O ambiente familiar para o bebê

Publicado em 02/05/2016

     Bebês necessitam de ambientes serenos. Espaço de paz. É nesta estrutura que um casal deve preparar a chegada de um filho. Lógico que não vamos fazer disto um padrão de conduta que leve a entender que o melhor ambiente é aquele que tenha todas as estruturas materiais. Quando falamos em ambiente de paz, isto pode se dar em todo tipo de residência, desde casas pouco estruturadas, e quem sabe em situações extremas de moradores de rua, até palacetes de milionários.

     Já visitei uma família com oito filhos, que moravam em um viaduto de uma rodovia. Um bebê recém nascido, mamando no peito de sua mãe, e um pai preocupado em sair logo para catar papelão nas ruas. Ali havia paz, e serenidade. Não havia conformidade, nem de nós que estávamos visitando e nem daquela família. Participávamos de um levantamento social para tentar recursos visando à construção de uma casa própria para aquela família. A mãe atenta ao seu bebê, o pai em busca de ganhar pão e os filhos fora da escola, saiam com o pai para ajudá-lo no trabalho. Os filhos eram força de trabalho. Muitas vezes pensamos que filhos é ignorância de pais empobrecidos que não sabem planejá-los, mas muitas vezes os filhos são força de trabalho. Já em uma residência de classe média alta, o casal recebe seu filho recém chegado, em um ambiente com todos os recursos financeiro, mas a mãe encontra-se em depressão pós parto devido ao seu perfil de ansiedade que desencadeou medos de ver seu filho sofrer. Uma mãe preocupada que não conseguia ser afeto para seu bebê, era apenas funcional, queria só supri-lo de condições materiais. Nesta casa, devido a depressão pós parto da mãe encontrava um filho que já dava sinal de estorvo, tanto que o casal nem imaginava querer ter outro filho.

     Duas situações distintas, na casa com melhores recursos financeiros, a construção de um ambiente de paz seria mais fácil de acontecer; na situação dos moradores de rua, a sensação é de que seria quase impossível. Na verdade, o ambiente de paz diz respeito ao estado emocional e a capacidade de acolhida dos pais ao filho recém chegado. É a manifestação de amor pelo filho, a felicidade de ter gerado, de estar podendo suprir as necessidades básicas da criança. Em situações deste tipo, ou com esta postura, haverá um cuidado para que o espaço que cerca o bebê seja de proteção, e não necessariamente as condições materiais, conforme ilustrei nas duas cenas familiares.

     No ambiente familiar muitas vezes nos deparamos com as mães funcionais, aquelas que cuidam por obrigação, tentando já querer fazer o bebê respeitar regras e algumas até batem no bebê ou falam alto com ele. Pior é quando os pais são obsessivos por limpeza, quando o bebê vai se desenvolvendo, engatinhando e até andando, eles já apresentam a necessidade de fazer o bebê sair da fralda. Alguns pais ficam bravos quando o bebê, já andando e escorando nos móveis da casa pegam objetos pequenos e às vezes até quebram. Quantos tapinhas dados nas mãos do bebê sem que o mesmo nem saiba o por que. Numa certa oportunidade questionei uma mãe quando batia na mão de seu filho, pelo fato dele ter derrubado uma cadeira no chão. Ela defendeu-se dizendo que se não fizesse a correção bem sedo, ele não iria aprender nunca. Neste tipo de postura, podemos entender que a paz não está instaurada. Parece que prevalece a ideia da violência, da punição, como alguns ditadores que garantem que só é possível a paz com a guerra. 

     No primeiro ano de vida de uma pessoa, o que deve prevalecer é a mão uterina, aquela que acolhe e acaricia, como uma continuidade do útero materno. Uma casa que seja a continuidade do útero. Uma casa com bebê cujo ambiente revela ser muito uterino, de paz, temos boa sensação de estarmos nela. Aliás, quer receber estímulos de paz, visite uma mãe feliz por seu bebê em sua casa. Ali encontramos um território de paz, esperança e afetividade. 


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