Psicologia 30/10/2026 15:43:42
O ser humano vive de desejos para além das necessidades fisiológicas. Comemos para nos mantermos, bebemos água por sermos um corpo movido a água e, com isso, precisamos manter a hidratação. Fazemos sexo por demandas fisiológicas. Porém, toda esta condição biológica humana, uma espécie que, antes de tudo, é animal, é movida por uma força subjetiva não palpável e não quantificável que é o desejo.
Para além de nossas necessidades biológicas para o alimentar-se, degustamos comidas, formatamos paladar, escolhemos diferentes tipos de pratos, e isto em todas as possibilidades sociais. Não é porque alguém está empobrecido que não terá predileção por determinadas comidas. Preciso beber água, mas esqueço, podendo até não sentir sede. O sexo que aparentemente está dentro de uma necessidade biológica pode ser estimulado por demandas de identificação com o Outro, por uma força de sentimento indescritível, pois não basta sentir o odor de uma mulher na fertilidade para o homem buscar fazer sexo com ela, ou um simples olhar para o corpo de um home e sentir o odor do hormônio masculino para a mulher ter a vontade de fazer sexo com um homem, pois, no humano, estas necessidades passam por identificações e necessidades afetivas homo ou heterossexuais.
Quando o desejo deixa de ser nosso?
Se somos movidos pelo desejo, a questão que coloco aqui é: Quem está capturando o meu desejo, visto que nos tornamos prisioneiros do que querem que desejemos? Dentro de uma Sociedade pautada no consumo por meio da publicidade, somos direcionados a desejar o que mais nos aparece de forma sedutora. Desejamos nossos próprios desejos?
Neste dilema, nos deparamos com frustrações entre o que somos, temos e o que nos é apresentado como ideal, perspectivas e projeções. Quem não deseja ficar rico? Lembro de uma pessoa que batia com os pés juntos e as mãos acirradas que ele estava feliz com o que ganhava e não queria ficar rico, porém estava altamente endividado em jogos de Bets.
Aqui, entra o campo da dependência, em que, pelo desejo que não se fecha, que não se realiza, podemos cair em uma armadilha de dependência emocional, levando-nos à perda da autonomia em escolher, em fazer posição. Ao cairmos em um processo de dependência de algo, como se não fosse possível viver sem este algo, perdemos a autonomia e nos tornamos escravos da dependência que retorna a cada ato por não satisfazer o desejo. Um desejo que não é mais desejado, mas sim incorporado subjetivamente ao inconsciente e que repete, faz acreditar que o desejo está sendo realizado e volta a repetir por já imediatamente colocar-nos no vazio. As dependências emocionais podem estar vinculadas a uma demanda fisiológica associado com química, como álcool ou outra drogas; pode estar vinculado a pessoas, como no caso das dependências amorosas e inclusive sexuais (por exemplo, pornografia); até dependência por necessidades criadas para o dia a dia, como o uso do celular.
A abstinência como sinal da dependência emocional
Como saber que está emocionalmente dependente? Quando não se suporta a abstinência deste algo, desde um objeto a uma droga e/ou pessoas, quando diz respeito a paixões. É pela abstinência que se mede a dependência, associada a sintomas extremos de ansiedade, depressão, pânicos e até delírio, principalmente se a abstinência for compulsória.
No fluxo de estarmos frequentemente sendo roubados de nossos desejos, dentro desta perspectiva de consumo e consequente prazer pleno, que vamos caminhando, acumulando dependências e nos fixando em alguma que nos derruba literalmente. Como o sujeito que parou de fumar e ficou dependente de balas de chupar. Bem melhor? Pode ser, mas a dependência mantém a pessoa no mesmo lugar de dependente.
Um bom caminho para se perceber dependente de algo e fazer escolhas para não se permitir escravizar-se por uma dependência, construindo uma estrutura emocional de autonomia, é desenvolver o processo analítico, na qual a teoria e técnica da psicanálise pode fazer o caminho da busca por ser um sujeito(a) analisado(a). Isto porque a psicanálise vai ao encontro da subjetividade humana no seu processo de construção da estrutura psíquica, podendo fazer com que o desejo do indivíduo não seja roubado por terceiros. Assim, a Psicanálise pode representar um processo de prevenção para quem ainda não desenvolveu uma dependência emocional e/ou de tratamento para quem já está dependente, uma vez utilizada com clareza teórica e técnica. Diferentemente das técnicas terapêuticas comportamentais, as quais agirão para que o sujeito crie mecanismos de controle sobre a dependência, mas não remetem ao âmago da autopercepção, daí faz o sujeito se tornar dependente de uma técnica de controle.
Você consegue identificar dependências emocionais em sua vida?
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Psicologia 30/10/2026 15:43:42 30
Oser humano vive de desejos para além das necessidades fisiológicas. Comemospara nos mantermos, bebemos água por sermos um corpo movido a água e, com isso,precisamos manter a hidratação. Fazemos sexo por demandas fisiológicas. Porém,toda esta condição biológica humana, uma espécie que, antes de tudo, é animal, é movida por uma forçasubjetiva não palpável e não quantificável que é o desejo. Paraalé...
Psicopedagogia 15/10/2026 14:52:25
Estamos diante de um dos maiores desafios para nossos adolescentes, que é a reorganização do processo educacional que atinge esta faixa etária, pois é no ensino médio que vemos as maiores transformações no campo da subjetividade e construção da identidade. Sou Especialista em Psicologia Educacional e sempre atuei em comunidades escolares tanto públicas quanto privadas desde minha graduação pela UNESP-Assis (SP), mas, atualmente, não tenho aceito assessorias em escolas (principalmente no ensino médio) por conta da estrutura rígida do currículo escolar, da falta de estrutura dos equipamentos escolares para desenvolvimento de ações práticas na relação entre teoria e prática (tão necessário aos adolescentes) e também pelo descaso dos órgãos públicos com a carreira dos professores. Com as propostas das “Escolas Militares” neste cenário de regresso a processos fascistas, começa a ser moldado um modelo ditatorial aos jovens brasileiros. E esta dificuldade é percebida tanto na rede pública quanto na rede privada, esta última com uma acentuada ênfase conteudista focada no vestibular. Vejo no Brasil uma luz pairando no horizonte através dos Institutos Federais, que conseguem converter teoria em ação ao mesmo tempo que trazem o fortalecimento do conteúdo para os jovens chegarem a cursos superiores de alta qualidade.
No livro “A Religação dos Saberes”¹, o pensador francês Edgar Morin retrata as elaborações organizadas a partir das Jornadas Temáticas do Ministério da Educação da França, que teve início em 1998 e nas quais muitos estudiosos de diferentes áreas do conhecimento foram convidados para repensar o Ensino Médio no país. Na época, um dos maiores pensadores da contemporaneidade já via este desafio que se mostra acentuado décadas depois pelo processo regressivo da ascensão do fascismo ao redor do mundo. Na própria França, já em setembro de 2026, aproximadamente 130 mil estudantes do ensino médio foram às ruas reivindicar melhorias estruturais e de investimentos no sistema educacional, também protestando contra a redução de verbas para a Educação, levando a uma pergunta: Quais mudanças genuinamente ocorreram entre 1998 e 2026? Parece que as Jornadas Temáticas ficaram só no livro, pois as propostas geradas neste comitê foram geradas dentro de um governo de esquerda que, depois, outros governos não deram continuidade e muitas das ideias jamais saíram no papel. Modelos de governos podem fazer avançar melhorias educacionais ou retroceder. E os fundamentos apresentados neste artigo se encaixam tranquilamente na atual realidade brasileira.
As estruturas de educação são alvo prioritário do regime “capitalista selvagem” em que jovens com formação educacional são perigosos por reivindicarem mudanças. Uma população com nível educacional elevado terá mais exigências sobre as estruturas de trabalho e remunerações. Não adianta pensarmos que os jovens de hoje não querem trabalhar, como muitos empresários das antigas ainda pensam, pois é preciso entender que jovens com formação passam a escolher com mais critério em que trabalhar. Desta forma, num cenário de que visa o lucro pelo lucro em detrimento da qualidade de vida de seus cidadãos, o que vale enquanto política de estado é o abandono educacional de jovens para que se tornem força braçal desqualificada. Porém, estamos em tempos de automação, a qual cria uma forte desqualificação dos jovens para um futuro que exigirá cada vez mais conhecimento tecnológico. O problema é que, no Brasil, pensar estas demandas é ser visto como sujeito de esquerda ou comunista, retórica de quem, de fato, quer manter um sistema arcaico de domínio a partir da ignorância do coletivo.
Para Morin “...Convém, pois, reconhecer o que é ser humano, que pertence ao mesmo tempo à natureza e à cultura, que está submetido à morte como todo animal, mas que é o único ser vivo que crê numa vida além da morte e cuja aventura histórica conduziu-nos à era planetária. Só assim se pode obedecer a finalidade do ensino, que é ajudar o aluno a se reconhecer em sua própria humanidade, situando-a no mundo e assumindo-a (...) Aprender a viver significa preparar os espíritos para afrontar as incertezas e os problemas da existência humana. (...) O aprendizado da cidadania necessitará de um ensinamento, totalmente existente hoje, do que é uma nação. (...) Enfim, a jornada “A Religação dos Saberes” situa-se na finalidade da cabeça bem-feita”. (Morin – 2002 pgs 19 a 21) Trago estes pontos apresentados por Morin dentro de uma perspectiva de repensar, reestruturar e/ou reconstruir, que, inclusive, faz parte de nosso processo psíquico contínuo, de um eterno retornar e reelaborar. Já naquela época, num país considerado desenvolvido, as necessidades já eram gritantes. Hoje, parece que não saiu muito do lugar, mesmo tendo um governo de centro-esquerda com traços de liberalismo democrático pela governança do presidente Emmanuel Macron, numa mostra legítima de que aquilo que pensadores com viés democrático enxergam como caminho tem condução definida por políticos e corporações.
Quantas são as demandas que fogem às percepções dos pais e familiares ao olharem para as comunidades escolares em que seus filhos estudam por estarem mais preocupados com notas, conteúdos e a certeza de fomentar um futuro garantido em vez de que perceberem as armadilhas na qual seus filhos estão inseridos? Isto vale tanto para alunos de escolas públicas, os quais ainda não entenderam a força de reivindicação que possuem e caem na falácia do sucesso via redes sociais, quanto alunos das escolas particulares, cujos familiares investem recursos expressivos na expectativa de que seus filhos estão recebendo o melhor comparado ao grande público, mas estão diante de uma maioria de escolas que não entregam o que vendem. No Brasil, o resultado de notas do ENEM é superior entre alunos dos Institutos Federais em relação às escolas particulares, salvo algumas exceções.
O caminho da transformação da Educação deve passar pelas famílias, que devem reivindicar mudanças no Ensino Médio, e também pela força da adolescência no seu mais forte estágio reivindicatório, de lutar pela melhoria da qualidade do ensino médio no Brasil. Quando os estudantes saem às ruas, parece que muitas demandas de mudança começam a acontecer. E esta força está catalisada no voto, arma poderosa para se colocar representantes nas instâncias legislativas e executivas de múltiplas esferas (municipal, estadual e federal). Educação é projeto de quem pensa democraticamente e quer solidificar o sentido de nação soberana. Com certeza, As Jornadas Temáticas da França de 1998, ainda ecoam a favor de um pensar a reforma do Ensino Médio no Brasil.
¹ “A Religação dos Saberes”, Edgard Morin - Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2002
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Psicopedagogia 15/10/2026 14:52:25 78
Estamosdiante de um dos maiores desafios para nossos adolescentes, que é areorganização do processo educacional que atinge esta faixa etária, pois é noensino médio que vemos as maiores transformações no campo da subjetividade econstrução da identidade. Sou Especialista em Psicologia Educacional e sempreatuei em comunidades escolares tanto públicas quanto privadas desde minhagraduação pela UNESP-As...
Psicologia 09/10/2026 11:09:56
Ao pensarmos sobre as possíveis transgressões e/ou crimes que podem ser cometidos pelos adolescentes, emerge um filme brasileiro estarrecedor dos diretores Pedro Waddington e Rebeca Diniz intitulado “Precisamos Falar” que, refilmagem do filme holandês “O Jantar” (2013), foi lançado em 2026 e indico a todos os adultos. A temática é sobre o dilema ético entre acobertar o delito de um filho adolescente como forma de protegê-lo, ou fazê-lo enfrentar as consequências de seu ato.
A trama do filme acontece entre duas famílias de classe média com seus filhos adolescentes. Uma família cujos pais são professores que possuem uma postura racista e fascista cujo filho adolescente comete um homicídio cruel com uma senhora catadora de papel que dormia na rua da cidade durante a semana e, aos finais de semana, ficava em sua casa na comunidade periférica, cuidando de seus filhos. No outro núcleo, a família na qual a mãe aparentemente “do lar” de postura ética cidadã e o pai político supostamente de centro-esquerda que está prestes a vencer as eleições em seu estado para governador e três filhos, sendo um adolescente negro adotado desde pequeno e um casal de filhos biológico. Duas famílias parentes, com os pais sendo irmãos.
No meio deste cenário político, os filhos adolescentes assassinam a moradora de rua em um caixa eletrônico. O adolescente que comete o crime direto é filho do casal de professores com traços racistas e fascistas. Um dos adolescentes presentes é filho do casal cujo pai concorre para governador, o qual acompanha o primo e atua junto, sentindo ter sido conduzido pela onda de adrenalina. Outro adolescente presente é o filho adotivo, que não quer participar do ato e sai correndo desesperado da cena após questionar o primo que aciona a agressão (e do qual sempre foi vítima de racismo).
No decorrer da trama, quando as duas famílias já sabem do ocorrido e a opinião pública pressiona as autoridades para que os criminosos sejam descobertos e condenados, ambos os casais se encontram em um jantar de família para decidirem qual atitude tomar. De um lado, a mãe do adolescente protagonista do crime defende seu filho dizendo que caixa eletrônico de banco não é lugar de gente dormir, que seu filho precisa ser entendido e que está disposta a defendê-lo pelo amor que tem por ele. Já a mãe do adolescente que foi cúmplice do crime diz que seu filho tem que se responsabilizar sobre seu ato e que, se tiver que cumprir pena, o fará para que tudo que ensinaram a ele como valor ético seja coerente. Já o pai do protagonista critica a posição da cunhada como uma posição de “esquerda caviar” e do proselitismo dos direitos humanos enquanto o pai do cúmplice se vê na berlinda, pois correrá o risco de perder as eleições ou mesmo retirar sua candidatura se tudo for revelado. Daí, a trama apresenta ao espectador uma “sinuca de bico”.
E aqui o filme levanta seu grande enigma moral: Qual seria a sua posição como adulto responsável por um adolescente que comete um crime desta gravidade? Denunciaria seu próprio filho ou encobriria os fatos? Trago este filme para refletir exatamente o tipo de questão que cada mãe, pai, educador e/ou familiar adulto de adolescentes pode ter que enfrentar.
Como uma das características da adolescência é a transgressão, a oposição, a busca de autonomia e a vinculação a grupos que buscam aventura, pode ocorrer que se envolvam em tramas que marcarão o resto de suas vidas. E, às vezes, aquele adolescente que nunca cometeu nenhum delito e sempre foi pacífico e/ou passivo pode se ver envolvido numa ocorrência gravemente irremediável.
É possível distinguir um adolescente que se enquadra neste processo normal de comportamento com outro que já apresenta, de fato, uma tendência perversa com traços de sociopata? Sim. Na adolescência normal, o adolescente é repreendido e colocado limites após um ato transgressor e se reposiciona na regra posta, temos uma uma reação que caracteriza um comportamento esperado dentro do que denominamos “Psicopatologia Normal da Adolescência”. Já o adolescente que, mesmo acionado para ser corrigido e colocado os limites diante de um delito, não aceita, confronta e reincide no ato (podendo inclusive demonstrar satisfação), mostra outro quadro. No caso do adolescente protagonista do filme citado, este mantinha um arquivo de filmagens que fazia de agressões com pessoas empobrecidas e em condições de vulnerabilidade social, evidenciando seus traços perversos.
Hoje esta tendência está cada vez mais forte nos grupos que se entrelaçam pelas redes sociais e jogos online, nos quais há um arrebanhamento para ações transgressoras que geram emoções. Veja nas eleições de 2026, como cresceu o numero de jovens candidatos a deputados estaduais e/ou federais com um perfil agressor, homofóbico, com traços racistas e discurso de ódio. Muitos deles campeões de votos.
Não podemos ter garantias de que os filhos sairão ilesos da adolescência e seguirão as orientações dos pais. O ambiente familiar e as práticas dos pais podem, sim, criar monstros, mas adolescentes podem ser influenciados, mesmo vindo de uma família que aparentemente mais de respeitosa e de ética cidadã. Antes de acontecer uma cena deste tipo, é preciso agir por antecipação preventiva, a maior delas sendo estar presente e não deixar os filhos abandonados em seus quartos e telas, sempre atentos e mantendo uma postura de coerência entre o que orientam e o que praticam.
A diferença entre um delito de um jovem branco de classe média e o delito de um jovem negro empobrecido, é que este segundo será criminalizado com grande chance de ser morto (até pelo equipamento de segurança pública), enquanto o primeiro será justificado. A estrutura de comportamento pode perpassar pelos mesmos caminhos, mas as condições sociais e perfil racial fará uma diferença enorme para os adolescentes diante de um ato transgressor. Dito isso, melhor mesmo é assistir ao filme.
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Psicologia 09/10/2026 11:09:56 98
Ao pensarmos sobre as possíveistransgressões e/ou crimes que podem ser cometidos pelos adolescentes, emerge umfilme brasileiro estarrecedor dos diretores Pedro Waddington e Rebeca Dinizintitulado “Precisamos Falar” que, refilmagem do filme holandês “O Jantar”(2013), foi lançado em 2026 e indico a todos os adultos. A temática é sobre odilema ético entre acobertar o delito de um filho adolescente co...
Psicanálise Contextualizada 28/09/2026 17:41:57
Hoje, o atendimento de crianças dentro da Psicologia Clínica se mostra um grande desafio, mesmo com o aumento na demanda a partir do crescimento vertiginoso de laudos no Espectro Autista e outros transtornos comportamentais como, por exemplo, TDAH. Com os diagnósticos já traçados, o profissional de Psicologia se vê quase intimado a seguir uma conduta terapêutica que vem induzida por muitos neurologistas e psiquiatras, salvo poucas exceções. Quando recebemos uma prescrição do profissional médico que cita, por exemplo, a TCC (Terapia Cognitiva Comportamental), e ainda orienta a família que é a única forma de se desenvolver terapeuticamente a criança com algum transtorno, quadro de síndrome ou espectro autista. Aí fica a pergunta: E a psicoterapia de base psicanalítica, não responde às necessidades das crianças com estes diagnósticos?
No dia 19 de setembro de 2026, fui assistir à conferência de uma das pesquisadoras mais importantes no campo do atendimento a crianças do espectro autista e, para mim, maior referência da Psicologia Educacional no Brasil, Prof Dra Maria Cristina Kupfer ( Departamento de Psicologia da USP-SP), numa palestra esta proferida dentro de um seminário da Escola Lacaniana de Vitória (ES). Por incrível que pareça, uma pequena plateia para um grande nome. Pensando melhor no motivo para o esvaziamento desta palestra, concluí que era quase que um boicote dos grupos e instituições que trabalham com crianças autistas no estado do Espírito Santo, os quais, quase em sua totalidade, se utilizam das teorias comportamentais. Conversamente, a maioria dos que estavam lá lidam com a Psicanálise.
Entre a TCC e a Psicanálise: diferentes perspectivas sobre a criança
Até aqui, parece que ainda não cheguei no âmago da questão, sobre a teoria e técnica no processo de psicoterapia com crianças. Neste dilema de qual método buscar, posso dizer que, se bem aplicado dentro de uma boa interação teórica e técnica, as diferentes abordagens de psicoterapia com crianças podem, sim, colaborar. Sempre indico às famílias procurarem por um profissional de psicologia devidamente registrado no Conselho Regional de Psicologia e que tenha experiência no atendimento com crianças.
Porém, pensando na teoria especificamente, observo que, pela TCC, a criança será tratada para se adaptar à Sociedade. Já na Psicanálise, a Sociedade é que precisa aprender a lidar com a criança. Aparentemente, pode parecer estranho o campo da Psicanálise quando contrastado com o da TCC, visto que esta se mostra mais atraente. Muitos vão dizer “...Nossa, lógico que as crianças precisam se adaptar à Sociedade...”, ou “...por isso que a Psicanálise não resolve...”.
Mas vamos lá: Quando digo que a Psicanálise leva a Sociedade a entender a criança, é um elemento primordial para entendermos como a criança se estrutura desde o nascimento e suas diferentes etapas até chegar ao final definitivo da infância, aos 12 anos. É justamente para, a partir dela e da lembrança de que não há um padrão definitivo e único do ser criança, que a Sociedade possa educar, cuidar e conduzir para caminhos saudáveis de interação com a criança. Diferentemente, as teorias e técnicas comportamentais conduzem a criança a se moldar para se enquadrar nas normativas da Sociedade.
Subjetividade, inconsciente e técnica na clínica infantil
No campo teórico comportamental, a técnica de intervenção terapêutica neutraliza o sujeito na sua subjetividade e individualidade. O inconsciente não fala. Já na teoria e técnica psicanalítica, haverá um adentrar no mundo da criança em que a leitura do inconsciente falará para a criança que escuta a si mesma e para o analista. Na comportamental, a técnica é doutrinária, baseada em estímulo e resposta, com o processo movido por repetições e mais repetições. Já a técnica psicanalítica se dá pelo processo da transferência analítica da criança com o analista dentro da escuta do inconsciente. E aqui adentro no específico da teoria e técnica da Psicanálise com crianças, mesmo sabendo que não conseguirei avançar em detalhes. Porém, deixarei apenas a perspectiva de que, pela Psicanálise, cabem todas as crianças nas suas mais diferentes síndromes, espectros e ou transtornos.
O adulto fala e, pela sua fala, vai entendendo e elaborando sua estrutura inconsciente por processos de transferência com o analista, o qual atua como se fosse um “paredão de tênis” em que a bola bate e volta para si mesmo. A palavra que ressoa no ouvido do analista retorna na forma de apontamentos e interpretações (estas que são do analisando). Já no caso da criança, o processo é o mesmo, pois o princípio teórico segue os mesmos objetivos. E, quando este inconsciente emerge e é identificado e elaborado pelo analisando, teremos a evolução para um sujeito analisado. Aqui, a teoria psicanalítica traz a grande revolução no atendimento de crianças e adultos, de vê-los na mesma perspectiva de igualdade. O que muda é a fala e a escuta. No adulto, escuta-se a fala falada, enquanto na criança, escuta-se a fala brincada.
O brincar como linguagem da criança
Com crianças, é pelo brincar que se escuta. Nós, psicólogos que atuamos com a teoria e técnica psicanalítica, precisamos interagir com a criança no espaço clínico para fazer emergir sua estrutura psíquica. É como se escutássemos de forma indireta, na qual a criança brinca e precisamos decodificar numa tradução de linguagem. Por isso que o espaço de psicoterapia para crianças neste enfoque teórico e técnico da Psicanálise precisa ser constituído de muitos brinquedos, materiais de papelaria, jogos e elementos que permitam interatividade. E, após 38 anos atendendo crianças desde o primeiro ano de vida, posso traçar aqui elementos poderosos que a psicoterapia potencializa nelas, como a criatividade (fator leva um bom tempo para destravar em criança já hipnotizadas por telas e com baixa capacidade de criar), a autopercepção enquanto criança (dissolvendo o adulto em miniatura na qual foi moldada pelos adultos que a rodeiam) e a saída da introspecção que permite que a criança se perceba altiva e dona de seus pensamentos, apenas para citar alguns.
Outro elemento que trago aqui é a interação dos pais no processo da análise da criança, os quais passarão por um contínuo processo de escuta e orientação durante a psicoterapia da criança, colaborando para que os mesmos comecem a respeitar a criança como ela é e ajudem a estabelecer este limite para terceiros. Assim, a família inteira vai se integrando ao processo e derrubando as barreiras que o mundo adulto tenta estabelecer para cercear as crianças com o objetivo de moldá-las às suas expectativas. E a Psicanálise focada em criança se mostra revolucionária ao quebrar os paradigmas de controle social que tenta enquadrar as crianças como pequenos adultos, não as vendo como seres domesticáveis, mas como seres pensantes.
Autismo, diagnóstico e os desafios da clínica psicanalítica
Atendia muitas crianças autistas na clínica, mas com o enquadre do DSM V na perspectiva do Espectro Autista e a indução aos métodos comportamentais como solução, houve uma acentuada diminuição na busca por psicoterapia. Agora, estas crianças que foram sujeitas ao enquadramento comportamental e não trabalhadas na sua identidade e subjetividade, alcançaram um nível de estresse enorme e as famílias começam a retornar à Psicanálise para reorganizar o processo terapêutico e libertar as crianças de amarras comportamentais.
É sempre bom lembrar que todas as crianças podem buscar a psicoterapia, mesmo que não haja laudos indicativos. Há familiares que buscam colocar seus filhos em análise como processo de fortalecimento da estrutura psíquica e prevenção. Quando o enfoque de busca de apoio psicológico fica apenas em torno de crianças tidas “problemáticas”, esquecemos da maioria que não apresenta necessariamente um transtorno a ser tratado. Para mais informações sobre o tema, você pode acessar o instagram @Psicanálisecontextualizada, no qual temos um grupo de estudos específico para a Psicanálise da Criança.
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Psicanálise Contextualizada 28/09/2026 17:41:57 126
Hoje,o atendimento de crianças dentro da Psicologia Clínica se mostra um grandedesafio, mesmo com o aumento na demanda a partir do crescimento vertiginoso de laudos no EspectroAutista e outros transtornos comportamentais como, por exemplo, TDAH. Com os diagnósticosjá traçados, o profissional de Psicologia se vê quaseintimado a seguiruma conduta terapêutica que vem induzida por muitosneurologistas ...
Psicanálise Contextualizada 24/09/2026 08:35:43
Nomeio aqui “autoimagem” o excesso de preocupação consigo mesmo que paira na nossa atual realidade. Com a emergência das redes sociais, surge a possibilidade de se ver não apenas pelo espelho, pois a própria imagem pode ser acionada na palma da mão, facilitando, inclusive, para acertar os cabelos, verificar sujeira nos dentes, retocar a maquiagem, etc. Nos tornamos fotógrafos de tudo de maneiras que às vezes nem percebemos e, falando particularmente, sou fã de fazer uma imagem de onde estou e do que estou vivenciando.
No entanto, este culto narcísico, tanto de autopromoção quanto de autodestruição, nos faz construir uma forte tendência de ficarmos absorvidos com nossas próprias necessidades. A partir desta noção, trago esta reflexão para o campo da adoção de crianças: Adotar com que objetivo? Correr riscos?
Vemos as instituições de acolhida de crianças órfãs ou desintegradas das famílias a reboque do crescimento de abrigos de passagem para crianças que, muitas vezes, a justiça precisa retirar do ambiente familiar porque há riscos de vida a estas, principalmente com o avanço do uso de drogas pelos pais, principalmente das mães. Sabemos que demandas sociais não justificam perda de pátrio poder pelos pais ou familiares, mas, se associado ao risco de vida eminente, geralmente a Justiça determina a separação do ambiente de risco.
Há mais casais ou pessoas querendo adotar do que crianças na espera para serem adotadas. Dados apontam que mais de 42 mil pessoas desejam adotar para uma fila de espera de quase 5 mil menores a serem adotados. Porém, o grande dilema é que mais daqueles 86% que desejam adotar, querem crianças menores de 6 anos, sendo que mais de 90% das crianças na fila para serem adotadas estão acima desta faixa etária. Somado ao fator do racismo estrutural (que prefiro chamar de racismo escancarado), 92% dos que desejam adotar preferem crianças brancas, até convivendo com a possibilidade de escolherem crianças pardas por serem as opções mais disponíveis. Para piorar, ainda há a predileção por prospectos sem complicações graves de saúde.
Diante deste cenário e da necessidade dos que desejam adotar em saciar necessidades pessoais (sejam elas massagem do ego e/ou preenchimento de vazios existenciais), a adoção passa a ser um dilema. Isso se deve ao fato de que, quando ela acontece sem transparência de busca, a adoção se torna um desastre para a criança adotada pois, além de perder o vínculos com sua origem (incluindo o ventre que a gerou) e ser vista socialmente como um problema, tal criança se encontrará com um ambiente de “autoimagem” na qual terá que suprir as necessidades do adotante. A adoção requer um olhar pleno para a criança que chega de modo a ser suprida emocionalmente nas suas perdas estruturantes.
Sendo assim, surge a pergunta: Quais seriam os princípios básicos para uma adoção bem-sucedida?
Falar em criar filhos dentro de uma lógica que possa ser qualificada como bem-sucedida já é, no mínimo, um desejo de autoimagem, pois nada é garantido neste processo. É uma visão utilitarista, como se estivéssemos diante de um investimento que visa um retorno específico. Idealmente, bem-sucedida seria uma dinâmica parental que acarreta no mínimo de intercorrências emocionais para aqueles que são adotados, pois imagine uma criança que, já tendo perdido seu primeiro vínculo com sua mãe biológica, ainda tem que se encontrar com uma pessoa que a adota e não a acolhe afetiva e efetivamente. Porém, vou me arriscar citar aqui alguns critérios:
Enfim, este tema é um desafio a cada dia maior, pois o abandono em uma Sociedade com tamanho disparate social entre enriquecidos e empobrecidos somado ao advento do culto a si mesmo leva a adoção a entrar também num radar de esquecimento, de processos bizarros e com evolução de complicadores ao longo da educação de um filho adotado. Por outro lado, tenho clareza que as adoções desenvolvidas por pessoas maduras que identificam o desejo de adotar por escolha livre é um caminho formidável, tanto socialmente quanto no estabelecimento de vínculo.
Nas comunidades periféricas, a adoção não é um problema, pois há um coletivo de suporte familiar entre as famílias em que a criança é parte de um coletivo, salvo algumas exceções. A adoção passa a ser problema na classe média com melhor estrutura financeira, visto que muitas vezes está mergulhada num processo mercantilista de educação, salvo também algumas exceções.
Quando uma pessoa me pergunta se adotar não é um risco, já estou identificando nesta pergunta um perfil equivocado para ser a pessoa que adota.
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Psicanálise Contextualizada 24/09/2026 08:35:43 114
Nomeioaqui “autoimagem” o excesso de preocupação consigo mesmo que paira na nossaatual realidade. Com a emergência das redes sociais, surge a possibilidade de se ver não apenaspelo espelho, pois a própria imagem pode ser acionada na palma da mão,facilitando, inclusive, para acertar os cabelos, verificar sujeira nos dentes, retocar a maquiagem, etc. Nos tornamosfotógrafos de tudo de maneiras que às...
Psicologia 10/09/2026 10:48:50
O resgate do ato de escrever com as próprias mãos está retornando ao centro de debates ao redor do mundo. Pode parecer estranho que estejamos falando deste reencontro de nossa espécie consigo mesma, mas, com a emergência digital a partir da década 1980 e o acelerado processo de desenvolvimento das tecnologias da informação (TI) - incluindo o avanço da Inteligência Artificial (IA) - vimos emergir as perdas de potencialidades cognitivas pelo aposento das mãos no ato de escrever e de fazer movimentos de pinça. Pelo ato de pinçar, desenvolvemos o telencéfalo, área cerebral que nos potencializa para uma diferença gritante que é a capacidade de pensar, raciocinar e fazer elaborações simbólicas. Assim como o ato de escrever, outras atividades manuais nos conectam com esta potencialidade.
Como já se observa no ensino para crianças e adolescentes, a drástica baixa no desenvolvimento cognitivo levou muitos países desenvolvidos a retornar com atividades educacionais de escrita e estudo em livros físicos. A Suíça, que foi um dos países que implementaram sistematicamente a TI nos ensinos fundamental e médio apostando que seria um caminho melhor no processo educacional, retomou a adoção de atividades manuais no processo educacional após 10 anos desta sistematização digital. Esta percepção se deu a partir da observação de alunos que passaram sobre esta adaptação ao chegarem no ensino médio e, ao final deste período, se encontraram com muitas dificuldades para o ato de aprender, e buscar conhecimento, fator que trará sérios problemas na configuração de carreira profissional. Quiçá esta tendência do retorno às habilidades manuais e principalmente da escrita, chegue com força na educação brasileira.
Além de afetar crianças e jovens, a TI está trazendo problemas também aos idosos, cujo índice de perda de memória tem sido vertiginoso. Para quê pensar ou fazer se temos quem faça ou pense por nós na IA. Os robôs chegaram, e nós estamos virando quadrúpedes lambendo telas.
O ato de escrever já tem sido indicado para tratamento de quadros com depressão, pois faz o resgate de si. Quem escreve, escreve de si e por si, mesmo que tendo o outro como tema. No livro “Memórias da Plantação” (Editora Cobogó, 2019), Grada Kilomba diz “Eu sou quem descreve a minha própria história, e não quem é descrito. Escrever, portanto, emerge como um ato político.” (Kilomba, Pg. 28 – 2019) Sendo assim, não vou me alongar aqui na elaboração de ideias sobre o ato de escrever, mas apresento uma poesia que escrevi ao elaborar este tema de conteúdo para o site. Segue abaixo:
A escrita que resgata
Cada um tem a sua escrita
E cada escrita é de cada um
Com seus traços redondos
Ou traços esquisitos
A sua escrita, ninguém faz outra igual não.
Se escrevo, reconecto ao meu existir
Sinto sim que existo
No ato de escrever
Pinço e logo penso
Pois se penso é porque pinço.
Desconectar dos digitais
Este avanço tecnológico que nos desfaz
Do que somos desde os nossos ancestrais
Pela força das habilidades manuais.
Esta tal tecnologia da informação
Que nos tira da ação
Nos aprisiona sem emoção.
Ao resgatar a escrita
Num papel à deriva
Sinto a força do pensar
Posso sim racionalizar.
Esta escrita que me salva
Me protege das insanidades
Me conecta a humanidade
Faz sentido em meu viver.

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Psicologia 10/09/2026 10:48:50 177
O resgate do ato de escrever com as próprias mãos estáretornando ao centro de debates ao redor do mundo. Pode parecer estranho queestejamos falando deste reencontro de nossa espécie consigo mesma, mas, com aemergência digital a partir da década 1980 e o aceleradoprocesso de desenvolvimento das tecnologias da informação (TI) - incluindo oavanço da Inteligência Artificial (IA) - vimos emergir as per...
Psicanálise Contextualizada 27/08/2026 13:16:37
A construção da dependência digital em tempos de tecnologia da informação e ascensão das IAs (Inteligências Artificiais), marca a era da Guerra Cultural. João Cezar de Castro Rocha, em seu livro “A Era de Ricardo III – Guerra Cultural Como Método” (Editora Autêntica, 2026), elabora sobre a utilização dos algoritmos como uma forma de alienar e induzir pessoas ( e até nações inteiras) a pensar de forma unânime e dentro de um discurso do ódio, das intransigências e do espetáculo: “...A guerra cultural como método e a desfaçatez como espelho...” (Rocha, 2026).
Da lei do mínimo esforço à acomodação intelectual
A evolução da espécie humana (Homus Sapiens) vem com algumas características que podemos perceber ao adentrarmos na História da Humanidade. Desde a tendência destrutiva, que o processo de colonização europeia evidencia com a dizimação de povos e nações pela América Latina e Continente Africano até a busca para eliminar esforços físicos e mentais, a física diretamente pela industrialização e a intelectual pela TI. E, a partir da TI e dos algorítmos impulsionadores de ideias, a base estruturante de nossa espécie em produzir fofocas, que hoje denominamos fake news (notícias falsas), que estão inundando nossas mãos pelos aplicativos de redes sociais. A era digital nos coloca na lei do mínimo esforço que antes nos favoreceu para a diminuição do esforço físico, mas agora também no mínimo esforço mental.
Pelas IAs, não precisamos mais pensar, basta perguntar que já teremos a resposta. Assim, para que pensar? Vamos nos configurando com um perfil de acomodação e baixa autonomia para a busca pelo conhecimento. Daí, nos tornamos servos dos algoritmos e, consequentemente, evoluímos para a perda do potencial cognitivo e do potencial de memória. Entra aqui o elemento estruturante para o controle de ideias, o “fazer a cabeça” da coletividade, como já nos ensinou o músico Zé Ramalho : “Eh, oh, oh, vida de gado ; Povo marcado, eh ; Povo feliz.”
O Mal-Estar contemporâneo e a dominação ideológica
A Guerra Cultural entra neste contexto, pois, se antes o domínio estava pela força bélica e pelo poder econômico das nações, hoje a construção de uma identidade ideológica se dá pela TI, que faz a imposição da cultura do mais forte sobre os mais fracos dentro do espectro das ideias. Em tempos de campanhas políticas planeta afora, são as retóricas ideológicas que dominam os debates em vez das propostas e da defesa democrática. Ditaduras são impetradas sem a necessidade de canhões e soldados pelas ruas, mas sim pelas fake news com viés odioso, neutralizando e/ou apagando a cultura dos mais fracos. Vejam como se dá as eleições atuais no Brasil, com debates medíocres, ataque com conotações morais, racistas e homofóbicas. Freud já analisava como a estrutura das religiões e o controle do Estado pelas forças armadas moldavam culturas quando escreveu seus textos “Mal-Estar na Cultura” (1930) e “Psicologia das Massas e Análise do Eu” (1921). Trazendo Freud para a atualidade, podemos observar que a produção do mal-estar está sob o poder e o domínio da TI.
Diante disso, como então construir uma forma de viver sem se deixar levar por esta avalanche da Guerra Cultural? Uma pergunta que já não faz sentido para a grande maioria, que já está contaminada, uma vez que a TI passa a ser o colo afetivo de um ambiente de proteção tanto para bebês, crianças, adolescentes e adultos. Winnicott, em seu livro “O Brincar e a Realidade” (Editora UBU ,2019), nos aponta que “...onde há confiança e constância, existe um espaço potencial que se transforma em uma infinita área de separação, que o bebê, a criança, o adolescente ou o adulto podem preencher criativamente (...) transformando ao longo do tempo na fruição do patrimônio cultural.” (Winnicott, 2019, pág. 174). Winnicott faz esta análise atribuindo o ambiente de vínculo afetivo na constituição da estrutura psíquica na primeira infância, dentro do processo de separação da relação mãe/filho e o processo de brincar como elemento de criatividade para elaboração desta separação, que não é possível ao ser humano ser realizada plenamente, mas que evolui ao criar e vai configurar o patrimônio cultural que se dá em laços no coletivo.
Mas, diante do que aqui exponho, a TI que é desprovida de laços afetivos (pois é constituída de maneira robotizada), vai gerar uma desconexão de vínculos que, ao longo do desenvolvimento, se estabelece no coletivo cultural, desencadeando a Guerra Cultural. E a destruição do outro passa pelo potencial de isolá-lo do coletivo que o sustenta, permitindo sua dominação. Assim, até para buscarmos caminhos de como nos protegermos desse processo de alienação e destruição cultural, teremos dificuldades, pois a cultura que está imposta é a anti-cultura e a destruição do sujeito como força no coletivo. O que vale é a autoimagem (face).
Resistência cotidiana: A busca pelo pertencimento e autonomia
Estou tentando driblar este cenário, interagindo com grupos de estudos e desconectando da internet nos momentos fora do trabalho, como almoçar e jantar sem o celular por perto. Também escrevo sem o auxílio da IA, estruturando ideias que vou desenvolvendo entre meus atendimentos clínicos, grupos de estudos e tempos de leituras de livros de diversas áreas, tanto literários como da psicanálise e outras ciências. Escolho filmes e programas que possam somar na minha construção cultural, participo de eventos culturais, visito museus e galerias de arte, pratico esporte e lazer coletivo, descubro territórios e suas populações na sua cultura de raiz, aprendo a fazer produção artesanal, artes manuais, etc. Enfim, toda uma gama de fazeres que possam me defender desta Guerra Cultural, sabendo que, de forma isolada, não vou chegar a lugar algum. Por isso, sempre procuro trazer e me aproximar de pessoas que também vivem a partir desta perspectiva.
E você, como está conseguindo driblar esta emergente Guerra Cultural que surfa na evolução da TI?
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Psicanálise Contextualizada 27/08/2026 13:16:37 188
Aconstrução da dependência digital em tempos de tecnologia da informação eascensão das IAs (Inteligências Artificiais), marca a era da Guerra Cultural.João Cezar de Castro Rocha, em seu livro “A Era de Ricardo III – GuerraCultural Como Método” (Editora Autêntica, 2026), elabora sobre a utilização dosalgoritmos como uma forma de alienar e induzir pessoas ( e até nações inteiras)a pensar de forma un...
Psicanálise Contextualizada 13/08/2026 14:01:31
Pesquisas recentes têm revelado uma forte queda no processo de aprendizado dos jovens por conta do uso de IA ao redor do mundo, seja no ensino fundamental, médio ou superior, levando a um questionamento: Por quê estou iniciando um texto sobre exploração de adolescentes remetendo a pesquisas de perdas no processo de aprendizado? Isso se dá pelo fato de que é evidente que os adultos que estão por trás da tecnologia de informação exploram os adolescentes a partir do fascínio que é traço comportamental dos mesmos com inovações, pensando aqui no ciclo completo da adolescência entre a pré adolescência e a adolescência adulta (entre 11 a 22 anos). Além do fascínio pelas inovações tecnológicas, a necessidade de exercer a lei do mínimo esforço também é um fator determinante, visto que estudar gasta tempo e energia, requerendo muito esforço e dificultando a liberdade para o lazer. E esta característica é explorada para deixar os adolescentes dependentes da IA. Aqui, você pode pensar que isto é um grande exagero da minha parte. No entanto, aponto esta reflexão pelo viés improvável das percepções de exploração dos adolescentes, que por vezes nos leva a não ver as tecnologias como ameaça.
Quando a tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a ser dependência
Sabemos que é pelas tecnologias que os adolescentes são conduzidos a vários tipos de práticas que conduzem à dependência, a maior delas sendo o uso das telas. Se há adultos que acreditam na plena capacidade dos adolescentes em fazerem escolhas livre e conscientes, sem regras e limites compartilhados e monitorados, principalmente com a emergência das tecnologias de inteligência artificial, é porque parece que já estão mal-intencionados em relação aos adolescentes diante dos enormes prejuízos para o processo de potencialidade ao aprendizado. Uma lógica de bestializar para explorar. Não é à toa que o Governo Federal está com muita dificuldade de fazer acontecer o ECA Digital (Estatuto da Criança e Adolescente).
Mas, além das alterações de humor na adolescência inerentes à própria fase de desenvolvimento, também vem os sentimentos de carência afetiva, o que consequentemente traz o apelo à estética corporal com forte apelo libidinoso e à sedução dos adolescentes a partir de suas demandas afetivas para práticas abusivas sexuais. E a exploração sexual adentrando esta flutuação comportamental de alterações de humor por desafetos (principalmente no campo das relações familiares) quando associada à dependência e vulnerabilidade possibilitadas pelas tecnologias, leva a uma reedição moderna da história do Chapeuzinho Vermelho que é atacada pelo Lobo Mau.
Rebeldia, independência e sedução pela transgressão
Também há a exploração pelo traço de intransigência, rebeldia e luta por independência dos adolescentes, traços muito fortes que os adultos frequentemente enxergam como transtornos comportamentais, mas que são normais para a faixa etária. Daí a exploração tanto para a vertente das ideologias políticas quanto da transgressão criminosa. Muitos adolescentes são seduzidos às manifestações e reivindicações políticas sem, no entanto, terem clareza do que estão defendendo. No campo das transgressões, também tem os exploradores do narcotráfico que aliciam muitos adolescentes pela pura emoção que podem vivenciar e pela perspectiva de ganho material rápido. Ambos os perfis estão intrinsecamente ligados.
Ainda podemos citar a exploração por meio das drogas lícitas e ilícitas, que traz uma sedução de oferta que atinge em cheio outro traço da adolescência, que é a demanda por momentos de leveza e estímulos psicoativos. E quem vive em uma realidade brasileira onde o cerceamento de drogas a adolescente é de fato cumprido? Quem está por trás destes ambientes de eventos que atraem os adolescentes, são adultos exploradores. A iniciação às drogas na adolescência aumenta drasticamente o risco de uma dependência patológica na vida adulta, onde o que poderia ser um lazer, um uso recreativo, vira dependência.
Quando a fé é transformada em instrumento de controle
Por fim, quero trazer a exploração religiosa de muitos líderes religiosos que se usufruem do apelativo moral e do pecado para aliciarem adolescentes a uma prática que beira o fanatismo. Esta isca está associada ao sentimento de culpa comum entre adolescentes por seus atos de rebeldia ou transgressão. Como a religião faz laço de vínculo no campo emocional/afetivo, vemos o pecado ser explorado como mecanismo de controle e adolescentes sendo explorados de diversas maneiras, tanto na doutrinação para serem pregadores ou até mesmo vítimas de predação.
São múltiplas as possibilidades de exploração dos adolescentes, decorrente exatamente das diferentes transformações, instabilidades e incertezas pela qual passam por mais de dez anos de transição até a vida adulta. Desta forma, cabe aos pais estarem juntos e acompanhar, estabelecer diálogo de construção de referências de valores conforme acreditam e esperam a seus filhos. Assim, o impacto dos exploradores pode ser menor. Agora, se os pais também praticarem a exploração de adolescentes, especialmente ao ditarem regras rígidas que eles mesmos como pais não conseguem cumprir, ou que vivem em contradição de exemplos a ser seguido, aí não se pode esperar muita coisa.
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Psicanálise Contextualizada 13/08/2026 14:01:31 236
Pesquisasrecentes têm revelado uma forte queda no processo de aprendizado dos jovens porconta do uso de IA ao redor do mundo, seja no ensino fundamental, médio ou superior, levando a umquestionamento: Por quê estou iniciando um texto sobre exploração deadolescentes remetendo a pesquisas de perdas no processo de aprendizado? Issose dá pelo fato de que é evidente que os adultos que estão por trásda ...
Psicologia 05/08/2026 21:48:10
Reconhecer a paternidade de forma biológica diz muito pouco para o estabelecimento de vínculo parental com os filhos. Serve apenas para reconhecimento por direitos, principalmente sobre pensão alimentícia e/ou favorecimento de patrimônio quando o pai biológico vem a falecer. Lógico que ajuda a transparecer para um cidadão a sua real origem genética, o que tem muito valor, sim, para a identidade de uma pessoa.
Porém, a celebração do Dia dos Pais com emoção e memorização da história pessoal de vida no vínculo requer mais do que apenas a identificação biológica. Requer uma conexão que se estabeleceu ao longo dos anos. Mesmo para as crianças ainda bem pequenas, o significado do Dia dos Pais só será motivo de festa se este pai de fato for presença, pois a criança não consegue ter segurança de aproximação por quem antes não se aproxima dela. Sabemos que, se a presença afetiva vale ouro, a quantidade desta presença também faz diferença. Sabemos também que muitos pais trabalham longe de seus lares e/ou são profissionais que cumprem longas jornadas de trabalho, vide caminhoneiros, trabalhadores da construção civil e profissionais de transporte de cargas, assim como aqueles que viajam longe para o trabalho sazonal, como no ramo do agronegócio. Nestes casos, a equivalência de menor tempo de vínculo afetivo é acompanhada pela compreensão dos filhos, os quais entenderão que se trata de uma realidade necessária, desde que o tempo juntos marque a memória afetiva.
Pai não é apenas quem ajuda: é quem participa
No entanto, aquele que se diz pai apenas por ajudar a esposa na providência dos filhos não é pai, mas um ajudante. Pois pai é aquele que cumpre o papel educacional em conjunto. Assim como existe o ajudante de pedreiro que não é um pedreiro de fato, o ajudante parental não é um pai. Pois, além do que já apontamos do que pede ao pai no exercício de seu papel, a conexão é simbólica dentro da Sociedade na qual vivemos. E essa é a razão pela qual uma pessoa não consegue, por muitas vezes, se conectar emocionalmente com o pai, mesmo que esteja em fluxo de convívio cotidiano sob o mesmo teto: A relação do pai com o filho não desenvolveu a simbolização (quando o símbolo pai se encontra com o que se é esperado deste símbolo) que é a conjugação do exercício do papel de pai, levando à paternidade efetiva.
Não existe cartilha para orientar a conjugação da paternidade. Existem, sim, modelos que se configuram no imaginário social e no espectro direto da própria família. Lembro quando, na adolescência, meus filhos chegavam até mim dizendo que o pai de fulano e o pai de ciclano eram diferentes por serem presenças constantes e legais e eu então tentava fazer uma autopercepção de como aquele recado me servia de aviso. Lógico que, por diversas vezes, reproduzimos o modelo dos nossos próprios pais, avôs e também de muitos outros pais existentes na nossa configuração familiar.
Quando prover e proteger já não são suficientes
O maior referencial paterno da nossa Sociedade ainda é baseado na visão tradicional do agente provedor e protetor e na ideia de que o cumprimento desses papéis é suficiente para caracterizar um pai. É uma visão machista e carregada duma masculinidade tóxica que vem da velha realidade dos pais ausentes e acionados circunstancialmente, como escola dos filhos, igreja, associação de moradores, etc. Enfim, os pais que levaram à criação do termo “mães viúvas de maridos vivos”.
Por estes fatores do machismo estrutural em nossa Sociedade, o Dia dos Pais não gera tanta movimentação, pois há um forte distanciamento no núcleo cotidiano das famílias na perspectiva do estar junto de maneira participativa e com vínculo afetivo quando é justamente a aliança deste vínculo que faz cravar o cruzamento emocional entre filho e pai. E também não há fórmula ou modelo neste tópico, pois um pai que não é tão visivelmente carinhoso ainda pode transmitir muito afeto enquanto outro de comportamento altamente caloroso pode não estar transmitindo afeto nenhum, pois o mesmo pode ser funcional, por uma cartilha de conduta. O certo é que, no Dia dos Pais, os sentimentos são múltiplos, desde a ausência total de vínculo com o pai, até o pleno vínculo que faz despertar muita emoção.
Rever a própria masculinidade para exercer a paternidade
Para os pais de hoje, indico que revisitem sua masculinidade e observem se ela está numa ordem machista ou dentro de uma estrutura anti-machista, em que prevalece o estar junto com a mãe fazendo parceria educacional dos filhos, mesmo que já não viva mais com a mãe de seus filhos. Qualquer coisa, pergunte para a sua esposa, mãe ou não, como ela te avalia como pai, sem medo de ouvir a verdade caso seja revelado que pai você não está sendo conforme o que descrevi aqui neste texto.
Se você que lê este artigo é, de fato, um pai que exerce sua paternidade, Feliz Dia dos Pais. Caso não se identifique com o que coloco aqui neste texto, que possa lhe desejar de fato assumir o verdadeiro papel de pai. E, se você que está lendo, for uma mulher que vive com um homem que precisa rever a postura pessoal na perspectiva da paternidade, ajude ele a se enxergar e reposicionar no seu papel.
Agora, se você é filho e já é uma pessoa adulta, e pensa em fazer seu pai entender estas minhas colocações, acho melhor deixar isso de lado, pois questionar os pais depois que já se tornou adulto, torna-se um ato de recalque, revelador de uma frustração pessoal que busca um alvo para atacar. Pode caracterizar uma agressão.
As novas configurações familiares e as diferentes formas de ser pai
Agora, hoje já temos casais homoafetivos que adotam e/ou geram seus filhos. Nestas relações, o papel parental sai dessa bifurcação e o vínculo filial se dá na conjugação coletiva entre o casal e seus filhos. Por isso que os dias dos pais e mães começam a se tornar circunstancialmente excludentes, pois não se aplica mais a todos os casos indistintamente. Dizer que o modelo tradicional é o que dá mais certo é não ver o desastre que acontece na maioria das famílias configuradas por casais heteroafetivos. Diante desta observação, viver o Dia dos Pais também compreende o respeito às diferentes formas de se fazer pai. Lógico que, os pais que não conjugam a paternidade e que simbolicamente não considero pais, também merecem o respeito, pois muitas vezes é a única forma que aprenderam a desempenhar este papel.
De qualquer
maneira, lhes desejo
um Feliz Dia dos Pais.
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Psicologia 05/08/2026 21:48:10 244
Reconhecera paternidade de forma biológica diz muito pouco para o estabelecimento de vínculo parental com osfilhos. Serve apenas para reconhecimento por direitos, principalmente sobrepensão alimentícia e/ou favorecimento de patrimônio quando o pai biológico vema falecer. Lógico que ajuda a transparecer para um cidadãoa sua real origem genética, o que tem muito valor, sim, para aidentidade de uma p...
Psicanálise Contextualizada 28/07/2026 10:50:57
Atualmente, tenho recebido clientes que trazem consigo diagnósticos de “Transtorno Narcisista”, geralmente realizados a partir de consultas psiquiátricas e/ou comentários de pessoas com as quais convivem. Sabemos que, para cada época, novos transtornos mentais vão surgindo e para cada tempo há uma moda diagnóstica. Sobre o tal “transtorno narcisista”, pode-se dizer que ainda não virou moda, mas já há um ensaio para. Particularmente, defendo o máximo possível a não-rotulação comportamental, pois, quando se diz que alguém tem alguma condição ou é algo, fica uma marca na estrutura do sujeito que acaba sendo limitada à manutenção, como se a pessoa não pudesse repensar sua estrutura e fazer escolhas de mudanças.
Hoje, temos um culto de veneração excessiva da autoimagem, estimulado principalmente pelas redes sociais. Vemos pessoas cada vez mais fixadas em se promover para angariar seguidores e/ou para se desapegarem, como se encontrassem satisfação no isolamento, fazendo parecer que existe um aumento de pessoas com o tal “transtorno narcisista”. Porém, temos que entender a estrutura narcísica como algo positivo para a manutenção da identidade, da estrutura do ego pessoal. Freud foi o responsável por associar o mito de Narciso a um conceito que dialoga com a estrutura psíquica, resgatando a lenda do sujeito que se apaixona pela própria imagem a ponto de causar a própria destruição para evocar a noção de que somos resultado de uma construção psíquica que prescinde da necessidade de culto à própria imagem.
O narcisismo além dos diagnósticos
O narcisismo passa por duas etapas bem definidas a partir do pensar psicanalítico: narcisismo primário e narcisismo secundário. No narcisismo primário, temos os primeiros anos de vida da criança nos quais, de fato, tudo está voltado para ela, desde os estágios de anomia à heteronomia para se chegar, enfim, à autonomia e que compreende o período entre seis e sete anos. O narcisismo secundário, por sua vez, nos coloca na dimensão de nos conectarmos com o outro, tanto nas relações diretas quanto indiretas pelas regras, costumes e cultura nas quais se está inserido. Assim, atravessamos fases do narcisismo como parte dum processo evolutivo.
Como estamos em uma cultura totalmente desenhada para o consumo dentro de uma perspectiva capitalista em que a ideia do sucesso como medida de valor pessoal é muito estimulada, temos uma forte tendência de nos aprisionarmos no narcisismo primário, dificultando enormemente nossa evolução para o secundário e a capacidade das pessoas chegarem à plena autonomia. A partir dessa dinâmica, ficamos presos em nossas necessidades pessoais e desconectados do coletivo, nos tornamos isca para a cultura de consumo por precisarmos preencher nossas lacunas existenciais com produtos e com imagens de excelência individual que nos são oferecidos diariamente. E nos enganamos em achar que a estrutura narcísica está associada apenas a pessoas que se vangloriam, pois o narcisismo também faz parte da estrutura daqueles que se fecham em si. Tanto o auto-elogio quanto a baixa autoestima podem estar associados a uma estrutura narcísica primária que não evoluiu. O apego a si mesmo.
A cultura do consumo fortalece o narcisismo?
Diante destas constatações, como sair então de uma estrutura narcísica destrutiva? Se a evolução está na possibilidade de fazermos conexões com outras pessoas, o caminho é buscar estar em ações coletivas, em busca do fazer junto. Como resgata a filosofia da ancestralidade africana que nos diz “Quer ir longe, vá junto. Quer ir rápido, vá sozinho.” A estrutura de auto-preservação emocional e fortalecimento da identidade pessoal está diretamente associada à capacidade de nos entrelaçarmos em redes de apoios.
Assim, não se preocupe caso se perceba narcisista, pois precisa desta posição para existir. Apenas questione se seu narcisismo ainda está preso à estrutura primária de construção de sua identidade (logo, muito voltado para as sua necessidades pessoais apenas), ou se você já se conecta com o outro, com a Sociedade na qual vive e na cultura que te coloca na vivência de seu narcisismo secundário, muito favorável para sua manutenção como pessoa com identidade preservada.
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Psicanálise Contextualizada 28/07/2026 10:50:57 266
Atualmente,tenho recebido clientes que trazem consigo diagnósticos de “TranstornoNarcisista”, geralmente realizados a partir de consultas psiquiátricas e/oucomentários de pessoas com as quais convivem. Sabemos que, para cada época, novostranstornos mentais vão surgindo e para cada tempo há uma modadiagnóstica. Sobre o tal “transtorno narcisista”, pode-se dizer que ainda nãovirou moda, mas já há um...
Psicanálise Contextualizada 23/07/2026 10:56:29
Tenho desenvolvido a “Psicanálise Contextualizada” dentro dos grupos de estudos e pesquisa que você pode conhecer no perfil de Instagram @psicanalisecontextualiza . Neste processo, estamos repensando o processo de escuta na clínica psicológica através da teoria e técnica psicanalítica para a realidade brasileira e latino-americana.
O sujeito nunca está sozinho
Partindo do princípio que 56% da população brasileira é composta de pessoas da diáspora africana e que nosso território é indígena com a ancestralidade dos povos originários, é preciso revermos a forma de pensarmos e escutarmos a subjetividade na nossa realidade. A partir da observação de que a teoria psicanalítica e suas diversas técnicas que, ao longo dos anos, foram estruturadas por diferentes teóricos da psicanálise - desde os pós freudianos até os pós-lacanianos - temos visto que os padrões de estrutura psicanalítica seguem os parâmetros europeus quase em sua totalidade na forma de olhar para a construção da estrutura psíquica a partir das relações de laços familiares na perspectiva do indivíduo e sua individualidade.
As marcas da história na subjetividade
A psicanálise nasce dentro de um contexto familiar fechado, em uma sociedade conservadora dos valores da família, propriedade e poder num contexto em que a Europa saqueava o Continente Africano e os filósofos e psicanalistas desta época pouco estavam conectados com as mazelas que, de fato, a escravidão causava em todo um continente. Tampouco estavam preocupados com os destroços causados pela ocupação de Portugal e Espanha na América Latina e na destruição de seus povos indígenas. Uma psicologia/psicanálise voltada para as tramas psíquicas curativas dentro de uma perspectiva individual.
Pela colonização da América latina, a religião Católica foi o sustentáculo moral para respaldar tamanha atrocidade de invasão e destruição e a estrutura de pensamento e filosofia europeia que tem seu referencial de base estruturante os filósofos gregos, negando o pensamento da ancestralidade africana e indígena, foi mantida. Assim, passados 526 anos da invasão européia em solo latino-americano, temos os ecos presentes de uma cultura indígena arrasada e do processo de escravidão mercantilista que foi utilizado pelos europeus para contingenciar mão de obra escrava gratuita por um período de quase 400 anos. Só agora, entre 2025 e 2026, a ONU reconheceu a escravidão africana como o maior crime da Humanidade.
Diante deste cenário, nos restou a moral cristã com uma variação enorme de estruturas religiosas que já não é apenas católica, mas com forte influência do cristianismo do pentecostalismo estadunidense; como também de uma filosofia que nega o pensamento filosófico da diáspora africana e da ancestralidade indígena. Desta forma, as fórmulas de intervenção na saúde mental nestes territórios estão focadas para um referencial familiar nuclear centrada no espectro da relação direta de parentescos e num olhar individualizado da subjetividade.
Nossa perspectiva de escuta, passa pelo sujeito a construção coletiva de identidade, como nos aponta David Pavón-Cuéllar em seu livro “Além da Psicologia Indígena” (Editora Perspectiva, 2022), no qual pontua o “ente sociocultural”. Ou seja, não uma pessoa “abstrata e isolada”, mas compreendida tal qual somos, como “nós”, como “todos” e “os demais”, como uma comunidade na própria individualidade (...) É um indivíduo entendido como ser individualmente comunitário...” (Cuéllar, 2022 pag 43). O ponto no qual o comunitário se torna individual. Sendo assim, o sujeito latinoamericano não pode ser escutado apenas pela sua individualidade, tampouco conseguindo existir nos parâmetros da individualidade europeia. Este padrão de pensar e ser europeu é causa primária, a meu ver, das atuais desestruturas comportamentais e sofrimentos emocionais dos povos na América Latina, incluindo no Brasil.
Além disso, temos um alto contingente de cidadãos descendentes da diáspora africana, representando 56% da população brasileira, a qual, por si só, também tem em sua ancestralidade o indivíduo no pertencimento de um espectro comunitário. O que fez Antônio Bispo preconizar a libertação do povo oprimido no Brasil pelo resgate do modelo quilombola que pode nascer das comunidades periféricas das cidades brasileiras, nas quais 70% da população é originária da diáspora africana. Aqui, onde a subjetividade pode ser resgatada pelo coletivo, do ser no coletivo, que é comum tanto na ancestralidade indígena como africana.
Grada Kilomba, Psicóloga portuguesa e estudiosa da diáspora africana, traz em seu livro “Memórias da Plantação – Episódios de Racismo Cotidiano” (Editora Cobogó - 2019) pequenos detalhes de manifestações racistas que colaboram para percebermos nosso racismo estrutural. Na sua escrita, faz emergir experiências vividas pelos membros da diáspora africana na Alemanha - notadamente um episódio no qual uma jovem negra adotada por um casal alemão que achava estranho que, ao cruzar com outras pessoas negras, estas sorriam para ela, sem que a mesma as conhecessem. A jovem não entendia o por quê estas pessoas negras sorriam para ela, mesmo tendo sido criada com a rigidez da família alemã de só cumprimentar pessoas conhecidas. O fato é que, naqueles sorrisos que se cruzavam, havia uma identificação pela ancestralidade africana, pela pertença comunitária desta ancestralidade e por todas as dores do processo de escravidão no Continente Africano, que remetia os negros alemães um senso de identificação. Neste cenário apresentado, Grada Kilomba conclui: “...De fato africanas/os do continente e da diáspora foram forçadas/os a lidar não apenas com o trauma individual, mas também com o trauma coletivo e histórico do colonialismo, revivido e reatualizado pelo racismo cotidiano...” (Kilomba, 2019 – pag 211).
Escutar além do indivíduo
Não podemos nos prestar a uma teoria e técnica psicanalítica sem a revisitarmos e percebermos o quanto ela está a serviço da manutenção do status quo ocidental e do imaginário de poder da elite latino-americana. Não é uma questão de descarte, pois de alguma forma, a psicanálise foi questionando a forma de viver na cultura europeia desde seu princípio, apenas não conseguindo olhar para além de seus referenciais culturais ocidentais colonialistas. A questão aqui é a saída deste olhar, do pensar e do escutar do indivíduo que se conecta com os seus mais próximos no núcleo familiar e partir para a percepção das estruturas psíquicas enlaçadas no coletivo, na ancestralidade dos povos que compõem o nosso continente. Reencontrar com o inconsciente na história da diáspora africana e indígena, reelaborar o pensamento filosófico não como sabedorias isoladas, mas como elementos estruturais dos povos que aqui fazem História para não incorrermos nas repetições patológicas decorrentes do processo colonizador. Uma psicanálise que faça resgatar a força do coletivo na construção de uma sociedade antirracista e cujo valor emocional estará preservada no resgate histórico.
Uma escuta que favoreça a subjetividade latino-americana conectada com a diáspora africana poderá ser a possível cura das insanidades colonialistas de nossa história.
Tenho dito aos que supervisiono nos atendimentos clínico e grupos de estudos que nossa escuta tem que ser georreferenciada e historicizada, colaborando para que os indivíduos se identifiquem pertencentes a um coletivo historicamente e no presente, por ações antirracistas e que nos liberte das opressões e nos faça pertencentes e partícipes do bem comum que foi sendo construído em nosso continente ao longo da história, mas ficou restrito a poucos.
Também Cuéllar e Parker no livro “Psicanálise e Revolução”, editora Autêntica 2025, refletem sobre a possibilidade de a psicanálise, fazendo uma reviravolta sobre seu olhar e remodelando sua técnica de interferência analítica tanto para o social como para o espectro clínico, pode sim adentrar na subjetividade dos povos que originariamente são alicerces na América Latina como os legítimos proprietários deste amplo território e dos povos que aqui chegaram pela escravatura mercantilista impetrada pelos portugueses e espanhóis que constituíram a diáspora africana neste amplo continente, quando argumentam: “Precisamos tratar nossas enfermidades como um sintoma da vida que levamos e não como uma indicação de nossa patologia pessoal. "(…) De fato, das diversas aproximações psi à subjetividade, a psicanalítica é a que melhor consegue apreciar o papel da “reprodução social” social na replicação material das estruturas coloniais e familiares a serviço do capital” ( Parker; Cuéllar - 2025, pg 125).
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Psicanálise Contextualizada 23/07/2026 10:56:29 245
Tenhodesenvolvido a “Psicanálise Contextualizada” dentro dos grupos de estudos epesquisa que você pode conhecer no perfil de Instagram@psicanalisecontextualiza . Neste processo, estamos repensando o processo deescuta na clínica psicológica através da teoria e técnica psicanalítica para arealidade brasileira e latino-americana. O sujeito nunca está sozinho Partindodo princípio que 56% da população ...
Psicanálise Contextualizada 08/07/2026 22:24:16
Nossa vida é pautada pelo retorno contínuo ao passado. Vivemos na perspectiva de nossas histórias pessoais de vínculos afetivos e construções sociais pelas relações culturais, econômicas, políticas e religiosas. Somos o resultado de uma história. Infeliz aquele que não consegue acessar a própria história pessoal.
O passado como referência, não como prisão
Assim, vivemos mergulhados no passado, e, se não tomarmos cuidado, podemos ficar presos neste. Mas, como um livro de história que abrimos de vez em quando para entender um capítulo e depois retorná-lo à estante - e, em tempos digitalizados, recorremos aos arquivos de nossos computadores e/ou nuvens - nosso retorno às nossas histórias deve seguir a mesma estrutura de pesquisa, pois, se carregarmos debaixo do braço o livro da história de nossa vida, ficamos preso no passado.
Na perspectiva de estrutura psíquica, funcionamos com três elementos importantes dentro da perspectiva da psicanálise: Retorno ao passado, regressão e repetição. No retorno, é o processo continuado de nos localizarmos no hoje em função de uma história construída. Aqui estão os fatos, memórias de eventos que muitas vezes vêm à lembrança a partir de influências de relatos de pessoas que conviveram conosco ao longo de nossa história e até mesmo quando vemos registros do passado. Muitas vezes, ao relembrarmos o passado, de alguma forma o fazemos com uma boa pitada de imaginação e fantasia. No processo da psicoterapia de base psicanalítica, geralmente os analisandos comentam no início do processo que não lembram de nada da infância, mas, ao longo do processo, acabam trazendo cenas que até então pareciam desaparecidas.
A regressão: Quando as emoções nos levam de volta
Temos então o processo de regressão, que nos faz retornarmos ao passado dentro de uma perspectiva emocional, onde, ao pontuarmos momentos movidos de muita emoção, temos a tendência de regredir em pontos que nos remetem a uma semelhança emocional - Como nos casos em que estamos diante de um bebê e nos comunicamos com ele na sua linguagem, regredindo inconscientemente à nossa infância e/ou emoções que deixaram marcas no nosso existir. Podemos regredir para um processo de fixação a sentimentos de episódios traumáticos e/ou de momentos e sensações prazerosas de vínculo afetivo. No primeiro processo, por demandas traumáticas, teremos sintomas manifestos no presente que representam quadros patológicos e, nos processos de regressões que nos remetem à vínculos afetivos favoráveis, teremos a manifestação de força e estabilidade emocional. Sabendo que somos estruturados para processos regressivos que aportam traumas e demandas favoráveis, dificilmente teremos um indivíduo que se apresente apenas com processos regressivos positivos ou não-traumáticos.
No que diz respeito às repetições, podemos observar estas com mais clareza dentro do processo da psicoterapia de base psicanalítica, ou em um processo analítico livre, pois a escuta analítica está totalmente conectada com a ideia de levar o analisando a observar as suas próprias. Não necessariamente de cenas ou episódios, mas da estrutura do sentir. Mesmo que o psicólogo/analista tenha clareza do que está sendo repetido, é pelo analisando que estas percepções precisam ser elaboradas. Neste processo, pode acontecer o insight da estrutura que está sendo repetida e, assim, abre-se caminho para a pessoa analisada entender como funciona emocionalmente e elaborar seu existir no presente. O Psicanalista Juan David Nasio apresenta este processo de forma bem clara no livro “Por Que Repetimos Os Mesmos Erros” (Editora Zahar, 2014), no qual afirma que “...o inconsciente é estruturado como um automatismo de repetição.” (Nasio -2014 - pag 86).
O papel da Psicoterapia Psicanalítica
Dentro de um processo analítico, estes três elementos se manifestam de forma contínua e concomitante. O retorno à história que pode trazer elementos de dados reais e/ou construções do resgate histórico de forma fantasiosa ou imaginativa, tendo assim, aspectos conscientes e inconscientes. Já o processo regressivo, mobilizado por elementos emocionais, acontece dentro de uma perspectiva inconsciente. Por final, o processo de repetição, que não diz respeito apenas à repetição de fatos e/ou temas, mas também a uma estrutura emocional, igualmente segue por caminhos inconscientes. Como a análise é o processo que pode levar um analisando a acessar a história de seu inconsciente, todo processo será elaborado na medida que se tem acesso e conexão com os sintomas que o levaram ao processo de psicoterapia. E, com os insights, pode levar a uma capacidade de autopercepção e ciência da sua estrutura emocional. Não há mudança de pessoa, mas sim o entendimento de quem se é.
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Psicanálise Contextualizada 08/07/2026 22:24:16 247
Nossavida é pautada pelo retorno contínuo ao passado. Vivemos na perspectiva denossas histórias pessoais de vínculos afetivos e construções sociais pelasrelações culturais, econômicas, políticas e religiosas. Somos o resultado deuma história. Infeliz aquele que não consegue acessar a própria históriapessoal. O passado como referência, não como prisão Assim,vivemos mergulhados no passado, e, se não...
Psicanálise Contextualizada 02/07/2026 09:27:19
O que é uma dependência emocional? Em linhas gerais, é quando uma pessoa necessita algo que não consegue ficar sem na sua vida e esta necessidade se manifesta na forma de um hábito. Uma necessidade que gera abstinência e sintomas comportamentais diversos quando 1se tenta sair da dependência, desde ansiedade, depressão e até agressividade.
Como a dependência emocional se desenvolve?
O apego a hábitos e/ou coisas que geram dependência emocional é característico da estrutura psíquica do ser humano. Um dos motivos para esta tendência humana é a configuração da nossa estrutura de pensar e construir simbolização, por meio da qual as pessoas vão se desenvolvendo em processos de laços afetivos ao longo das diversas etapas do desenvolvimento. E, para cada etapa de vivências, perdas ou aquilo que denominamos castrações na teoria psicanalítica, há uma necessidade de preenchimento do vazio gerado pela perda. Françoise Dolto, em seu clássico livro “A Imagem Inconsciente do Corpo”¹, traz com clareza as diferentes castrações que o ser humano passa ao longo de sua existência. Isso é evidenciado principalmente na primeira infância, onde os processos de perdas que remetem a uma forte necessidade da criança estar cercada de suporte afetivo desde o nascimento são mais acentuados, com estes processos sendo reeditados ao longo de toda a vida.
Assim, cria-se a necessidade de ser recompensado pelas perdas sofridas, gerando um ciclo de produção de vazio que sempre estará fomentando a necessidade de ser suprido emocionalmente. Sempre estamos agindo por conta de uma sensação de vazio e, neste vazio, vamos fixando apegos a hábitos que nos dão a ilusão de que estamos sendo supridos emocionalmente. No entanto, são hábitos que remetem a uma sensação imediata de prazer. Por isso, podemos afirmar que criamos dependência emocional por algo que é bom e que cada pessoa vai criando suas necessidades e dependências. Quando julgamos que uma dependência seja algo ruim, caímos na armadilha de nos culparmos sobre a dependência criada, gerando mais compulsão ainda para o processo de repetir o hábito da dependência.
Os principais hábitos que favorecem a dependência emocional
Na atualidade, temos alguns hábitos que mais fixam dependência, sendo que, em cada época, observa-se tendências diferentes. Vou enumerar aqueles que julgo mais comuns e suas artimanhas e/ou elementos que favorecem para o estabelecimento de uma dependência emocional:
1) Começo com a dependência emocional do uso do celular, a terceira mão de nosso corpo hoje em dia. O principal fator que nos faz fixarmos ao uso dependente do celular é a facilidade de nos conectarmos com o mundo, que começa com a clássica defesa de que é necessário estar conectado com os parentes mais próximos ou com o trabalho.
2) As Bets de aposta, principalmente no campo esportivo, que alimentam hoje os principais times de futebol no Brasil. A fixação de dependência às Bets se dá principalmente pelo desejo que se tem em ficar rico, e, no jogo, fixa-se a sensação de que esta possibilidade está ao alcance. O mecanismo de todas as plataformas de Bets é de favorecer o jogador nos primeiros lances de jogo, remetendo a ganhos financeiros que desenvolvem o gatilho de querer ganhar cada vez mais e levam a perdas sucessivas para que a empresa sempre ganhe.
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3) Canetas emagrecedoras, o recurso que faltava para emagrecer. No começo, até se tem orientação médica para poucos, mas, depois que o usuário afere um resultado favorável, começa a gerar a necessidade de uso contínuo e em doses cada vez mais elevadas. Mesmo que o corpo já chegue a um perfil magérrimo, o uso passa a ser de prevenção para não engordar.
4) Alimentos, geralmente compostos por substâncias de fixação de paladar que fazem com que o sabor do alimento dê a sensação de preenchimento do vazio interno no ciclo de estrutura psíquica, levando a uma dependência.
5) Pornografia, que tem a mágica pontuação do prazer genital e de uma resposta de prazer mais rápida, gerando a compulsão do retorno a partir do alívio e da sensação de preenchimento. Com a pornografia, também ocorre a necessidade de avançar em investidas mais profundas, pois a dinâmica da pornografia é desenvolver a busca de sensações cada vez mais bizarras de prazer sexual, levando até às plataformas adultas com vídeos de interação ao vivo, mas sem contato presencial. Uma prostituição indireta que leva o usuário a gastar altas cifras para poder liberar vídeos e mais vídeos com profissionais do sexo virtual.
6) Drogas ilícitas que, por serem proibidas no Brasil, acabam sendo um forte estímulo para se cair nelas a partir do prazer da transgressão. Podemos citar a maconha e a cocaína, que laçam as pessoas pelas sensações psicoafetivas, assim como as drogas mais alucinógenas ou psicoativas, que laçam as pessoas no prazer de uma forte emoção pontual. Há um gatilho comportamental ao uso, por fixar uma sensação emocional ao usar a droga.
7) O Álcool, que tem na estrutura física a possibilidade da pessoa criar uma dependência, tornando-se portadora de uma doença incurável (alcoolismo). Geralmente laça jovens que têm acesso livre à bebida alcoólica antes dos 21 anos, criando uma relação de fixação de necessidade de uso da bebida alcoólica de forma estrutural física. Sendo o alcoolismo uma doença muito associada a fatores genéticos, pode também laçar a dependência quando se inicia na bebida por necessidade de se abrir à comunicação, como é o caso dos que se auto intitulam tímidos e/ou introspectivos.
8) O Tabaco, que laçou no passado pela intensa publicidade e, agora, mesmo com restrições de divulgação romantizada, pela sensação de alívio da ansiedade, sendo que já na segunda tragada, vem a necessidade compulsiva de se fumar. Mas vejam, há um gatilho comportamental ao uso, e depois uma dependência que passa a ser química.
Como reconhecer que existe uma dependência?
Agora, como sair de uma dependência emocional? Este é o grande desafio. O primeiro passo começa pelo reconhecimento de que se é dependente, movimento que geralmente ocorre apenas quando já se está no fundo do poço ou tendo alguma alteração fisiológica ou comportamental de extrema gravidade. Muitas vezes, os familiares e amigos apontam para a pessoa buscar um tratamento para romper com a dependência, mas o dependente não aceita, apresentando sempre uma justificativa do tipo “é a ultima vez..” ou “Uso socialmente ou na forma de lazer”. Porém, quando o mesmo tenta romper com a dependência, não suporta a abstinência. Um dos argumentos que desenvolvo com pacientes que me procuram para tentar sair de uma dependência é a prática da abstinência. Caso haja efeitos de ansiedade generalizada, depressão aguda ou até mesmo traços de agressividade, fica claro que já está configurada uma dependência emocional.
Há casos em que o processo de psicoterapia consegue ajudar a sair de uma dependência por si só. Há situações em que, pelo fato de que a abstinência causa muita alteração comportamental, é necessário o auxílio de medicação psiquiátrica e a psicoterapia consorciada. Mas, em todo tipo de dependência, conforme pontuei as mais comuns acima, se não houver a abstinência daquilo que gera a dependência emocional, nenhum tratamento conseguirá evoluir para o ponto almejado.
Diante dos oito tipos de hábitos propensos a criar dependência emocional que apontei neste artigo, analise se você se enquadra em um deles ou está a caminho de criar dependência por algum deles. Avalie e, se estiver enquadrado em algum, procure o processo de abstinência. Se não conseguir por conta própria, procure ajuda psicológica. Comece logo este caminho de se libertar de uma dependência emocional, pois, do contrário, o tempo vai gerar uma cronificação, ou melhor dizendo, uma cristalização da dependência. Aí o resultado será catastrófico.
1 (1) Dolto, Françoise - “A Imagem Inconsciente do Corpo” - Editora Perspectiva , 2017
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Psicanálise Contextualizada 02/07/2026 09:27:19 280
Oque é uma dependência emocional? Em linhas gerais, é quando uma pessoanecessita algo que não consegue ficarsem na sua vida e esta necessidade se manifesta naforma de um hábito. Uma necessidade que gera abstinência e sintomascomportamentais diversos quando 1se tenta sair da dependência, desdeansiedade, depressão e até agressividade. Como a dependência emocional se desenvolve? Oapego a hábitos e/ou...
Psicologia 11/06/2026 15:07:25
O conceito de Interfantasmatização foi cunhado pelo psicanalista conjugal Alberto Eiguer no livro “Um Divã Para a Família”*, no qual discorre sobre as influências que as famílias de ambos os cônjuges exercem na construção do vínculo amoroso como fator que pode ser motivo de fortalecimento ou destruição do casal.
Na perspectiva de destruição de um relacionamento, a interfantasmatização se dá pelo fato do casal se constituir sem adentrar na história familiar um do outro. Dentro de um relacionamento que nasce no vulto de uma paixão e que não potencializou se quer conhecer as famílias. Quando o casal decide se unir plenamente e morar juntos, começam a aparecer comportamentos inesperados, com o agravante da interferência dos familiares. Porém, pode acontecer a interferência negativa mesmo o casal tendo plena noção dos familiares um do outro, com este conhecimento a serviço de ataques do tipo “...nossa, é grosso como seu pai...” ou “...medrosa como a sua mãe” quando o casal entra em uma briga. Entra-se num ciclo de atacar os parentes do outro ou negar a família do parceiro, impedindo vínculos.
Construindo uma identidade conjugal própria
Já no processo de suporte à estabilidade do vínculo amoroso no casamento, a interfantasmatização pode representar um elemento de alerta ao casal, para identificarem quais são as interferências familiares que estão manifestando no conflito conjugal. É o processo de conhecer para não repetir a história do outro, assim como de seus pais, irmãos e parentes. Quando o casal se encontra diante de uma cena regressiva - isto é, que os leva ao ninho de onde vieram - e se conflitam pela nova perspectiva de construir um relacionamento com identidade própria, param para observar a regressão e se recolocam na escolha que fizeram. Este processo de repetir a história dos pais ou familiares é quase que parte contínua do processo da estrutura psíquica de cada pessoa que, na relação conjugal, aflora mediante momentos de crises por diversos motivos e/ou sentimentos de perdas afetivas, etc.
Podemos traduzir a interfantasmatização como os fantasmas que rondam a vida conjugal e que, se não forem revelados e confrontados, acabam virando fantasmas à espreita atrás das cortinas para assolar e fazer regredir - Como acontece com as crianças que, diante do terror noturno, correm para a cama dos pais. Se tais fantasmas ficarem no campo do terror, o casal não conseguirá entender que aquela fantasmagoria não existe ou não pertence a eles.
Assim, a interfantasmatização é a interação e inter-relação dos inconscientes que coabitam conjugalmente. Diante de casais que, amadurecidos, já conseguiram romper com seus pais de forma emocional, a interfantasmatização pode representar um benefício. Um alerta para que o casal volte à sua escolha original de estarem casados. Mas, quando o casal não consegue ter autonomia diante dos familiares, ou não fizeram escolha livre para a vida conjugal prevalecendo a escolha por conhecimento tanto do cônjuge como de toda sua estrutura familiar, a interfantasmatização será como um filme de terror, em que a relação está sempre sujeita ao pânico e à pane completa.
O papel da psicanálise na escuta do casal
Muitos que tramitam na psicanálise como teoria e técnica questionam sobre a análise de um casal, geralmente porque nunca ousaram atender casais com o instrumento da psicanálise. Como atendo casais há pelo menos 38 anos, tenho plena convicção que a psicoterapia de base psicanalítica traz muitos efeitos de fortalecimento dos laços conjugais. Um dos principais elementos na análise é conduzir o casal a ouvir este processo de interfantasmatização para poderem elaborar crises decorrentes deste mecanismo. Quando o casal não tem medo de encontrar com os fantasmas de um e do outro. É deixar interfantasmatizar. Diante desta prática recorrente, não resta nada a dizer senão “Vida longa ao casal”.
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Psicologia 11/06/2026 15:07:25 282
Oconceito de Interfantasmatização foi cunhado pelo psicanalista conjugal AlbertoEiguer no livro “Um Divã Para a Família”*, no qual discorre sobre as influências que as famíliasde ambos os cônjuges exercemna construção do vínculo amoroso como fator que pode ser motivo defortalecimento ou destruição do casal. Naperspectiva de destruição de um relacionamento, a interfantasmatização se dá pelo fato do...
Psicologia 27/05/2026 08:42:20
Somos usuários vorazes das telas, passando horas por dia imersos nelas sem pausas. No entanto, quando paramos para pensarmos na possibilidade de sermos dependentes, surge a dúvida: Será que as telas causam dependência mesmo?
Primeiro, vamos entender a dependência como aquilo na qual não conseguimos ficar sem, dentro de uma perspectiva de costumes e hábitos. Também é necessário entender que a dependência é a ausência de autonomia, uma muleta existencial sem a qual não conseguimos nos mover. Sabemos que somos dependentes de algo quando não conseguimos nos abster.
Negar é parte da dependência
Assumir uma dependência, de fato, não é tão fácil. Geralmente, o dependente sempre vai dar uma justificativa, tipo “eu bebo bebida alcoólica socialmente”. No caso das telas, vem sempre com o argumento “mas preciso estar informado”, “meus filhos podem me ligar”, “vejo pouco, só o necessário”, entre outros tantos. Mas, na maioria das vezes, ao olhar para o tempo de uso do celular, a média ultrapassa muito aquilo que a pessoa argumenta em sua defesa.
Mas por que as telas causam dependência? Pelo fato de que os conteúdos que nelas assistimos são muito dinâmicos, visualmente atraentes e nos colocam antenados no mundo em segundos. Conteúdos prontos que não exigem esforço de busca. Também, pelo fato de que temos uma região do cérebro (o hipocampo) que associa prazer às imagens e, com o uso excessivo de telas, sentimos a necessidade deste prazer decorrente. E por telas, me refiro a todos aparelhos eletrônicos que nos colocam em contato com imagens, como: tv, celular, tablet, laptops, etc.
Sinais de alerta
E como você pode identificar se já está no grupo dos dependentes de telas? É relativamente simples: Quando seu celular está distante de você, sente uma ansiedade como se estivesse faltando algo? Fica muito tempo rolando telas sem se fixar a algum conteúdo e não sabendo definir o que busca, passando horas nesta ação? Se pega fixado a programas, séries ou filmes, assistindo vários num mesmo dia? Deixa de sair por alguma programação televisiva e se pega madrugando em jogos e ou vídeos de conteúdo?
Os sintomas psíquicos da dependência que observo com mais frequência são: Baixo desejo de busca de conhecimento, perda de memória e diminuição do potencial cognitivo, isolamento social, perda de afetos e vínculos afetivos e, consequentemente, depressão e/ou ansiedade. Diante da presença dos comportamentos e sintomas psíquicos listados acima, você deverá se fazer as seguintes perguntas: Desejo não desenvolver a dependência das telas? Apresento algum comportamento e/ou sintoma acima descrito?
O primeiro passo para sair de uma dependência é reconhecer que se é dependente. Para tomar atitudes preventivas, é necessário reconhecer que, sim, as telas causam dependência. A partir daí, colocar pelo menos alguns critérios de prevenção, como: Limitar tempo diário de uso das telas; Intermediar ações sem telas e, nos dias de descanso, ficar longe delas e buscar ações que exijam de você um gasto de energia corporal; Não colocar telas no quarto para que, além de prevenir a dependência das telas, evitar o distúrbio do sono; Aumentar as atividades manuais e as interações sociais presenciais, principalmente em dias de descanso e/ou após o trabalho.
A partir desta percepção sobre dependência de telas e estas poucas dicas de prevenção, se partir para escolher não ser uma pessoa dependente (logo, autônoma e dona de suas escolhas), estará fazendo uma grande diferença nesta aldeia global de alienados e limitados.
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Psicologia 27/05/2026 08:42:20 282
Somosusuários vorazes das telas, passando horas por dia imersos nelas sem pausas. Noentanto, quando paramos para pensarmos na possibilidade de sermos dependentes,surge a dúvida: Será que as telas causam dependência mesmo? Primeiro,vamos entender a dependência como aquilo na qual não conseguimos ficar sem,dentro de uma perspectiva de costumes e hábitos. Também é necessário entenderque a dependência...
Psicanálise Contextualizada 20/05/2026 07:43:30
Ao adentrar a vida idosa, as pessoas se deparam com uma perspectiva construída pela sociedade de consumo e focada na produtividade que carrega a ideia de declínio, quase esperando a morte chegar. Logo aos 60, ainda não se tem muito esta perspectiva. No entanto, adentrar os 70 anos de fato pode representar a entrada numa reta final, visto que a expectativa de vida para mulheres brasileiras é de 80 anos e 73 anos para os homens. A partir desta perspectiva,o idoso passa a ser visto como uma pessoa descartável. Poucas pessoas jovens estão preocupadas com a chegada da velhice e, pior, quase não a consideram. Geralmente, os idosos não são respeitados, salvo algumas exceções. E esta é uma realidade que alcança toda a Sociedade, se dando principalmente nas gestões públicas.
A psicoterapia como espaço legítimo de fala e escuta
Diante deste cenário, a psicoterapia de base psicanalítica pode ser um espaço privilegiado de fala e escuta. Um espaço que traz a garantia de uma fala permitida e uma escuta autorizada e, com a teoria e técnica da psicanálise, a pessoa terá um ambiente de elaboração respeitoso e sem barreiras, sem repressão e com garantia de sigilo. Minha experiência com atendimento a idosos é sempre muito agradável, pois chegam com histórias para contar e maturidade para elaborar. Porém, ainda é uma realidade pouco aplicada para esta demografia por remeter à ideia antiga de que a psicoterapia serve para tratar doenças emocionais ou para “loucos”, muitas vezes não sendo incentivada pelas famílias, as quais enxergam os idosos como indivíduos já na etapa final da vida.
A escassez de cuidado psicológico voltado à população idosa
Outro aspecto importante diz respeito ao fato de que os espaços de atendimento psicológico no sistema público de saúde são escassos e só atendem precariamente aos que chegam com encaminhamento psiquiátrico e, no âmbito particular, ainda se prioriza o consumo pessoal como mecanismo de elaboração da idade. Nas minhas clínicas, geralmente os idosos que chegam são encaminhados pelos familiares, quase sempre por demandas jurídicas, para verificar a idoneidade cognitiva da pessoa idosa. Aqueles que procuram esta modalidade para se analisar espontaneamente são aqueles que conhecem a psicanálise, são psicanalistas, ou pessoas que têm uma vida intelectual ativa. Os benefícios da psicoterapia a partir dos 60 são muitos, e trago aqui alguns deles que percebo com maior relevância, tais quais:
1) Reencontro com a própria história, princípio básico para seu auto entendimento;
2) Reencontrando-se com sua história pessoal e ancestralidade, poderá não reproduzir erros e/ou experiências que não somaram favoravelmente ao seu bem-estar emocional. Este fator é relevante pois, na fase idosa, temos a tendência de repetirmos compulsivamente erros passados e/ou liberar comportamentos que foram reprimidos no passado;
3) Reconstruir a perspectiva do hoje e de um amanhã com projetos vitais, respeitando os limites inerentes à idade. É um espaço para poder projetar desejos ainda não-realizados para que desejos novos possam brotar;
4) Pela maturidade que vem com a idade, o processo tem uma melhor potencialidade de elaborações, insights e interpretações. Podendo ter inclusive uma durabilidade menor;
5) O fortalecimento da estrutura emocional para um envelhecer com vitalidade.
Envelhecer também é continuar elaborando a vida
Diante destes benefícios, quiçá tenhamos em breve maior número de sexagenários e acima na busca por um processo de psicoterapia, o qual vai para além da necessidade de curar um transtorno emocional. Se há um investimento que pode colaborar imensamente na Sociedade, é a ampliação de redes de apoio e escuta aos idosos. Pois uma Sociedade que tem nos seus idosos uma fonte de consulta e aparato histórico, tem um tesouro preservado: O tesouro da História preservada e elaborada.
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Psicanálise Contextualizada 20/05/2026 07:43:30 262
Aoadentrar a vida idosa, as pessoas se deparam com uma perspectiva construídapela sociedade de consumo e focada na produtividade que carrega a ideia dedeclínio, quase esperando a morte chegar. Logo aos 60, ainda não se tem muito esta perspectiva. No entanto,adentrar os 70 anos de fato pode representar a entrada numa reta final, visto que a expectativa de vida para mulheresbrasileiras é de 80 anos ...
Psicanálise Contextualizada 13/05/2026 21:09:05
Participando de um congresso de psiquiatria voltado para crianças e adolescentes, um profissional da área verbalizou que a psicanálise tem pouco a oferecer no campo do atendimento infantil. Paradoxalmente, em seguida à fala deste médico, aconteceu uma mesa exatamente sobre como a psicanálise trabalha com crianças e adolescentes.
Também observo que há uma grande resistência dos pais em entenderem a importância do processo psicoterapêutico para crianças e adolescentes - principalmente quando não se tem um sintoma que caracteriza um transtorno emocional ou quadro neurodivergente - e, quando buscam algo neste campo por reconhecer o valor, já o fazem com a indução médica pré-concebida de uma psicoterapia comportamental cognitiva.
A construção teórica da psicanálise para crianças e adolescentes
A Psicanálise tem sua estrutura teórica bem delimitada para o acompanhamento de crianças e adolescentes, desde sua difusão a partir de Anna Freud (filha de Freud) até tomar força com as pesquisas e sistematizações de Melanie Klein, passando pelas estruturações de Winnicott e seu foco na percepção da família e dos vínculos afetivos até chegar nos exponentes psicanalistas Mauricio Knobel e Arminda Aberastury. Minha clínica se pauta por estes nomes e, atualmente, tenho traçado uma construção teórica e técnica dentro do que estou denominando Psicanálise Contextualizada, que você pode ter acesso pelo Instagram @psicanalisecontextualizada.
A psicoterapia psicanalítica para crianças e adolescentes traz a vantagem de ser um processo que leva o indivíduo a ter acesso ao seu inconsciente, e desfrutar da visita à sua estrutura psíquica histórica, se localizando nas diferentes formas e tipos de vínculos afetivos que se dão no ambiente familiar e no meio externo. É uma técnica da escuta e devolutiva daquilo que o próprio paciente não está vendo, favorecendo uma elaboração por parte do próprio paciente através do processo transferencial e da interpretação que gera um insight de entendimento - diferente das psicoterapias que apenas dão poder ao psicólogo, tornando o paciente dependente para agir por meio de uma cartilha de conduta. Desta forma, não tenho dúvidas da eficácia superior da psicoterapia de base psicanalítica em relação a outras teorias e técnicas, uma vez que as metodologias empregadas sejam devidamente reconhecidas pelo sistema Conselho Federal de Psicologia.
Tratamento contínuo ou processo com começo, meio e fim?
Sendo assim, questiona-se a razão pela qual muitos profissionais induzem os pacientes crianças e adolescentes para o processo cognitivo comportamental enquanto desconsideram a psicanálise com o apoio dos familiares. Após 35 anos de atuação continuada na área, chego à conclusão que, pela terapia cognitiva comportamental, os pacientes ficam vinculados a um processo de manutenção e monitoramento da estrutura patológica, fazendo com que a alta psicoterapêutica (e até medicamentosa) não seja objetivo do tratamento. Já na psicoterapia psicanalítica, o processo está vinculado a um processo com início, meio e fim, visto que o final de uma análise é programada na intervenção com crianças e adolescentes - diferente dos adultos, que podem escolher continuar em análise. Porém, tenho dialogado com poucos psiquiatras e neurologistas que reconhecem a psicoterapia psicanalítica como uma teoria e técnica científica e que são parceiros no processo de tratamento, o qual requer uma melhor relação profissional. Muitas foram as situações em que psiquiatras me solicitaram melhor avaliação de crianças e adolescentes para verificar a necessidade ou não de serem medicados.
Porém, pensando dentro do espectro da clínica com crianças e adolescentes pelo viés da psicanálise, aponto aqui sua eficácia por ser focada na condução dos pacientes ao autoconhecimento, ao entendimento da própria estrutura psíquica e a conseguirem se posicionar diante dos pais, familiares e adultos sem perder a própria identidade. Falando em identidade, é bom lembrar que, aqui, temos que entender a identidade a partir da faixa etária de cada paciente, não confundindo com a identidade do adulto que tem mais chance de estar solidificada e, aliás, torna a análise do adulto mais difícil pela resistência. Por isso, na minha percepção e prática, não é prático pensar a psicoterapia sem estar atento às teorias do desenvolvimento nas suas diferentes etapas da vida. Sempre que atendemos crianças e adolescentes, a primeira pergunta que deve vir à cabeça é qual a idade do sujeito, pois há várias fases do desenvolvimento da criança, assim como do adolescente.
Desta maneira, a psicoterapia para crianças e adolescentes precisa ter a adaptação da técnica conforme a idade. No caso de crianças até aos 12 anos, o objeto da escuta é o brincar, a imaginação da criança construída em sessões de interação com os brinquedos; já nos adolescentes, o falar faz muita conexão dentro de uma perspectiva de um discurso que joga com as palavras, elemento que traz tensão à relação com os pais, mas pode ser elemento de construção de si na análise. Em ambos os casos, é a mesma teoria (as tramas de trilhar o inconsciente) mas a técnica é aplicada diferentemente em função das fases identitárias.
A participação da família no processo analítico
Outra vantagem na psicoterapia psicanalítica para estas duas faixas etárias é a necessária relação com os familiares, principalmente os genitores e/ou aqueles que assumem o tratamento. Desde a escuta inicial, depois com reuniões periódicas com os pais. Isto porque não é possível perceber processos de evolução do paciente em duas sessões semanais de cinquenta minutos cada. Sei que muitos profissionais não mantêm este critério e acabam entrando na dinâmica de atender às necessidades percebidas das famílias. Mas a técnica não pode ser adaptada conforme conveniências clínicas ou familiares. Nesta interação intrínseca com os pais e/ou familiares, a família começa a ter novos posicionamentos na dinâmica da casa, na revisão de hábitos dissociativos, na busca por melhora de vínculos e na entrega de atenção para aquele que está mais precisando. Interessante notar que, em famílias com vários filhos, quando um deles entra em processo psicoterapêutico, o relato dos pais é de que os demais também ganham. Outro aspecto que a psicoterapia psicanalítica contribui é a construção de um futuro melhor elaborado. Sempre digo que, se tivesse tido a oportunidade de ter passado por uma psicoterapia psicanalítica quando criança, hoje seria muito melhor.
Como seria bom se o SUS pudesse oferecer atendimento psicoterápico de forma ampla e para além de tratamentos, com possibilidade das famílias poderem escolher colocar os filhos em uma psicoterapia de caráter preventivo. Muitos pais sobrecarregam os filhos com escolinhas esportivas e atividades cujo resultado muitas vezes gera estresse nas crianças e adolescentes, sendo que a nomeação de um espaço de psicoterapia pode ser uma boa alternativa. Já recebi muitas famílias (geralmente de pais com melhor conhecimento da psicanálise) que procuraram psicoterapia para os filhos por precaução, mas esta não é uma realidade como nem entre famílias com estrutura financeira, pois estas acabam priorizando dar estrutura de suporte e logística, não de raciocínio e compreensão subjetiva para um ser enquanto pessoa.
Entre prevenir e remediar: o desafio das famílias e do SUS
A possibilidade de escolherem colocar filhos numa psicoterapia por demanda preventiva e não curativa ainda é muito distante para a esmagadora realidade das famílias brasileiras. Ainda não conseguimos vislumbrar um SUS que atenda mais para prevenir do que remediar.
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Psicanálise Contextualizada 13/05/2026 21:09:05 303
Participandode um congresso de psiquiatria voltado para crianças e adolescentes, umprofissional da área verbalizou que a psicanálise tem pouco a oferecer no campodo atendimento infantil. Paradoxalmente, em seguida à fala deste médico,aconteceu uma mesa exatamente sobre como a psicanálise trabalha com crianças eadolescentes. Tambémobservo que há uma grande resistência dos pais em entenderem a impor...
Politícia e Sociedade 06/05/2026 20:30:40
Pensar o conceito Mãe não é tão simples como possa parecer, visto que há muitas formas de acessar a realidade da maternidade dependendo da realidade, do tempo, cultura e das relações de laços que se entrelaçam nesta configuração. Se perguntarmos para muitas pessoas o que é ser mãe ou o significado da palavra mãe, vamos nos encontrar com muitas definições, pois estamos diante de uma subjetividade decorrente de uma relação de significantes, na relação de cada um com o outro. E, ao mesmo tempo, no espectro social, vai se estabelecendo um imaginário estético de mãe que, na nossa realidade, está associado ao cuidado do filho. O estereótipo das matronas que dão a vida para o filho e que enxergam esta posição como o bem maior. Neste cenário que projeta culturalmente, esta condição é para sempre.
Porém, sabemos que numa perspectiva de construção de uma Sociedade anti machista - graças ao crescimento das mulheres no mercado de trabalho, na produção científica e esportiva, e na entrada da mulher onde, até então, era reduto de homens - associado a luta dos muitos movimentos de mulheres em busca de igualdade de direitos em relação aos homens, podemos, sim, pensar a mãe como passagem, não simplesmente como condição perpétua.
A transformação do papel feminino na sociedade
Lógico que temos nossas mães, as quais referendamos como mães até a nossa morte. Nesta semana, estive na casa de minha mãe, que me gerou no seu ventre e me criou até eu sair de casa. Dona Aurora, 90 anos, mãe desde pelo menos seus 22 anos, continua sendo para mim e meus irmãos, a mãe da qual fomos gerados e nascemos. O que faz a condição de ser mãe ter uma conotação muito forte, pois todos fomos gerados por uma. Mesmo com aqueles que não puderam ter na mãe biológica a referência de cuidado, ainda há uma mãe neste histórico, conhecida ou não. Por isso que, hoje, mãe também é vista naquela que se coloca na presença materna, adotando legitimamente esta posição. O biológico em si não denota a condição de ser mãe, mas todo o entorno do envolvimento de uma mulher com uma criança.
Mas, diante da ascensão da mulher na Sociedade, o ser mãe é passagem, etapa de vida com validade prescrita. E este tempo de validade vai até onde os filhos precisam de uma mãe. Quando os filhos seguem seus caminhos e tornam-se adultos, a função materna deixa de ser necessária. E aqui mora o vazio para a maioria das mulheres que ainda permanecem na posição de mãe para sempre, pois continuarão criando expectativas e atitudes de mãe em um cenário onde não mais se precisa delas enquanto mãe. Este risco de vazio, que gera sintomas de sensação de abandono, angústia e, muitas vezes, o choque conflitivo na relação com os filhos adultos, faz com que a mulher fique sem um lugar na Sociedade.
A mulher para além da função de mãe
Hoje, o protagonismo das mulheres (que tem gerado ações misóginas e feminicidas nos homens), faz-nos ver o ser mãe como passagem, etapa de vida. Desta forma, para que a maternidade não absorva toda a existência de uma mulher, é necessário cuidar do ser mulher que habita todas as mães. Desde o cuidado de si, até as projeções de buscas pessoais que possa desenvolver. Viver para além dos filhos. Pois, um dia, os filhos passam, e a mulher fica. Se a mulher só se fez neste referencial social de matrona e provedora, estará morrendo em si quando os filhos já não mais tiverem a necessidade dela.
Celebrar o Dia das Mães é memorizar e agradecer o existir de cada ser humano. Mas ser mãe para sempre pode representar o sofrimento no paraíso de mil possibilidades.
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Politícia e Sociedade 06/05/2026 20:30:40 291
Pensaro conceito Mãe não é tão simples como possa parecer, visto que há muitas formasde acessar a realidade da maternidade dependendo da realidade, do tempo,cultura e das relações de laços que se entrelaçam nesta configuração. Se perguntarmos para muitas pessoas o que é ser mãe ou o significadoda palavra mãe, vamos nos encontrarcom muitas definições, pois estamos diante de umasubjetividade decorre...
Psicopedagogia 23/04/2026 19:59:29
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Psicopedagogia 23/04/2026 19:59:29 328
Quando você era criança, seus pais ficavam fazendo tarefa de escola contigo? Não, né? Nem os meus pais faziam isso. Aliás, na minha época, tínhamos poucas tarefas escolares para casa. Uma pedagoga que admiro muito - e que é referência no ensino fundamental da rede pública municipal - tem filhos estudando em escola particular e está esgotada com as tantas tarefas que precisam de fazer todos os dias...
Psicanálise Contextualizada 15/04/2026 15:16:44
O machismo mostra a sua cara na atualidade brasileira pela faceta do feminicídio, com um aumento assustador de casos. Este fato se dá como sintoma pulsante de uma estrutura social machista na qual homens, ao se deparar com a ascensão das mulheres na Sociedade, precisam atacar para impedir que estas cresçam em direitos iguais.
Masculinidades em revisão: o papel dos homens na transformação social
Porém, a luta para mudar este quadro não se dá sem a participação dos homens, daqueles que se colocam com H maiúsculo. Assim, é preciso pensar as masculinidades, revendo a forma de se colocar nesta estrutura machista e, a cada homem, perceber-se nas suas muitas manifestações do machismo estrutural. Esta revisão das masculinidades tem sido proposta por grupos de homens que estão se encontrando e debatendo esta temática, mas, a meu ver, o caminho de formação de nichos de homens para pensarem essas masculinidades acaba por manter o distanciamento destes com as mulheres. Sendo esta pauta de todas e todos, vejo que o melhor caminho é unir forças às vozes das mulheres já nesta jornada.
Os traços do machismo estão explícitos no avanço das tendências políticas de extrema direita, que pauta todo o poder aos homens e os serviços subalternos às mulheres. Está no estímulo às guerras, que a cada dia aumenta a fúria de homens dirigentes para o domínio, levando ao sofrimento de mulheres e crianças em todo o planeta. Está na crescente onda de religiões pautadas no domínio do masculino, deixando as migalhas para as mulheres no papel de submissas a seus maridos. Está nas plataformas digitais, cujos empresários homens usam as tecnologias de informação para semear discursos de ódio, xenofobia, machismo e racismo nas mentes das crianças e adolescentes em plataformas que representam a força do capital e do poder econômico, cuja estratégia continua sendo de todo o poder aos homens.
Origens do machismo: fatores históricos, culturais e psicológicos
Podemos pontuar vários motivos pelo crescimento do machismo, misoginia e feminicídio no Brasil. No entanto, aqui, irei focar em quatro elementos: O fracasso dos homens em diversos campos de desenvolvimento (cognitivo, intelectual, sexual, profissional, entre outros) que leva-os a interpretar a ascensão das mulheres como uma ameaça e, com isto, tendem a deter tal crescimento; A inveja que leva os homens a destruir nas mulheres o que elas possuem e eles não podem possuir - principalmente no potencial de gestar, gerar, cuidar - e a revolta divina masculina em não serem os baluartes da gestação; A colonização europeia que trouxe um traço de família nuclear baseado no poder do homem e a estrutura machista secular que dificulta a percepção histórica e a reconfiguração da mesma; A religião colonialista que dá respaldo à posição de um Deus masculino com a força ao pai e, mais especificamente no Brasil, o apagamento da ancestralidade indígena e afrodescendente cuja força estava na coletividade, no estar juntos, parceiros.
Psicanálise e novas leituras das relações de gênero
Dentro da Psicanálise, teoria e técnica que utilizo no meu dia a dia como Psicólogo, a construção da estrutura psíquica passa pelo viés da colonização, principalmente quando adentra nos laços de vínculo afetivo, em que a estrutura se molda com referência na pessoa do pai. Além disso, em muitos grupos psicanalíticos, há a ideia de que a mulher atua pela falta, restando a ela as manifestações histéricas. Porém, estas posições estão avançando para uma leitura que não perpassa as perspectivas do masculino e do feminino em si. Por este motivo, criei a “Psicanálise Contextualizada”, que você pode conhecer mais no perfil de instagram @psicanalisecontextualizada, onde estamos trilhando caminhos para um reelaborar a Psicanálise a partir da realidade brasileira e, quem sabe, propor novas formas de pensar vínculos afetivos na construção da estrutura psíquica.
Desta forma, é preciso a integração entre mulheres e homens para que a luta pela construção de uma Sociedade anti machista aconteça. Para nós, homens, é necessário adentrarmos os muitos movimentos feministas para o fortalecimento de todas as pautas públicas que remetem à eliminação das estruturas machistas. Aqui, cabe o atual avanço da qualificação da misoginia como crime, fator que mexeu muito com os políticos de direita, com argumentos do tipo “agora qualquer discussão de idéias que um homem tiver com uma mulher será enquadrado em misoginia?” A senadora Damares chegou a verbalizar que, desta forma, não sobrariam políticos fora desta lista de criminosos.
Deixamos de entrar nesta luta quando não entramos no processo de educação dos filhos em parceria com as mulheres, quando nos omitimos diante de cenas misóginas, quando contamos piadas depreciativas sobre mulheres ao estarmos em bandos de homens, quando somos agressores e atuamos com a força física no cenário familiar, no trabalho e nas instituições. Enfim, em muitas cenas do cotidiano nas quais não nos mantemos atentos ao nosso machismo estrutural.
As mulheres têm, sim, um poder enorme em suas mãos de construção educacional nas gerações que chegam, pois detém quase que a exclusividade do cuidado e educação das crianças, tanto no seio familiar quanto no âmbito da educação institucional. E este poder de fazer uma educação anti machista vai desde as distribuições equitativas dos afazeres domésticos na casa até o processo de levar as crianças e adolescentes ao debate desta pauta nas escolas. As mulheres têm maiores possibilidades de resultados ao montarem estratégias para a conquista de direitos e a derrocada da sociedade machista, pois já possuem experiência organizativa no movimento social feminista. A entrada dos homens nesta causa ainda será efêmera, pois são poucos os que estão dispostos a estabelecer esta parceria com as mulheres. Mas, aos poucos que ainda querem esta pauta, cabe estar junto delas nesta luta.
Duas estratégias importantes para as mulheres estão diretamente relacionadas ao potencial de estabelecer vínculo afetivo com crianças e adolescentes, o primeiro sendo a atenção em não cair na armadilha machista de ser só delas a demanda de colocar regras, pois com o tempo ficarão com a imagem de más e os homens que não estiveram no cenário educacional sairão com a imagem de bonzinhos. A segunda consiste em levar crianças e adolescentes à prática da Solidariedade, do fazer em conjunto, e, neste processo, resgatar a ancestralidade indígena e afrodescendente pela força do “aquilombamento”, como já nos lembrava Nego Bispo.
De bandos a redes: reinventando as masculinidades
Como já nos ensinou Rose Maria Muraro (socióloga brasileira que pesquisou o perfil da mulher brasileira ao longo de sua vida acadêmica), mulheres fazem redes enquanto homens fazem bandos. Os bandos se agridem enquanto as redes são solidárias. Rever a nossas masculinidades passa primeiro pelo caminho de deixarmos de ser bandos para tornarmo-nos verdadeiras redes de solidariedade.
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Psicanálise Contextualizada 15/04/2026 15:16:44 239
Omachismo mostra a sua cara na atualidade brasileira pela faceta do feminicídio,com um aumento assustador de casos. Este fato se dá como sintoma pulsante deuma estrutura social machista naqual homens, ao se depararcom a ascensão das mulheresna Sociedade, precisam atacar para impedir que estascresçam em direitos iguais. Masculinidades em revisão: o papel dos homens na transformação social Porém, a ...
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