masculino para a genitalização do sexo. Tanto que atualmente o mercado de filmes pornográficos aumentou absurdamente, principalmente com as redes sociais e a facilidade de encontrar um vídeo pornográfico. Antigamente via-se este mercado nas salas de cinemas espalhadas pelo interior do Brasil. Os cinemas fecharam e a internet chegou. Homens enviam filmes pornográficos nos seus grupos de redes sociais, e cada dia mais se tornam compulsivos na prática da masturbação. A dependência masturbatória é fixada na faixa etária de 14 à 30 anos com um comportamento que dificulta o homem a pontuar prazer sexual pelo encontro amoroso com sua parceira, pois o cérebro está codificado a ser estimulado a pontuar o prazer apenas na forma apresentada  pelos filmes pornô.

Assim como é necessário adiar a entrada do jovem na bebida alcoólica, pois este pode se pré dispor a tornar-se alcoólatra numa projeção de cinco para um, também no campo da formação dos hábitos da sexualidade  será necessário os pais colocarem limites no acesso prematuro aos filmes pornográficos. Do contrário veremos cada vez mais o público masculino pontuando o fracasso sexual pelas disfunções sexuais, tanto pela ejaculação precoce como pela disfunção erétil.
 


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