Brincadeira sexual infantil

Publicado em 14/04/2016

     É comum professores ficarem desesperados quando presenciam cenas de crianças na escola brincando de relação sexual ou tentando desvendar as intimidades do sexo oposto. Geralmente o maior índice de preocupação está na pré-escola, exatamente na fase do desenvolvimento infantil que as crianças estão descobrindo a genitalidade. Dos 4 a 6 anos de idade aproximadamente, meninos e meninas começam a ter maior interesse sobre as tramas amorosas dos pais e transferem isto para as brincadeiras infantis. Nas brincadeiras de papai e mamãe, titio e titia, médico paciente que elas vão elaborando a vivencia do sexo oposto nas suas diferenças. Não é a toa que elas tendem a  insistir com os pais em dormir junto deles, e morrem de ciúmes quando os mesmos estão manifestando carinho um pelo outro. Vivenciei essa situação  no desenvolvimento dos meus três filhos. Sem exceção, os três quando presenciavam eu e Celina se beijando, ficavam  envergonhados e colocavam a mão na boca. Quando viajava, parece que era uma  conquista poder dormir na cama junto com a mãe, e a disputa era enorme.

     Quando entendemos esta trama do conhecimento infantil em torno da sexualidade, conseguimos lidar com mais tranqüilidade sobre muitas cenas que passamos a presenciar, principalmente quando temos muito contato com crianças de 4 a 6 anos. O entendimento passa primeiro em saber lidar com as situações. Se um professor de pré-escola se assusta com uma cena presenciada de um menino simulando um ato sexual com outro menino no banheiro da escola, o primeiro passo é entender que aquela cena é possível de acontecer, e que de fato ali não está acontecendo um ato sexual,  ali não há crianças  pervertidas. Ver que o campo de interesse sexual das crianças não está na mesma ordem das preocupações dos adultos. Na criança, a sexualidade é exploratória, é conhecimento, é transferência e repetição do entendimento que elas fazem do mundo dos adultos. Se olharmos com o olhar de adulto, logo vamos imaginar besteiras. O segundo passo é saber o porquê as crianças ficam muito interessadas neta descoberta.

      Ficam pelo fato de conhecerem o mundo a partir da experiência do próprio corpo. Há um órgão genital na menina e no menino que se apresenta sensível em relação a outras partes do corpo e que pontua excitação, e isso ocorre desde bebê. Também as crianças começam a entender o mundo pelas relações entre terceiros. Sai de seu mundo e entra no mundo do outro, e faz este processo através do que percebe no vínculo afetivo com seus pais, por isso desenvolvem uma atenção sobre os hábitos amorosos dos pais e tentam reproduzir nas suas brincadeiras com seus amiguinhos. Sempre alerto aos pais que a primeira namorada e primeiro namorado são os próprios pais, na relação com o sexo oposto. Porém entre as crianças esta percepção vai acontecer pela brincadeira, onde passa a entender sobre os vínculos, primeiro transferindo no brincar. Não há conotação erótica no brincar sexual infantil, como acontece entre adolescentes e adultos.

     Quando os pais se dobram à necessidade de controle dos filhos pequenos para quererem a exclusividade de atenção separando o casal do encontro amoroso; quando professores descabelam quando encontram cenas nas escolas de crianças brincando de fazer sexo ou explorando a genitalidade alheia; estamos nos deparando com adultos que precisam abrir os horizontes de entendimento para o mundo infantil.

 


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