A melhor idade para a publicidade fazer a cabeça

Publicado em 12/05/2016

De todas as idades, a faixa etária que está mais suscetível de ser influenciada pela publicidade, sem que haja um sensor ou uma capacidade intelectual de filtragem do que se vê ou se ouve, é a idade dos 2 meses aos 2 anos.

Nesta idade, tudo que é apresentado à criança, ela absorve como uma esponja. Este mecanismo mental que predispõe os bebês a serem contaminados livremente  por mensagens externas, já foi muito bem pesquisado pelos publicitários. Pesquisas apontam para necessidades de consumo de crianças e adolescentes que foram introduzidos com mensagens subliminares na mente delas quando ainda tinham 2 meses a 2 anos.

Se formos pensar o motivo da facilidade desta faixa etária ser  absorvida pela publicidade, podemos encontrar a resposta em Winnicott, psicanalista Inglês que conceituou para esta idade o termo “objeto transicional”, que representa o objeto que estabelece a transição entre ele (bebê) e a mãe, tendo como primeiro objeto de transição desta idade, os bicos dos seios da mãe, observamos que os bebês tendem a brincar com eles, que passa a ser o primeiro brinquedo da criança. E depois, quando vai adquirindo autonomia, a criança começa a se vincular com o mundo e para isto nomeia objetos externos à sua mãe, como a fraldinha, ursinhos, etc.

Assim, podemos dizer que um dos objetos que entra na intermediação do vínculo afetivo entre a mãe e o bebê é a publicidade que vem nas formas visuais e auditivas. Os publicitários, conhecedores deste mecanismo que é eminentemente afetivo, tratam de elaborarem veiculação de ideias e produtos para que seja fixado na mente do recém nascido. Estas imagens e conteúdos suprem momentaneamente a necessidade afetiva do bebê e vai fazer  o efeito desejado pela publicidade em outras etapas do desenvolvimento da criança. Por que será que muitas pessoas já na vida adulta são apaixonadas por lanches do MC Donald's, ou pela Coca cola? Se perguntamos a elas, não sabem responder de onde nasceu esta necessidade e paixão.

As vezes, a publicidade em si não é penetrada, mas junto da publicidade temos a programação, os conteúdos. Nestes sim, a publicidade penetra, construindo mecanismos de frustração e ansiedade no processo de separação  mãe e bebê, levando ao aumento do vazio afetivo no futuro e consequente campo aberto para que a publicidade penetre com a ilusão de que conseguirá por determinados produtos suprir o vazio construído desta separação.  A Mídia intermedia a ausência da pessoa da mãe e seu consequente vínculo afetivo para com o bebê.

Lógico que você deve estar se perguntando como um bebê, que muitas vezes nem assiste TV pode ser influenciado por publicidade. Na verdade, a publicidade está em todos os meios de comunicação. No ambiente familiar há hábitos midiáticos e os pais são contaminados ou diretamente influenciados pela publicidade. Assim, muitas fantasias e desejos despertados pela publicidade na mente dos pais, são transferidas para o bebê, principalmente nos hábitos alimentares e de vestuário, como também os brinquedos.

Podemos observar que mesmo quando bebês, as famílias tendem a colocar a TV como uma boa baba eletrônica. Observem que os desenhos animados para esta faixa etária são bem específicos. São simples e com temáticas repetitivas sem muito conteúdos. Mas se ficarem atentos, vão observar que nos intervalos dos desenhos há uma forte veiculação de propagandas de alimentos e brinquedos infantis. Esta incorporação de imagem e associação de imagem vai construindo uma mente desejosa de consumo. A programação acalenta afetivamente a ausência afetiva materna, e as propagandas projetam os desejos futuros.

Por isso que para as famílias com crianças bebês, é melhor ter alguém para interagir, deixando a babá eletrônica desligada no seu canto. Lógico, essa dica é para aqueles que gostariam de ter filhos com identidade própria e menos consumistas no futuro.


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