O mundo do bebê

Publicado em 20/04/2016

     Em que sintonia uma criança na fase do primeiro ano de vida se encontra?

   Doze meses não podem ser considerados com uma régua onde cada mês fosse considerado igual ao outro. A evolução do bebê se dá na medida de seu desenvolvimento biológico. Contínua será sua dependência mas de forma diferenciada. A cada mês será uma surpresa no seu desenvolvimento.

     Logo no primeiro mês a mãe está inscrita nele. Pelo seios ele é a mãe e a mãe é ele, O mundo está para suas necessidades fisiológicas. Comer (mamar), dormir, e esperar sempre um colo caloroso. Muitas vezes os adultos ao redor ficam pensando que  o bebê sorri para eles quando aproximam-se do seu rosto. Mas na verdade o sorriso do primeiro mês é um estimulo visual sem nenhuma percepção por parte do bebê de que há um terceiro na relação, ele está no mundo dele, é o que chamamos de narcisismos primário tão necessário para a estruturação de seu self. Noites e dias se misturam e por isto a mãe deverá estar em constante presença, sabendo que a qualquer momento o bebê a solicitará. Mente quem diz que uma mãe não precise de licença maternidade. Ainda bem que as empresas estão olhando para esta necessidade de forma menos mercantilista. Sabemos que quando uma trabalhadora é respeitada em sua maternidade, ela retorna ao trabalho com mais vigor e com mais fidelização à empresa. Valorizada, retribuirá à empresa com serviço de qualidade.
 
     Muito afeto e paciência são necessários neste momento, como também um ambiente de tranquilidade e silêncio. A fragilidade do bebê pode incomodar muitas mães, pois despertam nelas medos, de perder a criança ou mesmo se elas estão satisfazendo a necessidade do filho. Outra angústia que nesta idade geralmente mobiliza as mães é a falta de comunicação clara do bebê. Como saber se ela está conseguindo satisfazê-lo com seu leite. Seu choro é por fome ou cólica intestinal? Dúvidas que podem desenvolver angústias e ao mesmo tempo desencadear depressão pós-parto. A mãe mobilizada necessita regredir até o estágio do bebê, e nesta regressão pode encontrar-se com conteúdos pessoais, da sua própria história materno/filial não elaborada. É interessante notar aqui, que as mamães procuram estar próximas de suas próprias mães, por isto que as avós maternas se mobilizam tanto para ficarem junto da filha. Mesmo aquelas que não podem ter a mãe por perto, sempre haverá alguma amiga com experiência por perto.

     “O tempo não passa...” uma sensação de quem se dedica exclusivamente ao bebê. Mas a mãe, atenta, desenvolverá diversas atividades paralelas ao bebê, sem, no entanto, comprometer o vínculo afetivo. É neste período que o ser humano começa a se estruturar concretamente potencializando vínculos afetivos. Por isto que a mãe não poderá ter no período de cuidados dos primeiros meses, a sensação de invalidez, de estresse. Pois todas as alterações comportamentais trarão transtornos na via de condução dos vínculos afetivos. Lembro sempre aos pais (maridos), que a maior função deles é de ser bateria que possa recarregar energias à esposa. Não adianta o marido (pai) ficar com ciúmes da mãe ( esposa), por ela não lhe estar dando tanto atenção. O foco da mãe é todo centrado no filho recém nascido. O papel do homem é cuidar para que este ninho esteja protegido. Não é a toa que há um costume popular de muita sabedoria que atribui a este período o nome de quarentena, onde o casal se quer tem relação sexual.

     No momento em que o bebê necessita de sua mãe, manifesta de alguma forma, principalmente com choro. Mas se no primeiro momento a mãe não responder, o bebê tenta novamente em choro, um pouco mais forte, e se a mãe  novamente não responder, inicia-se aí o processo de instauração da angústia no bebê, e conseqüente ansiedade. Já no terceiro momento, o bebê em prantos, se a mãe não aparecer, surge a fixação da cena.. Trauma? Pode ser, depende de como a mãe recuperará esta ausência no bebê. Geralmente, utilizando-se de processos compensatórios, estabelecendo assim o jogo de ter que suprir o que faltou, porém desta forma, não suprirá o afeto e conseqüências virão ao longo dos anos. Não dá para prever o que. Por isto que nestes três primeiros meses, a presença da mãe deverá ser indiscriminadamente de amor pleno, um ser total para seu filho. Assim, os primeiros meses da criança estará anunciando para ela que a vida é bela, e o que lhe espera será fruto de muito afeto. Nasce assim o sujeito integral e potencialmente maduro. Maduro para cada etapa do desenvolvimento que só poderá culminar com um adulto maduro se as etapas posteriores do desenvolvimento forem tão bem elaboradas como o primeiro ano de vida. 

     Sonho ou realidade?


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