A voz do coração

Publicado em 10/05/2016

Estava fazendo minha corrida periódica no circuito de um bairro próximo de casa e escutei duas senhoras conversando (coisa de psicólogo). A rotineira corrida neste circuito, que têm 1.1km ao redor do bairro provoca que eu veja pessoas e situações com frequência em um mesmo dia de atividade física. 

A senhora falava para sua amiga que ela deveria decidir conforme o que seu coração falasse: “siga a voz do seu coração”. Lógico que temos aqui uma figura de linguagem e sabemos que esta senhora está dizendo: “siga sua vontade, aquilo que acha melhora para você”. Porém, fiquei pensando que este tipo popular de dizer sobre as decisões pessoais pode também revelar uma tendência inconsciente das pessoas agirem pelo impulso, realmente conforme bate o coração. Imaginei que as paixões funcionam mais ou menos assim, conforme reage as batidas cardíacas, vamos definir o grau e intensidade de sentimento ou do desejo despertado na relação com o outro, objeto de paixão!

Conversando com uma cardiologista, ela relatava-me que a maioria dos pacientes em seu consultório chegam acreditando que estão com um grande problema de coração, por que apresentam alteração no ritmo dos batimentos cardíacos ou “muito acelerado ou quase parando”. Mas após exames observa-se que o quadro era de ansiedade e o problema está mais na ordem emocional.
 
Se ficarmos ouvindo a voz do coração, poderemos cair em armadilhas de decisões movidas meramente à reações corporais. É melhor parar para pensar os motivos pelo qual o coração reagiu, e de fato, decidir com o pensamento, isto é, com a voz do seu pensamento, da sua razão. Lógico que para isso não há necessidade de ficar racionalizando tudo e viver como tudo estivesse dentro de uma objetividade.

O coração pulsa aquilo que sentimos. Sentimento é produção subjetiva que está relacionado às tramas psíquicas. Quando o coração bater mais forte por alguém ou alguma situação, é melhor tentar entender quais são os motivos que levaram o coração a reagir assim. Do contrário continuaremos acreditando na “voz do coração”, e não saberemos escutar nossos sentimentos, emoções e pensamentos.



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